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VALEU NATALINA

  • Foto do escritor: 2N
    2N
  • 29 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura
Ahhh… O Natal, esta época do ano tão marcante no “Ocidente” com todos os seus elementos: os gorros, a neve, os pinheiros, os biscoitos típicos, o papai noel escravizando elfos, jingle bells, tudo o que não se vê pela região intertropical e calorenta do globo terrestre.

Com a colonização, o softpower e o capitalismo esses elementos penetram nas nossas práticas culturais e nos moldam, no entanto, não somos passivos nesse processo, nós nos apropriamos dessa “tradição” (inventada no final do século XIX) e a ressignificamos e a reculturalizamos.


Os memes que são descongelados somente nessa festividade voltam serem apropriados e alterados.


Estamos na era do Remix; afinal, todo símbolo cultural é passível de ser realocado, montado, colado, adaptado, remixado com um uma facilidade ímpar.


O que Poze, Mc Jéssica do Escadão, Meninas dançando Créu, Mariah Carey, Frozen Fiction, Diogo Defante, Gravezaum Stronda, Pabllo Vittar e Mc Teteu têm em comum? Numa rápida olhada, nada. Mas ao apurar-se com mais rigor, nota-se como eles despontam o fenômeno natalino.

A começar com nossa diva icônica, Mariah Carey, que ressurge com sua música "All I Want for Christmas is You". Esse single é quase completamente descartado por aqui e ficamos apenas com seu climax loopado e sendo constantemente transformado.


Quando observamos o país Rio de Janeiro, notamos como esse marco icônico da cultura pop é apropriado e reculturalizado. Um vídeo antigo com qualidade duvidosa de meninas dançando Créu se transforma em um meme sazonal com sua versão natalina de Mariah Carey. Nada mais que um palimpsesto, o vídeo original tem seu áudio raspado para ser sobreposto com outro.



Seguindo com a influência de nossa diva, temos Mc Poze cantando um cover de All I Want for Christmas is You. Há de se notar que isso foi feito por IA, mas a pedidos de alguém que teve a brilhante ideia de associar o funkeiro/trapper com o pop numa fabricação de um novo imaginário natalino.


"Jingle Bells", essa expressão em inglês que ninguém sabe exatamente o que significa, mas que aparece em dezenas de músicas natalinas é apropriada por aqui. Podemos começar com a Pabllo Vittar protagonizando o meme que só é lembrado nessas festividades.


Trazendo pro funk carioca, temos a Mc Jéssica do Escadão, autora da linda melodia matinal Hoje o "Dia tá Lindo, Bom Dia, com seu single Dingo Bell" que traz um funk putaria mobilizando a festividade e o gênero musical.


E por falar em putaria, como esquecer o Mc Teteu com o seu Jingle Bell icônico que marca as festas há anos?


O imaginário natalino das periferias do país começa a ser pautado por remixes, palimpsestos, paródias, releituras e com presentes para todos os gostos. A demonstração suprema da remixagem que forma nosso imaginário dessa festividade é a versão funk sampleada da melodia de jingle bells do Gravezaum Stronda 2k23 que rende muitos vídeos de passinho e é trilha de muitos reels e vídeos curtos pela internet.



E sem esquecer do símbolo principal do natal, o Papai Noel, trago o episódio de natal de Frozen Fiction. Nele, Papai Noel sofre um acidente em seu trenó e cai na quebrada de Frozen Lerigou que se vê obrigada a ajudá-lo a entregar seus presentes e salvar o Natal. Eles passam por vários lugares, são enquadrados, passam altas aventuras, enquanto o trenó está no concerto. Um ícone máximo da apropriação cultural.



O natal, por mais que surja num contexto específico, é engendrado pela colonização, ele é também tomado e transformado, sendo ressignificado e adaptado. Pra finalizar, relembro o meme atemporal.



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