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Limítrofe, a primeira exposição individual da artista Brenda Cantanhede, abriu dia 15 de novembro no Atelier Sanitário, Rua Pedro Ernesto, 56 (Gamboa), com curadoria de Bruna Costa. Essa é a última semana para visitar a exposição. 


Sua programação conta com visitas guiadas, ativações com o Coletivo Corena¹, e uma surpresa para o encerramento, que vai ser dia 28/11. Estive na abertura e compartilho o relato sobre a experiência, trazendo um pouco da minha vivência como amiga da artista.

 

Brenda me chamou atenção desde o primeiro momento que a conheci por ser uma pessoa interessada no aqui-e-agora. Observei ela recusando todos os lugares que achava que não deveria caber, muitas vezes de forma solitária e corajosa.


Foto por Sofia Reis (@aifosofiaeris)
Foto por Sofia Reis (@aifosofiaeris)

Ela queria saber o que existia de mais sofisticado, queria saber o que os poderosos estavam fazendo; de certa forma existia um desejo de se apropriar, e subverter.


Ela mesma subvertia constantemente seu próprio destino, buscava sempre enxergar por todos os pontos de vista. Parecia saber fazer a mágica de ir além de si mesma.
Foto por Sofia Reis (@aifosofiaeris)
Foto por Sofia Reis (@aifosofiaeris)

Desenvolvia a técnica ao seu máximo, e não satisfeita jogava tudo fora e ia atrás do conceito. Isso assustava. Quando ela, depois de se apropriar extensivamente das técnicas de pintura mais refinadas da história da arte ocidental, diz que quer ser musicista, eu entro em choque.


Não entendo o motivo, me preocupo. Mas ela sentia que não precisava eliminar nenhuma parte de si nesse processo: toda página virada é parte constitutiva desse todo. Hoje não me assusto mais, quando vejo sua primeira individual: ouvindo seus ruídos, junto com as fotografias, colagens, assemblages², pinturas, videoartes, instalações.


Era impossível prever o próximo passo dessa artista em pleno desenvolvimento, e era preciso coragem para sustentar isso. O tema da sua individual não poderia ser outro.

 

Uma exposição que é sobre tensionar limites. Mas, que limites nos restam? No capitalismo contemporâneo a tecnologia evoluiu ao ponto de monetizar até mesmo nosso tempo de ócio: escolhemos o tempo inteiro por livre e espontânea vontade rolar o feed do Instagram.


Até mesmo quando descansamos não deixamos de contribuir com a receita da META, dona da plataforma. Contribuímos passivos com o desenvolvimento dos algoritmos, e mesmo conscientes disso não conseguimos impor limites — afinal, é o meio mais eficaz de se comunicar com as pessoas que amamos, de obter conhecimento sobre nosso entorno, e buscar cultura.


É o que organiza a vida social hoje. Somos seres humanos com cada vez menos recursos para lidar com nossa existência, bombardeados por um fluxo interminável de imagens, massa de informação que deforma.


Temos uma quantidade exacerbada de informações acumuladas, mas somos pobres em dar sentido a isso. Historicamente a arte e a religião cumpriam esse papel, hoje podemos ousar dizer que as telas substituíram ambas de uma só vez.


Vivemos uma crise profunda na subjetividade humana, a partir dessa massa de informações que mistura tudo. Mas mistura tudo mesmo? Voltando à pergunta: quais limites nos restam?

 


Limites Culturais, Artísticos e Políticos.



VERMELHO


Cor quente. É cor pulsante na sua exposição, conectando vários trabalhos. É cor que suscita ação, vitalidade em direção da criação de algo inédito, o projeto de negação do que está dado.
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Assim está exposto o paradigma de nosso tempo no trabalho da Brenda. Na frente de um elegante pano vermelho que jorra até o chão, uma televisão de tubo antiga passa sua videoarte “BANCADA BBB”, termo usado para se referir à bancada armamentista, bancada ruralista e bancada evangélica do Congresso Nacional do Brasil.


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Misturando de forma caótica imagens familiares dos acontecimentos políticos do Brasil em 2023, a artista se apropria das tecnologias de controle midiático para ironizar sua própria artificialidade: usando uma peruca loira, encarna uma personagem espalhafatosa.


A gula com a qual ela devora um clássico podrão somos literalmente nós, quando estamos compulsivamente pulando vídeos em busca de mais, ou compartilhando aquela fake news com o grupo da família.


É um comentário sobre qual cultura visual forma a bancada e aqueles que se identificam com suas posturas. A videoarte permeia a exposição inteira devido a sua sonoridade em loop, nos remetendo à uma catedral gótica.

 

Brenda chama a atenção para o papel espiritual da música como ritual, contaminando impressões do todo, como uma infecção.


