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Era fim de tarde em Vitória, o céu indo embora com seu dourado quente demais pro inverno que já devia ter passado. Do outro lado da tela, dois irmãos falavam direto de Curitiba – cidade onde o sol parece ser lenda e o cinza virou identidade.

RELVI e Traumatopia estavam lá, agasalhados e atentos, me contando da jornada que virou o disco PESTE, lançado agora, 4 de julho, pela Sujoground.


Conversar com os dois é como abrir a tampa de um porão que respira fumaça, beats e vivência. RELVI, filho de mãe solo, ex-skatista, rapper, já passou por banda de rapcore, pichação e mil corres antes de assinar o que, pra mim, é mais do que um álbum: é rito. Trauma é antropólogo, DJ, produtor, dono de loja de vinil e de uma estética sonora carregada de clima – “meu som não é pra festa, é pra refletir”, ele diz. 



A verdade é que PESTE não se encaixa, ele escapa.

É um álbum que atravessa – e não passa batido.


RELVI mandou o papo reto: “esse disco nasceu num dia ruim”.

E eu entendi.

Não porque a gente sempre entende a dor dos outros – não é isso.

Mas porque, às vezes, a gente também já foi até alguém numa noite ruim.

Ele contou como ligou pro Trauma quase de madrugada, meio perdido, só pra trocar ideia.


Fotos: RELVI
Fotos: RELVI

Trauma tava no shopping, largou tudo, voltou pra loja. “Cola aí.”

Naquele breu do sul, numa loja de vinil recheados de referências, na construção de sons na madrugada, nasceu a primeira faísca do PESTE.


“Minha mina até tava com a gente, dormiu no carro de tanto tempo que a gente ficou ali.

A gente só queria fazer som, mano. Era dor, era carga, era nóia. Aí saiu”, ele disse, e ficou aquele silêncio depois, que às vezes a internet até corta, mas que a gente sente mesmo assim.



Eu fiquei só ouvindo.

Como se estivesse naquele estúdio com eles.

Como se o frio tivesse atravessado a tela e gelado meu quarto aqui em Vitória.


RELVI falava com o peso de quem perdeu a mãe, sua principal referência.

Trauma ouvia, quieto. “Sempre fui eu e ela, tá ligado?”, ele disse.

E por mais que essa frase seja simples, ela carregava tudo.


A ausência, o luto, a raiva, a lembrança da luta, do abraço, da sala vazia.

Fotos: RELVI
Fotos: RELVI

Tem uma dor que não rima.

Uma perda que não cabe em beat.


RELVI perdeu a mãe enquanto escrevia PESTE. E se o disco sangra, é porque a ferida ainda tá aberta. “Sempre foi eu e ela”, ele disse. Professora do Estado, de esquerda, dessas que levavam o filho pequeno pro colo em dia de protesto. Em 88, estavam juntos quando Álvaro Dias reprimiu os professores no Paraná. Ele lembra disso como quem carrega tatuado – não na pele, mas na sua construção do seu eu. 


Ouvir PESTE sabendo disso muda tudo. Porque aí a melancolia não é só estética – é saudade. A caneta quente não é só estilo – é resistência herdada. RELVI não grita por gritar. Ele vem de uma casa onde a palavra era ferramenta de proteção. Onde ensinar era mais que profissão: era sobrevivência.


Fotos: RELVI
Fotos: RELVI

RELVI transforma o luto em legado. Faz do rap um caderno rabiscado de madrugada. Trauma costura os beats como se editasse lembranças em fita VHS. E PESTE vira um livro didático sobre dor, afeto e insubmissão.


Foi quando o Trauma entrou, devagar, com a voz mansa de quem também carrega cicatriz, mas escolheu a batida como forma de sutura: “Esse disco não foi só produzido. Ele foi vivido.”


E aí contou como a amizade dos dois virou parceria de criação – não aquela parada protocolar de produtor e MC, mas uma construção quase artesanal. Eram faixas que nasciam e morriam, letras que eles reescreviam até virar verdade. 


“Tinha 10 músicas prontas. Ouvimos no carro, olhei pra ele e falei: não é isso.” RELVI riu. “Aí teve que voltar tudo. E a gente voltou.”

