Nós Ainda Tá Aqui: 6 Anos de sobrevivência da Revista Menó
- Pivete

- há 2 dias
- 3 min de leitura

A Revista Menó sempre foi um lugar para além das minhas altas cargas de trabalho.
Seja na pesquisa acadêmica ou no magistério, ela sempre foi uma forma de me expressar sem compromisso com pares, orientações ou regras acadêmicas. Quando ela foi criada, em 2020, nós só queria escrever para os nossos, falar de uns bagulhos que ninguém falava, talvez chegar a ser lido por amigos e parentes.
Na época, eu ainda morava na Baixada Fluminense. Lembro vividamente das vezes em que pensei em desistir de construir a revista. Faltava dinheiro, tempo, incentivo e saúde mental. Mas, sempre que eu postava algo, sempre que conseguia me expressar para além dos trabalhos acadêmicos e dos surtos, eu sabia que aquilo ali me salvava.
E talvez fosse justamente isso que me salvaria de toda a trajetória de exploração física e intelectual à qual fui submetido a vida inteira para conseguir o básico.
Eu tive a sorte de ter como parceiro de jornada um amigo que também era meu supervisor em uma bolsa na universidade. Quando ele percebeu que já não tinha mais tempo para aquela aventura e que a nossa criação tinha me puxado muito mais, deixou esse bebezão comigo. E, até hoje, eu cuido dele como se fosse um filho. Antes disso, porém, ele me ensinou muito, e tudo o que eu sei hoje - e o que a revista se tornou - também é fruto daqueles aprendizados.
De lá para cá, muita coisa aconteceu. Eu nunca ganhei nada financeiramente com isso, na verdade, perco dinheiro anualmente. Mas ganhei um espaço que me permite ampliar o impacto de projetos e pessoas que respeito e admiro. Consegui entrevistar artistas que acompanho há anos, escrever sobre minhas subjetividades, incentivar outros como eu a escreverem e ser reconhecido pelo trampo que, na marra, construímos ao longo de 6 anos.
São tantas pessoas que conheci por causa da Revista Menó, tantas que hoje fazem parte da minha vida ou que sabem quem eu sou por conta dela, que eu realmente não tenho do que reclamar.
Sou muito grato por tudo o que ela me proporcionou e ainda proporciona. Por isso, eu sempre digo: ela nunca vai acabar. Às vezes vamos precisar dar um tempo, respirar, reorganizar as coisas, mas acabar jamais. Só se eu não estiver mais aqui para fazer.
Esse ano começamos com tudo: parcerias como a do Quem Sou Eu e do Bxd In Cena, entrevistas com artistas emergentes, textos de escritores incríveis mostrando a força das margens, a volta dos Reels, a reformulação do site e até o reconhecimento enquanto espaço de história pública. Mas, como todo mundo sabe, nada disso muda o fato de que ainda somos escravos do capital e que nossa força de trabalho continua sendo uma das únicas coisas que podemos vender em busca da sobrevivência.
E foi isso que aconteceu. Eu aceitei trabalhar mais para conseguir investir mais na Revista, mesmo que isso faça as produções diminuírem. Hoje, a Revista é basicamente movida por mim fazendo arte, editando texto, mexendo no site, editando vídeo, cuidando de SEO, social media e todos os crlhs possíveis. Com a ajuda do Pedro, que soma na organização da Revista e como editor responsável da publicação. Dois caras pobres, negros, atolados de coisa, tentando conquistar um mínimo de estabilidade financeira numa terra que floresceu triturando gente igual a gente.
Isso significa que vai ter menos postagem, sim. Que a gente precisou parar um pouco para pensar em novas formas de continuar fazendo isso sem prejudicar nosso ganha-pão. Porque ser um espaço marginal exige muito mais do que marginalidade.
E esse texto também serve como um pedido de desculpas para todo mundo que enviou texto, que foi entrevistado por mim ou por outros escritores e ainda não viu o resultado dessas produções na rua.
A gente nunca faz sem querer entregar. Pelo contrário, a cobrança aqui é pesada. Mas tá difícil pra caralho conciliar tudo. Só que vai sair, porque sempre sai. Cedo ou tarde.
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