Às vezes funciona como ruído irritante, persistente, em outros momentos como ruído branco, preenchendo e acalmando a atmosfera, nos organizando existencialmente.


Algo semelhante acontece quando ficamos presos no mesmo Reels ou TikTok, rodando em looping, uma espécie de mantra que aprisiona. Os limites estão sendo novamente testados: entre a paciência e a contemplação. A ambiguidade é uma tensão constante.


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Ainda sob o comando dessa sonoridade, somos absorvidos na série “Não é Pintura”. Aqui vemos uma profusão de experimentações — assemblages, sempre contendo o gestual típico da pintura, misturados com objetos que poderíamos encontrar na Uruguaiana.


Brenda transmuta esses objetos comerciais do universo pop brasileiro em expressão da sua subjetividade, deixando até mesmo uma declaração de amor aparecer na parede da galeria. A disposição expositiva da série remete a lógica dos antigos salões do século XIX, como exemplo clássico os Salões Oficiais da Academia de Belas Artes em Paris.


O ambiente saturado de obras que antes refletia uma necessidade de mostrar o máximo possível de trabalhos (e também uma competição entre artistas por reconhecimento) agora parece local adequado para temas diversos da artista se encontrarem.


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“TERRA, TERRITÓRIO, TERRA” traz o debate da luta pela terra no Brasil, coexistindo no imaginário da artista, junto com referências à Mondrian, velas derretidas, e materiais típicos do universo carnavalesco do Rio de Janeiro.


Aqui o tempo todo os limites são atravessados, entre o particular e o universal, o subjetivo e o objetivo. É curioso pensar a coexistência desse trabalho com a pintura “Vó Paulina”, que está imerso na tradição da pintura figurativa e suscita uma mensagem política clara.


Parecem trabalhos que poderiam ser de pessoas diferentes, ou de épocas diferentes, mas sob o eixo conceitual de Limítrofe comunicam claramente sua proposta: ir para além das categorias burguesas de arte.


A artista está presente, com sua subjetividade e sua luta política, ultrapassando o individualismo, mas sem negar que tudo o que tocamos está contaminado de sujeito. Porém, Brenda também não estava satisfeita em somente refletir as questões de nosso tempo.


Era preciso ir além, novamente. A partir da importância que a imagem adquire na nossa comunicação, poderia a arte provocar fissuras entre o velho e o novo? Diante dessa aparente profusão de conteúdos, há uma ilusão de escolha.


Não há escolha se estamos presos no velho. Artistas estão sempre revisitando a história da arte. Os modos de produção hegemônicos aprofundam a lógica capitalista. Como descobrir o que pode ser diferente do que vemos todo dia?



AZUL


Cor fria. Aparece mais tímida, mas espirituosa e equilibra os trabalhos, criando uma dinâmica quente-frio na exposição. É a cor que suscita o sonho coletivo, revolucionário. A consciência coletiva que precisa escolher se transformar.

 

Atravessando limites entre videoarte e instalação, temos “SUSPENDER O CÉU”, trabalho que representa o que Brenda enxergou como vital para imaginar novos mundos: o retorno ao sonho.


O novo é fruto do processo dialético entre concreto (VERMELHO) e abstrato (AZUL), em fricção de movimento na constituição de um novo concreto. Não é uma mera redução do vermelho ao azul, mas opostos que se desenvolvem lado a lado, continuamente.


Ação na prática e utopia no horizonte. Objetividade política e posicionamento, ação; e o imaginar subjetivo, sonhar o diferente. Como suspender o céu, se já parece que estamos suspensos nele? Poderia ser uma referência ao método dialético, a negação da negação — mas são os saberes dos povos originários, que fazem parte da história da artista.


Ailton Krenak, professor e ativista indígena, usa o termo “suspender o céu” para se referenciar um estado cultural e existencial de suspensão perante a crise iminente entre humanos e natureza, onde cantar e dançar é resistência.

 

Limítrofe é, portanto, estar no limite, na fronteira das contradições. Estar entre duas zonas diferentes, estados diferentes. Caminhar entre elas. É zona de fricção para o sujeito ensaiar sua própria transformação, e do mundo também.

 

A exposição contou com a participação do Coletivo Corena, do qual a artista faz parte, e encerra dia 28/11, com uma visita guiada às 11 horas e um show à noite do grupo THEBRENDAS, onde Brenda desenvolve suas composições musicais. Será a celebração de lançamento do primeiro single do grupo, “slowcor.e”, gravado e masterizado pelo Francisco Patetucci.


Foto por Sofia Reis (@aifosofiaeris)
Foto por Sofia Reis (@aifosofiaeris)

THEBRENDAS é um coletivo que existe desde 2023 voltado para a produção de eventos e apresentações sonoras, trazendo a prática da performance como elemento-chave para a cena de apresentações de música alternativa no Rio de Janeiro.


