Dário Inerente: os atabaques são clarins de guerra e o direito de existir no próprio território
Entre as ruas de Itabuna, as praias de Ilhéus, a literatura de Jorge Amado e a musicalidade do rap, Dário Inerente constrói um disco que reivindica o sul da Bahia como lugar de produção cultural, memória e identidade. Em conversa com Pivete, da Revista Menó, o artista fala sobre regionalismo, colonialismo, religiosidade, autonomia criativa e a necessidade de conquistar o direito de festejar sem abandonar suas origens.

Existe uma mania muito brasileira de reconhecer a produção cultural periférica somente depois que ela atravessa determinadas fronteiras.
Parece que o artista precisa sair de onde nasceu, conquistar algum reconhecimento nas capitais e, quem sabe, receber a validação do eixo Rio e São Paulo para que sua produção passe a ser considerada relevante. Quando falamos do Nordeste, essa lógica ganha outras camadas.
A Bahia, por exemplo, frequentemente é resumida a Salvador, enquanto as inúmeras identidades que constituem o estado acabam espremidas dentro de uma representação cultural que pouco traduz a complexidade de seus territórios.
É justamente contra essa ideia de que precisamos ser outra coisa para sermos reconhecidos que Dário Inerente constrói sua obra.
Nascido e criado em Itabuna, no sul da Bahia, o rapper, compositor e produtor musical lançou, no último dia 25 de setembro, Os Atabaques São Clarins de Guerra, pelo selo Sujoground.

Com nove faixas e pouco mais de 22 minutos, o trabalho dá continuidade à narrativa iniciada em Bloco na Rua, lançado em agosto de 2025. O disco reúne boom bap, samples brasileiros, percussão, referências literárias e manifestações religiosas afro-brasileiras, construindo aquilo que Dário compreende como um retrato musical do lugar onde vive.
Durante a conversa com a Revista Menó, o artista explicou que sua relação com a música começou muito antes dos primeiros lançamentos. Ainda criança, escutava rap na vizinhança, mas foi através das primas, que ouviam DMN e Emicida, que começou a prestar atenção nas rimas e nas possibilidades daquela sonoridade. Posteriormente, o skate transformou esse interesse em identificação cultural. Dário recorda especialmente um vídeo da DC, de 2003, em que um skatista aparece andando ao som de Full Clip, do Gang Starr. A música, as roupas largas e toda aquela estética provocaram uma identificação imediata.
A partir dali, o skate também passou a representar uma possibilidade de conhecer a cidade. Foi através dele que começou a frequentar batalhas de rima, circular pelo centro e experimentar situações que posteriormente se transformariam em matéria para suas composições.
Entre abordagens policiais, amizades, conflitos e encontros inesperados, encontrou na rua um espaço de formação que ultrapassa a prática esportiva.
"Eu comecei a ter essa vivência do rap mesmo. E fora a vivência de ter algo a dizer também, porque, apesar de ver algumas situações no meu bairro, o skate me deu essa vivência de ter o que falar nos raps para além do que eu via no meu bairro também. Estar no centro, ver coisas ali, situações de truculência policial também. Eu e meus amigos passamos por várias situações desse tipo. [...] Foi o momento que eu experimentei a vida mesmo."
Sua formação artística também foi atravessada pelas referências familiares. A mãe, professora e poeta, incentivava a leitura desde cedo. O pai desenhava e produzia histórias em quadrinhos. Apesar desse contato com a arte, Dário não apresenta sua relação com o rap como um talento extraordinário recebido de presente.
Fala sobre exercício, pesquisa e dedicação. Começou a escrever versos no caderno, participar das batalhas, garimpar referências e, posteriormente, produzir os próprios instrumentais.