Nesse ponto da conversa, eu nem fazia mais pergunta. Só deixava correr. Porque parecia que estava presenciando o que muita gente nunca vai ver: o momento em que dois artistas constroem uma obra no meio do caos. Não pra explicar o caos – mas pra sobreviver a ele.


Arte: RELVI
Arte: RELVI

“PESTE não é álbum de estúdio, é álbum de porão. De loja de vinil às 3 da manhã, de desabafo entre beat e beat”, falou Trauma.


E eu só pensei: é isso.


Curitiba pesa no disco – e não só como paisagem.


Tá no BPM mais lento, na ausência de refrão grudento, na recusa de fazer música pro algoritmo. É uma cidade que obriga a pensar antes de sorrir. “Aqui pra ser maloqueiro, tem que ser mesmo”, RELVI solta. E dá pra ouvir isso em faixas como Inflamável, Chama Acesa e Cotidiano, onde cada linha é sobrevivência.


Não é só a letra que pega – o beat também te prende. Trauma não tá de brincadeira, cada sample é escolhido a dedo, e o som final é ritual. “PESTE é um disco que não tem pressa. A gente burilou cada faixa”, ele explicou. Um ano e meio de produção, versões refeitas, letras reescritas.


Uma teimosia boa – de quem se recusa a lançar algo pela metade.

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Contra o tempo, contra o hype: PESTE como relíquia no caos


No mundo onde o próximo hit precisa caber em 15 segundos de viral, RELVI e Traumatopia decidiram lançar um disco com 13 faixas, scratches, refrões sem pressa e beats que não pedem pista, pedem atenção. Em vez de algoritmo, tempo. Em vez de tendência, insistência.


“Tô velho, mano”, disse RELVI em tom quase cômico – mas ali havia mais do que cansaço. Havia recusa.

PESTE nasceu de conversas na madrugada, da saudade do encarte, do som que se ouvia inteiro com o nariz no plástico do CD recém-aberto. Trauma, com o olhar de quem atravessou a cena desde 2009, fala de um hiato, de uma frustração com o que se ouvia – e da retomada de fôlego que só veio com reencontros e afinidade real. Porque essa é uma das chaves do disco: ele só existe porque a amizade veio antes do projeto.


Na contramão da lógica que exige um reels por semana, RELVI e Trauma compuseram como quem esculpe – e não como quem alimenta feed. Cada beat passou por filtros afetivos, cada letra por autocrítica. E se um verso soava desonesto, recomeçava-se. Essa escolha pelo caminho lento, de lapidar em vez de lançar, torna o álbum uma espécie de relíquia em um tempo onde tudo já nasce velho.


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RELVI resume: “Esse som não é pra viralizar no TikTok. É pra conversar.”

Tem algo bonito na forma como eles falam de não negociar o essencial. Trauma diz que o mais importante é saber o que não se negocia. A estética do disco – o clima sombrio, o tempo arrastado, os samples sujos – não são ornamento. São posição. Estão ali porque são parte de um mundo que não cede. Sua arte é uma forma de não ser consumido.


O mais curioso é que, apesar de tudo isso, não há no disco ranço nem pose. Tem tristeza, tem crítica, tem cansaço – mas tem também afeto. PESTE é menos um grito e mais um murmúrio firme. Não é militância de palanque, é política feita em estúdio, entre um beat e outro, entre um trampo e um luto.


O próprio Trauma diz: “Não é um disco com pressa. Mas também não tem desperdício.”

É por isso que escutar PESTE não é como ouvir música. É como cruzar uma fronteira. Uma espécie de desaceleração forçada, como se o tempo abrisse uma fenda pra gente respirar fora do capitalismo. Talvez o maior feito do disco seja esse: fazer barulho sem gritar, emocionar sem apelar, resistir sem slogan. PESTE é ritual porque te tira do automático. É política porque recusa ser produto.


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E enquanto o mercado corre pra lançar o próximo beat que dure menos que um stories, RELVI e Traumatopia seguem na contramão, devagar, fundo, juntos – porque sabem que o que move não é o hype, é o vínculo.