Foto por Sofia Reis (@aifosofiaeris)
Foto por Sofia Reis (@aifosofiaeris)

Transitando entre noise, jazz, rock, e experimental, o grupo aborda temas como fascismo cibernético e os limites da tecnologia. Se apresenta normalmente em espaços de música independentes e exposições artísticas.


Convido todos a conhecer a exposição e o trabalho musical do coletivo, em uma noite propícia para a arte expandida ser um gesto poético e político. Música, política e arte na rua, na Gamboa, no Rio de Janeiro!

 

 

Notas:


¹ Coletivo Corena: O Corena (Coletivo Cultural Renato Nathan) é um coletivo político democrático-revolucionário, baseado em princípios marxistas. Tem como foco a atividade política através da cultura, buscando despertar a consciência política revolucionária da juventude e das camadas de intelectuais, organizando o diálogo entre classes intelectualizadas e classe operária. O objetivo do coletivo questionar a antiga divisão entre trabalho intelectual e trabalho prático, contradição fundante da divisão social do trabalho, ainda essencial para o funcionamento da máquina capitalista. Renato Nathan Gonçalves Pereira foi um dirigente camponês, conhecido como “Professor Renato”, assassinado em abril de 2012, em Jacinópolis/Rondônia. Ele apoiava a LCP (Liga dos Camponeses Pobres) e dedicou sua vida à luta no campo, organizando escolas populares e alfabetizando dezenas de jovens e adultos.


² Assemblage: Assemblage ou assemblagem é um termo francês que foi trazido à arte por Jean Dubuffet em 1953. É usado para definir colagens com objetos e materiais tridimensionais. A assemblage é baseada no princípio que todo e qualquer material pode ser incorporado a uma obra de arte, criando um novo conjunto sem que esta perca o seu sentido original. É uma junção de elementos em um conjunto maior, onde sempre é possível identificar que cada peça é compatível e considerada obra.  


 

Fontes:





 
 
 

A van-estúdio itinerante que transforma a juventude da periferia através da cultura Hip-hop.


Como muitos de vocês que leem a revista sabem, eu participei de forma ativa no Hip-hop enquanto MC de batalha e cheguei a lançar algumas músicas durante esse período. 


E durante o mês de outubro pude trocar ideia com um dos responsáveis pela minha obtenção de título de bacharel em Sociologia pela UFF: Klauder Gonzaga. Ele é professor e doutorando em História pela mesma Universidade, MC da Batalha dos Criadores, e diretor da Nave dos Crias.


Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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Ele, com o Ministério da Cultura e com o Instituto Conecta Brasil, realiza o que chamo de um “resgate por completo” da menozada. 


Para você ter noção da força que é esse projeto, ele ocorre por uma emenda do deputado federal Washington Quaquá, que é hoje o prefeito do município de Maricá. 


E isso não é pouca coisa. 


Mas do que se trata a Nave dos Crias? É basicamente um exemplo literal do Hip-hop em movimento, pois é uma estrutura itinerante. E ele me deu toda a planta de como ela opera. 


Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)

A Menó entende que não poderia ficar sem mandar alguém pra conversar com ele, e essa responsa ficou comigo.


"Começa com a ideia de uma van que é um estúdio de gravação. Na verdade, era um ônibus para a gente poder levar esse estúdio para vários lugares diferentes onde talvez as pessoas não tivessem acesso a um estúdio de gravação no local, né? Tem lugar que é mais difícil por N motivos, seja às vezes não ter luz elétrica direito, não ter internet, enfim, não ter grana. Essa foi a primeira ideia da Nave dos Crias. Ao invés de ter um lugar fixo, você poder circular e levar a pessoa até esse estúdio. E de forma democrática, popular, podendo atingir pessoas que já têm músicas há um tempo, pessoas que nunca fizeram uma música, artistas que já têm várias músicas, mas fizeram gravação só no celular, só vídeo. Oportunizar essas pessoas para que elas possam ter um trabalho profissional. A Nave não só grava, ela grava, mixa, masteriza e lança na plataforma. Então é... todo o projeto, né? Todo o processo. O cara só tem que mandar a letra para poder subir na plataforma e fazer o registro. E assinar ali as coisas que ele tem para fazer esse registro, as coisas burocráticas ali. Mas a Nave oferece todos esses serviços. Para quem for selecionado para gravar, já vai ver sua música na plataforma, no Spotify." 

Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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Escolas, bibliotecas e rodas culturais são apenas alguns dos alvos dessa ação pregadora do quinto elemento, o que faz total sentido da Nave ter esse nome. 