Essa caminhada resultou em Bloco na Rua, primeiro disco de uma trilogia que pretende desenvolver. O trabalho reuniu produções próprias e contribuições de parceiros como Barba Negra e Pedroso, consolidando uma sonoridade mais crua, marcada pela urgência de colocar sua música no mundo.
Já Os Atabaques São Clarins de Guerra apresenta outro momento de criação, com maior experimentação musical, participação de outros artistas e uma preocupação mais evidente em transformar o cotidiano do sul baiano em experiência sonora.
"Esse álbum eu já busquei uma coisa mais musical, talvez. Já fiz mais dobras, já chamei, por exemplo, o Ricô, do O Quadro, na faixa dois. Então deu uma musicalidade, aquela coisa meio caribenha, o sample, ele entrou cantando ali. Eu acho que é um projeto que tem um pouco mais de balanço. Fiz músicas pensando nesse carinho de ser música mesmo, sabe? Não de ser necessariamente um manifesto, como eu acho que o Bloco na Rua é. [...] Eu acho que o Dário ainda é o mesmo, é a mesma construção do que eu quero fazer, porque eu quero fazer três discos nessa narrativa. Um disco só não é suficiente para falar desse território."
É nesse movimento que a literatura de Jorge Amado aparece como uma referência fundamental.
O título do álbum foi retirado de uma passagem do penúltimo capítulo de Capitães da Areia, obra que permaneceu na memória de Dário e encontrou sentido naquilo que pretendia desenvolver musicalmente. A relação ultrapassa a literatura. Jorge Amado nasceu em Ferradas, distrito de Itabuna, e sua trajetória carrega referências profundamente relacionadas à região cacaueira.
A capa do álbum, fotografada por Augusto Santos, foi realizada no centro histórico de Ilhéus, nas proximidades da Catedral de São Sebastião. A imagem reúne algumas das contradições que atravessam o projeto. De um lado, a arquitetura colonial e suas permanências na paisagem.
Do outro, um jovem artista que recupera os atabaques, a religiosidade afro-brasileira e a literatura para construir uma narrativa sobre sua própria existência naquele território.
Dário explica que sua intenção era desenvolver um projeto visual e sonoro que funcionasse como uma espécie de caravana, um bloco carnavalesco atravessando a cidade, com tambores anunciando uma movimentação coletiva.
"A minha visão desse álbum é como se fosse uma caravana, um bloco de carnaval. E todo mundo ali tocando percussão, tocando música e armado, sabe? Como se fosse uma guerrilha urbana, nesse sentido. É como os clarins de guerra, fazendo sons para o exército, cantando a música de uma nação. Mas, nesse caso, os clarins de guerra são os atabaques, são os tambores, a percussão baiana."

A construção dessa imagem ajuda a compreender uma das questões centrais do disco. A festa não aparece como algo separado das disputas cotidianas por direitos. Pelo contrário, Dário procura relacionar a celebração popular à necessidade de conquistar acesso à cultura, ao esporte, à saúde, ao lazer e às oportunidades que deveriam fazer parte da vida de qualquer pessoa. Sua proposta é apresentar a festa da luta e a luta pelo direito de festejar.
Essa reflexão ganha uma dimensão ainda mais importante quando o artista comenta sobre as dificuldades de produzir cultura na região.
Ao falar sobre o processo de criação do álbum, Dário relaciona sua busca por identidade às permanências do colonialismo, à concentração de recursos e à falta de incentivo para artistas locais.
"A gente vive num território refém pra caralho do colonialismo ainda, sabe? A gente não vê acesso, a gente não vê grana, a gente não vê incentivo à cultura. É um pouco desse grito, de querer ter algo a dizer mesmo, de botar pra fora esse sentimento de, tipo, olha, a gente está aqui, velho. A gente tem tudo, sabe? Mas, ao mesmo tempo, não tem nada. A gente precisa botar nosso trabalho na rua, precisa botar nosso bloco na rua, precisa lutar por esse acesso."
Durante a conversa, o rapper também questionou a maneira como a memória cultural da região é tratada pelo próprio poder público. Mencionou espaços relacionados à trajetória de Jorge Amado que, segundo ele, enfrentam problemas de conservação e funcionamento, enquanto grandes eventos recebem investimentos expressivos.
A crítica aparece associada à necessidade de reconhecer que a produção cultural não se resume ao patrimônio histórico ou às manifestações tradicionalmente reconhecidas. Existem artistas contemporâneos desenvolvendo trabalhos que também fazem parte da memória do território.
"Todo mundo conhece o Jorge Amado, mas ninguém conhece Itabuna, tá ligado? Ninguém conhece Ilhéus direito. [...] Parece que fica no limbo da existência da Bahia, fica num lugar que as pessoas não falam, não conhecem. E até por parte do poder público também. Então também é, de certa forma, uma afronta. Eu não tenho dinheiro, mano, eu tô fazendo. Vou honrar, vou levantar essa bandeira."
Existe uma contradição bastante conhecida nessa relação entre cultura e território. O Brasil gosta de consumir as referências culturais produzidas nas margens, mas nem sempre demonstra o mesmo interesse pelas condições de vida das pessoas responsáveis por construí-las.
Reconhecer a importância de Jorge Amado enquanto a produção artística contemporânea da região enfrenta dificuldades para circular revela como a preservação da memória também precisa considerar quem continua produzindo cultura.
Essa discussão aparece especialmente quando Dário reivindica sua identidade sul baiana. Depois de lançar Bloco na Rua, começou a receber mensagens de pessoas que gostavam de sua música e diziam que entrariam em contato quando estivessem em Salvador. O problema é que ele mora em Itabuna. A situação parece pequena, mas revela uma tendência recorrente de representar a Bahia exclusivamente através de sua capital.
"Eu sentia essa necessidade de fazer um projeto que fosse regionalista na sua essência. [...] O regionalismo é quase que universal, porque quando você faz uma coisa que é tão verdadeira, que é daquele lugar específico, ela se torna universal para todo mundo. Então eu queria fazer algo que fosse assim. Eu faço questão de falar do sul da Bahia. É minha perspectiva. A perspectiva desse álbum é que, quando as pessoas ouvirem, eu quero que elas se sintam visitando o território aqui."
Para o artista, a identidade regional não deve funcionar como uma limitação, mas como uma possibilidade de criação. A diferença entre os sotaques, as gírias, os comportamentos e as experiências de Itabuna e Ilhéus, por exemplo, são elementos que considera importantes para sua produção musical.