Quem tá junto não participa – comunga


E mais que isso: existem reencontros, cumplicidades, alianças. RELVI fala com naturalidade: “não gosto dessas parcerias frias”. E dá pra sentir. Quando Galf AC, Alienação Afrofuturista, Wil Santos ou Cabes rimam, não é pra “colar nome na track” – é pra somar corpo no ritual. Como se cada verso tivesse sido escrito no mesmo porão, com as mesmas velas acesas, com o mesmo peso no peito.


Na faixa Rocky & Apollo, Wil Santos aparece como irmão resgatado. Amigo de infância de RELVI, afastado do rap há anos, ele volta não como quem quer retorno de cena, mas como quem aceita um convite pra sentar no terreiro de novo.


Galf AC, em Miradouro, costura a faixa com um lirismo sujo e apurado, como quem entende o disco por dentro. E a presença de Cabes, na potente Ordem do Dia, não só dá voz, mas imprime uma espécie de manifesto no meio do álbum.


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Mais do que participações, são pactos. Como se cada convidado dissesse: “tô com vocês nessa caminhada, e não é só na música”. A escolha dos nomes é menos sobre métrica e mais sobre memória.


RELVI lembra que o critério foi simples: “quem tá com a gente”. E, por sorte – ou por fé –, esses que estão também rimam forte, pensam fundo e têm o que dizer.

Nesse sentido, o disco encontra sua casa perfeita no selo Sujoground. O nome já entrega o espírito: chão sujo, base crua, mas fértil. É um selo que não busca brilho – busca identidade. E é nessa rede subterrânea que PESTE cresce. RELVI assina a estética visual do projeto como quem grava o próprio nome no muro: glitchs, VHS, memória analógica de uma era pré-streaming.


Tudo ali recusa a nitidez.

Prefere o rastro, a falha, o chiado.

Porque é disso que a vida também é feita.


Fotos: RELVI
Fotos: RELVI

Matheus Coringa, à frente da Sujoground, aparece não como executivo, mas como cúmplice. Amigo de outros corres, como Golf, que também aparece na trajetória de RELVI e Trauma, ele é desses que não apenas lançam discos – seguram a onda, dividem palco, ajudam a regar o mato alto do underground. 


E esse cuidado coletivo transborda no som.


🎬 Acaba de sair o clipe de “Altos e Baixos”, faixa do álbum PESTE de Relvi & Traumatopia



O videoclipe de Altos e Baixos, uma das faixas mais viscerais do disco PESTE, estreou recentemente no YouTube. Mais do que uma produção visual, o clipe é extensão direta do que o álbum representa: dor, memória e sobrevivência em tempos cinzas.


Relvi rima como quem rasga o próprio peito. Traumatopia produz como quem constrói abrigo em meio ao caos. E agora, juntos, transformam a intensidade sonora em imagem – tudo com a mesma estética crua e afetiva que marca o projeto.


Se PESTE já era um ritual sonoro, Altos e Baixos chega como reza audiovisual.


Assista agora no canal oficial de Sujoground e sinta o peso, a calma e o grito contido de quem não desiste – mesmo quando tudo desaba.




 
 
 
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Quando você não sabe o que está acontecendo no mundo, você está definitivamente em desvantagem. (Assata Shakur)

Recentemente saíram os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 que levanta a quantidade de mortes violentas intencionais (MVI) para cada 100 mil habitantes. Os crimes (categoria de registro) contabilizados são: homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, mortes de policiais e mortes decorrentes de intervenções policiais (MDIP).


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De maneira geral os dados apontam uma queda de 5% dessas mortes, ao todo 44 mil mortes violentas intencionais, nesse índice já batemos 63 mil homicídios em 2017.

Para além das noticias fui ler o anuário e uma parte me saltou os olhos. Na parte de “Quem morre e como morre no Brasil” destaco um gráfico estarrecedor, o de distribuição das MVI por faixa etária e categoria de registro (em %).


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O gráfico se restringe a mostrar as quatro maiores causas que estão na MVI e, para além do que já sabemos de que as maiores vítimas em absoluto são homens negros, este gráfico nos aponta que quem puxa as taxas de morte e vitimiza nossa juventude é a polícia. Perceba a disparidade das outras categorias para as mortes decorrentes de intervenções policiais (MDIP), apenas ela garante o pico de 40 por 100 mil habitantes, dentre elas 99% são homens e 82% são negros.