"A gente entende que existe, muitas vezes, no hip-hop, um choque de gerações, né? Geralmente, a galera que é mais antiga olha para a nova geração meio que com desconfiança. Muitos dizem que o que a nova geração faz não é hip-hop. E, por outro lado, a nova também olha para a galera mais antiga de uma maneira que isso é muito antiquado. “Isso não me representa, isso não é hip-hop, então eu não sou hip-hop com essas pessoas”. É isso que a gente percebe. E a gente precisava ter um nome que dialogasse tanto com a nova geração, que é Nave dos Crias, né? Nave, por ser na van, os crias e tudo mais e, ao mesmo tempo, ser um projeto que defenda a bandeira do hip-hop com os quatro elementos e com o conhecimento."

Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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"Então, Nave dos Crias tem essa situação de lidar com a juventude por conta dessa junção, né? Da tradição com a modernidade e de ser itinerante também. Então, a Nave vai nesse sentido. E Nave também remete a uma coisa moderna, a uma coisa do futuro, né? É você olhar o futuro. Então, tudo acaba casando. É isso. É dos Crias, é dos crias atuais, é dos crias mais antigos. E é quem remete à favela. E, ao mesmo tempo, remete à linguagem da periferia, da favela, da comunidade, do morro, do subúrbio, do bairro. Quem é cria sabe que é cria. Quem é criado é outra coisa. A gente vem desse lugar. Nós somos pessoas que tiveram parte da sua formação a partir da cultura hip-hop. Alguns têm até formação acadêmica, outros não têm, mas todos têm formação. O hip-hop formou essas pessoas. Então, a gente acredita nesse poder de formação da cultura hip-hop. É como se fosse um ensino superior mesmo. Quem tem uma trajetória na cultura hip-hop é como se tivesse um ensino superior."

Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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Não é só fomento da cultura e lazer, é um reflexo de como o entrevistado foi inserido no movimento, pois o mesmo foi influenciado por iniciativas desse porte. O Hip-hop forma personalidades e cria agentes.  


"Eu vou falar por mim e falar também um pouco pelas pessoas no projeto. É... Todos nós... Eu, por exemplo, sou cria do Jardim Catarina, São Gonçalo, sou cria do projeto chamado Geração na Trilha, sou cria da ASAC, foram movimentos muito importantes para o hip-hop na cidade. Hoje, a cidade de São Gonçalo é uma referência no hip-hop, seja no breaking, no graffiti, MCs, enfim, né? Produtores, vários também, que foram importantes para a cena nos últimos 10 anos. E isso não aconteceu à toa. Isso aconteceu porque, lá no final dos anos 90 e início dos anos 2000, houve uma semente plantada. E essa semente foram esses projetos, né? Geração na Trilha, ASAC, CLAM, né? Enfim, existiam muitos movimentos."

E como todo projeto que vem de uma parceria dessa magnitude, existe uma seleção para que se entre nesse circuito.


"A gente tenta equilibrar entre artistas muito iniciantes e artistas que já têm alguma experiência com o estúdio. Então, é a gente pegar artistas que estão já investindo um tempo na carreira, mas não têm oportunidade, e alguns que estão consagrados também... Mas a gente tem outras coisas. Como a ideia de que com isso o cara tem uma música para apresentar nos locais. Por exemplo, o cara vai concorrer: "ah, a música não bombou", ok. Mas ele vai, por exemplo, concorrer a um edital. Ele já tem o link da música dele para colocar lá no edital. Se quiser fazer um show, quiser apresentar para um SESC, para uma coisa assim, ele já tem o trabalho pronto executado na plataforma. Então, isso é muito importante. As pessoas muitas vezes não sabem esse passo. Então, a Nave já entrega isso. Mas além da van, a gente também entende que o hip-hop precisa de informação."

Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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"E o hip-hop não é só rap. Então, a gente leva as oficinas de MC para o cara que quer começar a dar os primeiros passos ali. Geralmente jovem DJ, né? Para você ter o movimento, você tem que ter o DJ. Para ter a roda cultural, você tem que ter o DJ, o grafite que, obviamente, é um elemento clássico do hip-hop, e o break, que hoje também virou esporte olímpico e tudo mais. Mas a gente não pode esquecer que ele faz parte da cultura hip-hop. Então, os quatro elementos da cultura. E a gente leva o conhecimento também. Em todas as que a gente fala a respeito de tudo isso. Está entranhado ali nas oficinas. Todas as pessoas que vão trabalhar, estão trabalhando como educadores têm isso entranhado no trabalho deles, e na forma como eles abordam, como falam sobre a cultura. Então, a gente também se preocupa com essa questão do hip-hop. Tem todo um acolhimento para o pessoal, né? É isso."

Conforme foi falado nessa conversa, eles tão prosseguindo uma parada absurda: uma seletiva de batalha dos MCs para que ocorra uma no final. Essa seria a Seletiva Extra.  


Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
"A gente vai ter uma batalha final. Um representante de cada território que a gente vai passar, que são 13 territórios. E, além disso, a gente vai fazer batalhas extras, né? Então, provavelmente essa batalha vai ser no centro do Rio, com um de cada território, mais esses três das batalhas grandes. E a gente sempre faz essa batalha seletiva antes da gente entrar em cada território. É mais ou menos assim que vai funcionar a Nave. Antes da gente entrar na Nave, o abre-alas é sempre essa batalha em parceria com a batalha local para selecionar os MCs para a grande final. A Nave dos Crias vai funcionar nesse modelo, nesse sistema. Está funcionando nesse modelo, nesse sistema. Como diria Marcelo D2, é a favela na internet."

Em determinado momento, questionei Klauder sobre os desafios pertinentes sobre fazer essa parada acontecer sem maiores imprevistos. Até porque “o independente depende de muita gente”, e ver isso, na prática, foi o que despertou minha curiosidade.


"Não é dificuldade, mas a parte mais trabalhosa é criar a relação com a comunidade em questão, a gente poder mobilizar, de fato, fazê-la abraçar o projeto. Eu acho que, assim, o grande lance é porque é uma coisa tão inacreditável que as pessoas não botam fé de início. Então, o projeto está começando agora. E a cada duas semanas a gente está numa comunidade diferente; essa articulação e mobilização é sempre a maior dificuldade. Por exemplo, para o estúdio, sendo a relação direta com os MCs, é uma coisa muito mais tranquila. Até porque, se você falar que tem um estúdio gratuito em qualquer lugar, vai ter milhões de pessoas interessadas e as pessoas vão se mobilizar para estar ali. A batalha é a mesma coisa. Agora, pensando como um todo, principalmente a parte de formação, eu, por exemplo, sou o que sou hoje, você me conhece, sou professor, faço doutorado, eu não faria isso se eu não tivesse passado pela cultura hip-hop. E eu tenho essa defesa da cultura hip-hop. Por quê? Porque a gente passou por um processo de formação, que era uma cultura do hip-hop dos anos 90, com as posses e tudo mais. As pessoas faziam oficinas, o hip-hop ia nas escolas, tinha essa questão. Agora não, está numa visão de “eu vou cantar o trap aqui, eu já vou ganhar um dinheiro aqui, já vou virar influencer e vou resolver minha vida”. E não é assim. Não é assim que funciona." 

Nessa mesma resposta, uma coisa ele aponta sobre a situação da cultura ser pós-moderna, que exige uma espécie de retorno quase instantâneo, não permitindo que as pessoas se desenvolvam a longo prazo.  


"As pessoas querem ganho imediato, elas não querem investir. Então, essa questão da mobilização no território e da construção de público, esse é o nosso grande desafio. Eu já sabia disso desde o início. Não é fácil construir. As crianças não vão nem para a escola direito, não gostam nem de estar na escola. Imagina para estar numa turma de qualquer outra coisa. Então, essa é a grande dificuldade. Mas, ainda bem que a gente tem uma equipe muito legal, bacana, e estamos muito empenhados e muito atentos com isso."

Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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Se não fossem as batalhas, o processo seria mais árduo. De acordo com Klauder, são elas que conseguem trazer a molecada pra imergir no mundo do Hip-hop.


"A batalha é a porta de entrada. Então, a gente sempre está articulando com as batalhas locais. Nos locais também tem gente local fazendo essa articulação. Em cada local vai ter gente ali para fazer esse trabalho de relação inicial com o território e consolidação dessa relação. É importante a gente ter gente nos locais. E a gente tem isso no projeto. E aí o restante é a mobilização, é a rede social. A gente está, por exemplo, a gente está em carros de som, nós estamos nas rádios, vamos estar nas redes sociais, estamos nos cartazes também. Eu acredito muito nessa mobilização de rua, que não é uma... Não é uma mobilização do algoritmo somente, a gente não depende do algoritmo, né? Eu acho que essa mobilização corpo a corpo nas escolas, nos territórios, é muito importante. E depois dos streamings, eu falo do rap, mas e das redes sociais, do Instagram, do Pinterest, no caso do grafite, a gente perdeu muito essa situação do flyer, né? Da divulgação no flyer, corpo a corpo, cartaz, tudo... Só que aí a gente depende do algoritmo. Então eu acredito na mobilização da internet, nessa mobilização corpo a corpo, está sendo feita a todo momento."

Nem todo sofrimento é eterno. E não seria diferente quando você vê uma galera que quer viver disso, e falar pelo Hip-hop. Assim como eu, o entrevistado me descreve essa sensação de vitória durante esse processo de inserção.


Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)


Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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"Nosso recorte de faixa etária é o da juventude, entre 16 e 29 anos. Esse é o nosso objetivo. Obviamente, se chegar uma pessoa com mais de 29 anos, a gente também vai aceitar. E, um pouco menos de 16, desde que tenha a autorização dos pais certinho, a autorização da imagem, direitinho, a gente também aceita que o pai converse com a gente. Mas a prioridade é atender a faixa da juventude, entre 16 e 29 anos. Porque você aprende uma série de linguagens, uma série de habilidades, competências e sensibilidades que vão te levar para esse lugar, que vão te transformar num educador, que vão te formar numa pessoa que sabe conversar, que influencia positivamente a sua comunidade, as pessoas que estão ao seu redor. Esse é o poder de transformação e é essa satisfação que a gente traz. Quando a gente vê um jovem ali, um menino de 15, 16, 17 anos, mexendo numa controladora ali no equipamento de DJ, ou tentando dar os primeiros passos no break, pegando o microfone de maneira correta para melhorar o desempenho na batalha, que às vezes ele já batalha, essa é a satisfação. A gente vê o cara gravando a primeira música no estúdio com microfone condensador, sabe, num beat próprio, que antigamente era difícil também de conseguir um beat, essa é a satisfação. A gente abriu o caminho mesmo. E com o fundamento, sem perder o fundamento."
Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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Sinceramente, fiquei bem empolgado em manter a conversa com ele. Porém, ele estava a caminho de mais um capítulo dessa jornada, e eu não podia ficar travando ele. Nem ele, nem a equipe. 


Então, Klauder mostrou a importância de ter a Nave rodando pela região metropolitana. 


"É mostrar para esses territórios que o Rio de Janeiro, a cultura periférica, ela pode abrir a política pública. E a política pública financia, entendeu? É isso. E tem uma situação que a assessoria de imprensa está aqui, está me acompanhando, pode falar isso. A ideia também é deixar o grande legado. Acho que o próximo passo, acho que o passo de todos, é o seguinte: duas coisas. O hip hop pode ser política pública, mostrar isso para o território, que se a gente faz a coisa de forma organizada, com fundamento, com método, a gente consegue transformar as práticas do hip hop em política pública, em coisa que pode acontecer e ficar por legado. Como a gente vê, por exemplo, no Rio Grande do Sul, lá com o Museu do Hip Hop, tem uma série de atividades. Em São Paulo, como o hip hop está na agenda da Virada Cultural, as Casas do Hip-Hop, que é algo que vem desde os anos 90,  e agora você tem é município de São Paulo, porque existe uma luta, existe uma organização."
Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
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Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
Foto por Edu Miranda (@edumirandaedit)
"E que a gente no Rio de Janeiro está muito atrás, e a gente tem uma contribuição, o Rio de Janeiro tem uma contribuição para o hip hop muito grande, em todos os elementos. Esse é o passo. É a gente colocar o hip hop na agenda pública, provar por A mais B que a oficina de MC pode melhorar a escrita do moleque na escola, pode melhorar o comportamento social. Os elementos do hip hop por si só, têm competências, habilidades ali, se a gente pensar em educação, como o breaking mexe com a corporalidade, com a expressão, vai pegar um moleque tímido, ele vai aprender a se expressar melhor com o corpo; com o desenho, você se expressar artisticamente, na arte plástica, no desenho, sabe? Então o hip hop tem tudo. E a cultura salva, salva do tráfico, salva da porra toda. Ao invés de ficar na esquina ali, fazendo uma, fazendo um ganho ali, no meio da galera, o moleque vai ficar em casa, treinando freestyle para participar da batalha, ou desenhando, ou dançando, ou na própria oficina, né? No dia que ele tiver a oficina, ele vai estar na oficina. Então a ideia é deixar esse legado, essa marca mesmo, assim, de cara, precisamos de mais projetos como esse, precisamos dar atenção para essa cultura, porque ela é completa. Ela trabalha todas as dimensões humanas." 

Ele disse pra apenas chegar na página do Instagram e acessar o link na bio e, assim, escolher o que se quer fazer.

"Siga as nossas redes sociais, né? Primeiramente, o Instagram, @navedoscrias. Acompanhe. Se a gente está chegando no seu território ou se a gente não estiver, a gente vai estar no território vizinho. Você que mora na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: a gente vai chegar em algum lugar mais ou menos perto da sua casa. Então, fique ligado. A Nave dos Crias está chegando. Acreditem no potencial de vocês, na formação. Acreditem que o hip hop tem o poder de transformação do caráter, da autoestima, da valorização da sua área também. É importante você representar a sua área. Um MC sem a sua área não é nada. Um grafiteiro, DJ, B-boy, sem a sua área não é nada. E precisamos de mais projetos como esse. Quem quer trabalhar, vai trabalhar. Quem quiser fazer, vai fazer. Vai ter oportunidade. E a Nave dos Crias está aí para mostrar isso."

Não tenho como dizer outra coisa aqui. A felicidade e a gratidão são imensas, e fico honrado em fazer um registro sobre tudo isso que a Nave faz. Até a próxima.  