Não pretende construir uma representação genérica da Bahia, mas uma obra que apresente as particularidades do lugar onde nasceu e continua vivendo.
A banda O Quadro aparece como uma das referências fundamentais dessa construção. Formado por artistas de Ilhéus, o grupo ajudou Dário a compreender a possibilidade de produzir rap assumidamente sul baiano.
Ele recorda especialmente a afirmação da identidade sul baiana presente nas músicas da banda, algo que permaneceu em sua memória durante anos. A participação de Ricô em Suor e Sal, segunda faixa do álbum, representa um encontro importante com uma referência que atravessou sua formação.
O disco também recebe Matheus Coringa em Calor!, além dos scratches de DJ Noé em Malandro Elegante e Todas as Águas. A produção musical é majoritariamente assinada pelo próprio Dário. Nitcho contribui com os instrumentais das faixas sete e oito, enquanto Ciano assina a produção de Sem Medo.
A direção musical ficou inteiramente nas mãos de Inerente, com mixagem e masterização de Saci. As fotografias e a identidade gráfica foram desenvolvidas por Augusto Santos, parceiro que acompanha sua trajetória desde o primeiro álbum.
Sobre o processo criativo, Dário explica que costuma trabalhar sozinho, desenvolvendo os instrumentais e escrevendo a partir das próprias batidas.
Mesmo quando utiliza produções de outros músicos, frequentemente acrescenta efeitos, colagens e intervenções para aproximar o resultado daquilo que imaginou. Entretanto, reconhece que pretende experimentar outras formas de criação, especialmente através de encontros presenciais com artistas como Nitcho e Igor Babidi.
O álbum também trouxe mudanças na maneira como passou a enxergar o próprio território. Ao falar sobre o processo de composição, o artista reconhece que encontrou nas referências culturais de Itabuna e Ilhéus elementos suficientes para construir sua identidade musical, sem precisar buscar uma estética que correspondesse às expectativas de outros centros.
"Principalmente agora, com esse álbum, eu acho que não preciso de outra parada, entendeu? Tudo que eu preciso tá aqui. [...] Algumas pessoas vinculavam minha música com uma coisa meio MPB, com a música brasileira. Só que não é necessariamente a música brasileira, é a música sul baiana mesmo. Essa coisa do afro-brasileiro, de fazer um rap com uma macumba."
A afirmação ajuda a compreender como o regionalismo aparece em sua obra. Dário não pretende negar suas influências musicais, que atravessam o rap estadunidense, o jazz, o boom bap e diferentes manifestações brasileiras. O que procura é transformar essas referências em algo que dialogue diretamente com sua experiência.