São Paulo foi a que apresentou a maior variação de 2023 a 2024, um aumento de 60% de mortes por policiais (efeito Tarcísio?), porém os municípios que aparecem no top 10 estão majoritariamente na Bahia, com Japeri (RJ) em 7ª colocação.

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Perceba, nossos jovens não morrem de homicídio, latrocínio ou lesão corporal seguida de morte, estas configuram entre os mais velhos, nossa juventude morre de POLÍCIA. A partir disso podemos fazer algumas reflexões dos porquês desse dado. Se comparado ao Rio de Janeiro, a Bahia vive o início das organizações criminosas e as disputas de território entre elas com um aumento de poder de fogo das facções, algo muito parecido com o que foi a década de 90 e 00’ no Rio.


Isso significa dizer que em alguma medida o Estado não tem um interlocutor para negociar, pois o território está em conflito deflagrado.

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Já é sabido que o Estado realiza acordos com os criminosos para redução dos números e cada um fica na sua, famoso arrego. Isso em alguma medida abaixa os índices de morte, roubo, furto etc. Esse arrego é feito de maneira mais organizada em São Paulo, com o PCC, tanto que as estatísticas positivas são fruto desses acordos.


Portanto, na Bahia não vemos esse nível de organização, prevejo que avance com o tempo, isso explica em parte a alta de MDIP ser muito mais alta no Estado, mas não é nesse elemento superficial que quero me ater.

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O que quero deixar em evidência é que independente do uso legal ou ilegal da força na ação policial essa tem estruturalmente um alvo específico, que não à toa, se encontra a margem do exército de reserva – este que ainda orbita o sistema de acumulação. O gráfico demonstra uma política oculta promovida pelo Estado; uma imbricação entre a promoção da guerra as drogas como narrativa social, o auto de resistência como justificativa legal, o morticínio para o controle demográfico de uma juventude excedente que pode não ter nada a perder e virar o jogo com a causa certa.


Portanto, a política em curso é de contrainsurgência preventiva por parte do Estado Policial que colabora na distribuição de drogas e armas na periferia, com isso ganha o aval jurídico-social para combate-las, mas que no fundo sua justificativa concreta é a contenção dos elementos subversivos de outrora, com beneplácito da sociedade de bem e do Ministério Público que por não investigar nada, reforça a hipocrisia desse teatro.


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Dessa forma espalha o medo paralisante na sociedade e mantem o controle do território pelos seus subordinados que reorienta toda força potencial dos jovens para uma rua sem saída. É um jogo circular fechado em si, onde o policial é a lei, o juiz e o executor, um jogo perverso pensado e promovido por instituições calcada na lógica do sistema de exploração.


Quem ganha e quem perde com a morte de nossa juventude?

Se formos parar pra ver a construção do Estado Policial é um tanto recente e vem aperfeiçoando a forma de promoção da guerra civil permanente, enquanto forma social de extração de mais-valor e contenção política desde o nível do imaginário até as formas simples de solidariedade em uma vida comunitária.


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Tente pensar em como realizar um trabalho social contundente dentro de uma favela onde o fuzil já é algo banalizado.

É exatamente essa naturalização do absurdo, ou simplesmente realismo capitalista, que fundamenta e aprofunda o Estado Policial na tentativa de superação de suas crises insolúveis. É nessa dinâmica que vamos normalizando a guerra, as queimadas, a tragédia e a vida vai se fazendo em uma brecha cada vez mais estreita.


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Se para superar suas crises o Estado Policial se aprofunda, o que podemos esperar do futuro? Que novas configurações observaremos no Estado? Temos algumas pistas já no horizonte como as escolas civis-militares, a nacionalização e profissionalização da milícia, a unificação entre igreja evangélica com o Estado e seus discípulos varejistas (narcopentecostalismo?).


Para conseguirmos nos livrar dessa arapuca temos que pensar fora da caixa, para além de políticas públicas, mais em termos de dignidade humana, soberania popular que vise fortalecer outra sociedade a partir da compreensão do que se passa, ter a real dimensão do problema. Para isso é preponderante de antemão a não integração a esse jogo, a não conformação política nesse teatro que reduz nossa ação as representações que administram a maquina de guerra que trucida nossa juventude.