 
 
 
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I. O último passo do Nômade

por Pivete


Há artistas que fazem música. 

E há os que fazem memória.

 Natö é um desses.


Desde a primeira vez que escrevi sobre seu trabalho, lá em 2022, já dava pra sentir que o “Nômade” seria mais do que um disco. Era um projeto de vida, um início de caminhada, um espelho do que é existir entre o corre e o sonho. Três anos depois, o ciclo se fecha com o “Nômade, Pt.3 ” – e o que fica é as pegadas de toda essa correria.


Quando  Natö me contou que o "Nômade" era pra ser apenas um disco, eu entendi o tamanho do desvio que a vida provoca. 


“Comecei a fazer as guias em 2016. Queria um albúm com dez faixas e não tava conseguindo fazer nenhuma”, ele lembrou. Lembrança de quem sobreviveu às pausas, às travas e à falta de estrutura, e transformou isso em três álbuns que transcendem o tempo. 

O “Nômade” não nasceu de um estúdio com ar-condicionado na Zona Sul. Nasceu no calor da Baixada, entre trens, salas de aula e madrugadas de trabalho. É uma trilogia feita de realidades – das dificuldades de um artista independente, da rotina de um professor, das contradições de quem cria no limite.


Mas o que torna o "Nômade" tão poderoso é que ele não se resigna.  Natö não faz música pra reclamar da vida, faz para (re)existir dentro dela.


“O "Nômade" é sobre estar em movimento. Sobre a busca constante. É o trânsito entre o que a gente vive e o que a gente sonha.”

E talvez por isso o “Nômade, Pt.3” soe como um fim de ciclo. É o fechamento de um tempo e o início de outro. Se no primeiro EP havia a urgência do começo, e no segundo a resistência da caminhada, o terceiro traz a serenidade de quem entende o próprio ritmo.


Não é o som de quem chega. 

É o som de quem continua.


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O “Nômade” amadureceu junto com  Natö. O menino que começou a compor aos 16 anos virou um artista que olha pra trás sem culpa do tempo que demorou. Ele sabe que o intervalo também é criação. E é por isso que o “Nômade, Pt.3”  tem essa textura de conclusão: olhar para trás e ver todos os caminhos que já passou.


Há algo de ritual em fechar uma trilogia.  Natö sabe disso. A cada faixa, há um aceno ao passado, mas também uma abertura pro que vem. É o tipo de fim que não pesa – repousa.


“O "Nômade" me ensinou a respeitar o tempo. Aprendi que a arte acontece quando a vida deixa”, ele disse.

O "Nômade", Pt.3 é, no fundo, sobre permanência. 

Sobre a coragem de existir num país que não valoriza a arte, 

e ainda assim continuar produzindo 

com beleza, 

com verdade, 

com fé.


É o reflexo de uma geração que aprendeu a criar no improviso e fazer do pouco um tudo.


O último passo do “Nômade” não é um ponto final.

É um retorno ao ponto de partida – só que com mais luz.


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II. O tempo das coisas


Ninguém nasce pronto. Nem o som. Nem o artista.

O "Nômade" é a prova viva disso – uma trilogia que se fez aos poucos, entre falhas, esperas e recomeços.


 Natö começou a compor com 16 anos, cheio de urgência e sem estrutura. Queria gravar, mas a vida vinha primeiro. “Comecei as guias em 2016. Eu queria fazer um disco de dez músicas e não conseguia fazer nenhuma”, ele me contou, sempre de olho nas pegadas dessa longa caminhada.

Esse início diz muito sobre o que é o “Nômade”: um projeto que nunca se apressou pra existir, que entendeu o tempo como parte da criação.


O primeiro “Nômade” nasceu com o fogo de quem descobre o próprio talento. Era voraz, direto, cheio de vida.


Mas o tempo passou – e o segundo trouxe o peso do cotidiano. O som amadureceu. O discurso também.  Natö virou professor, mergulhou em novas leituras, viveu outras dores. A trilogia cresceu com ele, e é justamente isso que a torna tão real.


“Eu comecei o Nômade com 16 e agora tenho mais de dez anos de caminhada. Hoje eu entendo o que eu quis dizer lá atrás.”

Essa frase poderia ser um verso. Porque ela carrega o que existe de mais bonito no processo artístico: a memória.


Entre um EP e outro, o  Natö descobriu que a arte é um corpo em movimento. Que criar é um ato de sobrevivência, mas também de escuta. Que a pressa cobra caro e o tempo devolve o que é sincero.


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Ele aprendeu a aceitar as pausas, os dias em que nada sai, os meses em que a vida engole o desejo.


 “O processo é atravessado pela vida. Às vezes eu quero criar, mas tô cansado. Outras vezes não quero, e vem. Eu aprendi a respeitar isso.”