Ao comentar sobre essa construção, estabelece uma comparação interessante entre o rap e o skate, duas manifestações que marcaram profundamente sua trajetória.
"Eu acho que o rap tem uma coisa muito semelhante ao skate, que é o estilo. Às vezes não importa mais a técnica, quem tem mais técnica. Porque um estilo não compete com o outro, cada estilo é o estilo. Então a minha busca é também fazer algo que seja meu estilo. Isso aqui é meu rap, é o sul da Bahia, é o meu sul da Bahia, é a minha perspectiva sobre o território que eu vivo. Não é uma verdade absoluta, é o nosso estilo, nesse lugar aqui que eu vivo, que é Itabuna e Ilhéus."
Essa preocupação também atravessa as discussões sobre a representação cultural do Nordeste. Durante a entrevista, Dário reconheceu que sua obra não pretende falar por todas as pessoas do sul da Bahia, tampouco apresentar uma interpretação definitiva sobre a região.
Existem diferentes realidades, inclusive nas experiências de outras cidades e comunidades indígenas, que não podem ser resumidas à sua trajetória individual. Sua produção parte de uma perspectiva específica, construída através das vivências entre Itabuna e Ilhéus.
Ao mesmo tempo, considera fundamental fortalecer a relação dos próprios moradores com sua identidade. O artista observa que existe uma valorização recorrente das produções vindas de outras cidades, enquanto artistas locais frequentemente encontram dificuldades para conquistar reconhecimento dentro do próprio território.
Uma situação que identifica como viralatismo e que pretende discutir também através de sua música.
"Eu quero que as pessoas sintam esse orgulho de ser sul baiano, esse aqui é nosso lugar. Poder ir pra São Paulo, poder ir pra qualquer lugar e falar com orgulho de onde vem. [...] As pessoas querem ser soteropolitanas, querem ser cariocas, querem ser paulistas. Ninguém quer falar: não, mano, eu quero ser isso aqui. Não é que eu sou, eu quero ser também. Então, pra mim, esse orgulho de querer se apropriar da cultura que eu vivo, do território que eu existo, tá completamente atrelado à minha personalidade, ao meu jeito de falar, ao meu jeito de viver, ao meu jeito de querer fazer um rap."
A crítica não representa uma tentativa de transformar o regionalismo em isolamento. Dário demonstra interesse em circular, conhecer outras cenas e construir parcerias com artistas de diferentes lugares. O que se questiona é a necessidade de abandonar determinadas referências para conquistar reconhecimento. Existe uma diferença entre conhecer outras culturas e acreditar que a própria identidade precisa ser substituída por uma considerada superior.
Esse pensamento também ajuda a compreender a presença da religiosidade afro-brasileira em sua produção. As referências aos atabaques, à macumba e às diferentes manifestações de fé não aparecem somente como elementos estéticos.
Fazem parte de uma formação familiar marcada por experiências religiosas distintas e pelo sincretismo. O artista recupera essas referências sem pretender transformá-las numa representação única das manifestações espirituais existentes no território.
O mesmo acontece com suas influências musicais. A sonoridade de O Quadro, os elementos da música brasileira, a percussão e as referências do rap internacional atravessam suas composições sem que isso signifique abandonar a busca por uma linguagem própria.
A intenção é construir uma experiência musical capaz de transportar o ouvinte para aquele lugar, inclusive através daquilo que normalmente não aparece nas representações mais conhecidas da Bahia.
"Eu quero que as pessoas possam ouvir essas músicas na ordem e ter a sensação de estar visitando esse lugar, de poder enxergar cores nas músicas, enxergar cheiros, sabe? Enxergar vozes de pessoas, enxergar a cor do asfalto, o calor que faz aqui, o clima. Então é como se fosse um retrato mesmo musical do lugar."