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Nego Bispo já nos alertou “o Estado é um trem encarrilhado nos trilhos do colonialismo. Ou você constrói outro trilho, ou vai para o mesmo lugar, seja quem for o maquinista”.

A Bahia completará 20 anos de governança do partido da conciliação de classes e devemos parar pra pensar onde ela nos trouxe e para onde nos levará daqui a 20 anos?




 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 1 de ago.
  • 2 min de leitura
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Recentemente voltei a usar bastante as redes sociais – principalmente para ver memes. Mas o algoritmo não é tão benevolente quanto eu gostaria.


Muitas vezes, sou bombardeado por conteúdos que me lembram da distopia do capitalismo tardio ao qual estou submetido simplesmente por existir – uma existência racializada, marcada por determinações econômicas e guiada por um espírito contestador.


Nas ruas, o mesmo cenário.


Durante uma operação do BOPE em uma festa junina no Morro Santo Amaro, no Catete (RJ), o jovem Herus Guimarães, de 24 anos, foi baleado e morreu. Ele comprava um lanche quando foi atingido. A ação gerou protestos de moradores e do rapper Oruam, que pedem justiça e denunciam a violência policial.
Durante uma operação do BOPE em uma festa junina no Morro Santo Amaro, no Catete (RJ), o jovem Herus Guimarães, de 24 anos, foi baleado e morreu. Ele comprava um lanche quando foi atingido. A ação gerou protestos de moradores e do rapper Oruam, que pedem justiça e denunciam a violência policial.

Ando por aí, penso em outros lugares, vivo por aí. Olha só aquele jovem negro – sou eu. Existo, posto fotos com frequência, quero criar memórias para quando for preciso lembrar de resistir. Memórias que se opõem às tarifas simbólicas de um suposto pensamento superior que nos infecta, que nos joga como eternos colonizados do velho mundo, enquanto o novo é sempre renegado.


Uma pena – tínhamos tanto potencial para evoluir como espécie.


A tal civilização segue com seu teatro político, jurídico, econômico – nunca cultural. Olha só: consomem tudo que já vem mastigado. Se precisam mover um pouco mais a mandíbula, buscam formas de triturar o conteúdo antes. Vivemos num mundo moderno com pitadas sádicas do antigo – o antigo permanece nos latifúndios, nas mansões, nos prédios e nas narrativas de quem não quer abrir mão do que conquistou à base de muito sangue... alheio.


Eu sou pivete – não se engane. Nunca deixaria de defender um jovem negro preso por arbitrariedades que só quem é como nós conhece. Jovens que, queiram vocês ou não, inspiram milhares de outros. E, sinceramente, era melhor quando eles estavam distraídos com o neoliberalismo e o consumismo ostentação.


O caso levou ao afastamento de policiais e à exoneração de comandantes. A Defensoria Pública e o Ministério Público investigam a operação. A morte reacende críticas sobre a letalidade policial nas favelas e o racismo institucional.
O caso levou ao afastamento de policiais e à exoneração de comandantes. A Defensoria Pública e o Ministério Público investigam a operação. A morte reacende críticas sobre a letalidade policial nas favelas e o racismo institucional.

Porque agora vocês abriram espaço para que eles se politizassem, se organizassem, se levantassem. E resistissem.

As coisas podem mudar ou não, mas a cada dia cresce a certeza de que é nós contra vocês.

Não acho que ele seja santo – quem é? Mas está ficando cada vez mais evidente o uso das velhas estratégias para nos encarcerar, encenadas nesse teatro do poder que deixaria até o Balandier desconcertado. Não é tragédia – é farsa. E vocês continuam com as mesmas armas de sempre.


Enquanto o último neguinho resistir, enquanto um único sonho ainda nos guiar, vai existir a esperança. E vocês não vão conseguir nos parar.


Liberdade já!

Ouçam o Deluxe.

Espalhem o som.

Compartilhem a verdade. 



A arte preta não vai morrer em silêncio.

 
 
 
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Todos os Direitos Reservados | Revista Menó | ISSN 2764-5649 

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