A trilogia toda é sobre esse respeito – com o tempo, com o próprio corpo, com a jornada.

O “Nômade” se fez em movimento, mas não como quem foge, e sim como quem procura. É o retrato de um artista que, entre o corre e o cansaço, constrói um pensamento.


O “Nômade” amadureceu sem perder a rua, e  Natö amadureceu sem perder o sonho.

Hoje, dá pra ouvir nas batidas e nas letras o reflexo desse tempo: a consciência que vem do trabalho, o olhar de quem ensina e aprende ao mesmo tempo, o tom sereno de quem entende que viver é tão parte da arte quanto compor.


A trilogia é também sobre persistência. Sobre os anos em que a arte foi feita de madrugada, depois do expediente, com o corpo cansado e o espírito em brasa. Sobre o artista que seguiu mesmo sem saber se alguém estava ouvindo.


O tempo ensinou  Natö a transformar a ausência em estética.

As pausas entre um disco e outro deixaram marcas que hoje soam como ritmo.

E é assim que o “Nômade, Pt.3” chega: não como fim, mas como maturidade.


O  Natö que lança o último capítulo é o mesmo de 2016.Ele entendeu o tempo das coisas. 


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III. Sete dias até o sol nascer


O Nômade, Pt.3 chegou.Já não é promessa, nem ansiedade de pré-lançamento. É realidade: o álbum tá no ar, circulando, entrando nos fones, atravessando a madrugada de quem viveu essa trilha junto com  Natö.


O show, esse sim, ainda tá chegando – dia 21.Uma semana depois.Sete dias de diferença – sete anos de travessia.


Pra quem acompanha  Natö desde o primeiro disco, esse intervalo não é comum. Ele tem a densidade de um ciclo que se encerra com cuidado, com entendimento, com fé. O fim da trilogia não tem gosto de fim, tem gosto de devolução.


“O show não é uma despedida, é um agradecimento”, ele me disse. “É onde eu posso olhar pra trás e entender o que vivi. O Nômade me fez enxergar o tempo de outro jeito – não mais como cobrança, mas como parte do som.”

E agora, com o terceiro capítulo no mundo, essa frase faz ainda mais sentido.O Nômade nunca foi sobre pressa ou chegada. Sempre foi sobre o caminho: sobre andar mesmo sem saber direito pra onde, sobre criar sem estrutura, com fé, com os pés fincados na Baixada e o olhar no horizonte.


O Nômade 3 confirma isso.É leve onde antes era urgência. É profundo onde antes era resistência.


É  Natö mais ciente da própria voz, do próprio tempo, do próprio ritmo.


“É sobre continuar mesmo quando nada parece andar. O fim dessa trilogia é só mais um movimento”, ele me disse.

E é exatamente isso que o álbum mostra: um artista amadurecido, entendendo que o tempo faz parte da obra.


Mas o capítulo final da trilogia não termina no streaming.

Ele termina no corpo.

E isso acontece no Teatro Firjan SESI Caxias, no dia 21,

quando O Fim do Nômade subir ao palco.

O show é rito, museu, memória.


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Logo na entrada, o público vai atravessar o “Museu do Nômade”, uma instalação que expõe a caminhada de 2020 a 2025: músicas, fotos, vídeos, prêmios, recortes de imprensa, personagens de Duque de Caxias e da Baixada – tudo que sustentou o chão onde esse disco pisa.

Antes do palco, vem a rua: o hall vira baile com o Armazém Bota Som, guiado por Leandro 100% Vinil, um dos nomes que seguraram a tradição da Soul+Caxias. É a Baixada entrando no teatro pela porta da frente.


E quando as luzes apagarem,  Natö e banda assumem o centro.Uma comunhão de tempo e território. Clá Gouveia nos vocais, Gods na guitarra, Fijó no teclado, Tuco no sax, R. Nave no toca-discos. E convidados como Felipe Vaz, Movimento da Roda, Rojão, Jxão e Prado – nomes da Baixada que fazem do show um encontro de gerações e afetos.


“O palco é onde tudo se encontra”, ele me contou. “É onde o pessoal, o político e o poético se abraçam. Onde eu posso devolver o que o tempo me deu.”

Devolver.

Essa palavra é o coração da trilogia.



O Nômade devolve tempo, fé e chão.

Devolve história pra quem viveu junto, pra quem ouviu lá atrás, pra quem viu o corre virar obra.

O show do dia 21 é o fechamento e o recomeço –

o ponto onde o tempo se dobra e o sol nasce de novo.


Natö não teme o fim porque entende que o fim também é caminho.

Por isso diz: “Não tem fim, pivete. Tem movimento.”


No dia 21, o sol vai nascer diferente –e o Nômade vai descansar um pouco, sabendo que cumpriu seu destino: atravessar.



 
 
 
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