O próprio conceito de memória apareceu durante nossa conversa. Ao tratar o território como matéria para suas composições, Dário também registra experiências que frequentemente não encontram espaço nas narrativas oficiais.
A música passa a funcionar como um documento de determinado tempo e lugar, preservando referências que podem ser reconhecidas pelas pessoas que compartilham aquela vivência.
É uma preocupação que também atravessa o trabalho desenvolvido pela Revista Menó. Registrar memórias marginais significa reconhecer que nossos territórios não podem continuar sendo apresentados exclusivamente por quem está de passagem.
Existe uma produção intelectual, artística e cultural construída diariamente por pessoas que vivem nessas regiões, e reconhecer essas experiências também representa disputar as maneiras como nossa história será contada.
O próximo passo de Dário é concluir a trilogia. O terceiro disco deverá representar uma espécie de cortejo final, reunindo as experiências iniciadas em Bloco na Rua e aprofundadas em Os Atabaques São Clarins de Guerra. Ainda não existe um formato definitivo, mas o artista pretende ampliar as colaborações e construir um trabalho com características mais próximas de um espetáculo musical.
"O Bloco na Rua é o primeiro movimento, o ímpeto de botar o corpo no mundo, a cara na rua mesmo, se jogar pra vida. Agora Os Atabaques São Clarins de Guerra, o bloco já tá na rua, agora é a luta pelo direito de festejar e a festa da luta. É o carnaval, é a briga generalizada, é o guerrilheiro urbano entoando um canto. Os clarins de guerra são os atabaques, é uma coisa meio lúdica, quase teatral. E um terceiro disco que seja a conclusão disso, uma confusão que dá em alguma coisa."
Ao final da entrevista, Dário retomou uma das principais questões que atravessam sua obra. O desejo de conquistar reconhecimento não está relacionado à necessidade de abandonar o lugar onde nasceu, mas à possibilidade de viver plenamente a partir de sua própria identidade.
Ao comentar sobre Sem Medo, última faixa do álbum, o artista explica que sua reivindicação não é tomar o espaço de outras pessoas, mas conquistar condições para desenvolver sua vida e sua produção cultural.
"Nós não queremos nada deles, só queremos o que é nosso. Quero que o meu sucesso possa brincar, sorrir, fazer dinheiro, não passar veneno. Quero que a gente possa sentir essa experiência da vida e estar pleno, sendo de onde a gente é. Sem precisar se render a uma sonoridade, uma estética, um sotaque do eixo."
Talvez seja justamente essa uma das questões mais importantes da conversa. A produção cultural periférica frequentemente aparece relacionada à resistência, mas também precisamos falar sobre o direito de existir para além dela.
Não queremos passar a vida inteira enfrentando dificuldades para conquistar aquilo que deveria ser garantido. Queremos produzir, circular, estudar, ganhar dinheiro, descansar e construir nossos futuros sem que nossas origens sejam tratadas como obstáculos.
Dário deseja que as pessoas conheçam o sul da Bahia, escutem O Quadro, descubram outros artistas da região e compreendam a dimensão cultural de um território que continua produzindo apesar das dificuldades.
Acima de tudo, quer que aqueles que compartilham essa origem reconheçam na própria identidade algo que não precisa ser substituído para conquistar reconhecimento.
"Quero que as pessoas possam enxergar o sul da Bahia mesmo. É um lugar que eu vivo, que eu nasci, que eu amo profundamente. Tenho uma paixão enorme pelo lugar que eu vivo, mesmo ele me fazendo mal pra caralho às vezes."

Uma relação de afeto e contradição que muitos de nós, crias das periferias brasileiras, conhecemos bem. Podemos questionar nossas cidades, reconhecer suas ausências e desejar conhecer o mundo inteiro. Nada disso significa deixar de pertencer aos lugares que nos formaram.
Os Atabaques São Clarins de Guerra é também sobre essa possibilidade. Sobre reconhecer que existe vida, memória, criação e produção cultural para além das representações tradicionalmente construídas sobre nossas margens. Um disco que transforma o sul da Bahia em ponto de partida para uma narrativa sobre pertencimento, sem precisar reduzir o território à pobreza, à violência ou a qualquer outra imagem que limite sua complexidade.
O bloco já está na rua. Os atabaques estão tocando. E a margem continua construindo suas próprias histórias.
Leia a Menó.
Os Atabaques São Clarins de Guerra está disponível nas plataformas digitais desde 25 de setembro de 2026, pelo selo Sujoground.
.png)






Comentários