Carnaval: Disputemos as Ruas.
- Ὁ Κόραξ
- há 6 horas
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As origens da festividade são incertas, há várias versões, mas este texto não se debruçará sobre esta questão.
O Carnaval é efêmero. Na Rua Enfoliada As cores e a vida explodindo
E nessa festa que começa tão rápido quanto acaba, que é um marco em nosso calendário, que parte dos trabalhadores podem extravasar.
É o momento da subversão, é o momento da perda de si rumo ao reencontro, é o momento da catarsis social.
A extravagância nos é cara. Abracemos o Khaos da realidade, permitamos que Dionísio nos agracie.
Bate-Bolas e Blocos, Desfiles e Fantasias, Música e Folia. Uma crono-quebra no cotidiano.
O tempo de fato parece turbilhonar-se neste período. Passado, presente e futuro se encontram. A tradição de Blocos, Escolas e outras práticas se renova e reinventa todo ano com novas tendências e projeta um futuro. Marca o Imaginário.
Pode-se até pensar que Carnaval-Presente, Carnaval-Futuro e Carnaval-Passado não são conceitos palpáveis uma vez que tudo se interconecta e o que antes parecia linear se mostra como uma colcha de retalhos magistral.
Ao dia ou à noite, para crianças e idosos, solteiros e casados (… talvez não), o Carnaval é para todos. Da Baixada ao Centro, da Zona Oeste à Niterói, haverá uma folia adequada para seu gosto.
Para os antissociais, há vantagens infindáveis, um feriado prolongado para retirar-se da cidade ou se recluir em casa, todos experienciam a festividade de alguma forma, aderindo-a ou não.
Mas um mau agouro eu trago.
Não é preciso um olhar atento para perceber que, ano após ano, as disputas políticas acontecem sobre a festividade carnavalesca. Financiamentos de blocos e desfiles são cortados, folias são proibidas por prefeitos em diversas cidades, a violência estatal é levada aos foliões, catadores e camelôs, figuras político-teocráticas bradam e condenam a diversão do povo e o próprio espaço do carnaval se elitiza e gentrifica com abadás caros, ingressos exorbitantes, camarotes, etc.
Nada é neutro, nem mesmo as Ruas e as Festas. Elas são pontos de disputa, pontos de lucro, pontos de política. Atacar o carnaval em detrimento de Igrejas gera tanto ou até mais lucro que a própria festa.
Isso posto, há de nos organizarmos para Ocuparmos as Ruas e Disputarmos as Festividades.
Que participemos das organizações de blocos, que pressionemos secretários, prefeitos, legisladores e governantes, que integremos as escolas de samba de todos os grupos, que somemos às turmas de bate-bolas, que articulemos os movimentos populares.
Dentro dos vários setores da sociedade faz-se necessário disputar, o setor cultural não seria diferente. Não nos esqueçamos que para além de uma festa para trabalhadores, é uma festa que também é feita por trabalhadores dos mais diversos ramos, catadores, cantores, costureiras, garis, motoristas, produtores, DJs, hoteleiros, ambulantes, e tantos outros mais.
Disputar e Ocupar o Carnaval contra seus detratores e higienizadores é mais do que um mero tensionamento cultural, é pensar nas condições e nos direitos do trabalhador.
Caso nada seja feito, mais uma festa popular sucumbirá ao neocolonialismo.
Trago ainda uma breve nota mnemônica. O regime de chuvas afeta consideravelmente o Rio, sobretudo a Baixada. Não nos esqueçamos que para além das festas, devemos sempre cobrar as autoridades por melhorias urbanas voltadas aos nossos.
Este Parlamento Crocita estas palavras e Crocitará quantas vezes forem necessárias para defender os direitos das periferias. Lutemos.
Ὁ Κόραξ
(Leia-se [hó] [kó.raks], Hô Kôrax)









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