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A Torre

Pra quem não sabe, Barbacena é minha terra natal, lugar em que vivi até completar 12 anos. Lugar que vive em mim, inventado e reinventado entre loucos e rosas. Ali, as rosas voavam e os loucos criavam raízes. Explico: as rosas eram para exportação e os loucos eram importados, vindos de todo canto, vindos dos Gerais, geralmente pra sempre. A princípio vinham de trem, trem de doido. O Hospital é enorme, sempre foi, existia há tempos antes do meu existir, praticamente uma pequena cidade cravada na cidade, ocupando duas áreas relativamente distantes uma da outra. O manicômio era tão grande que até hoje ocupa parte de meu imaginário. Aos domingos a caminho da casa de minha vó, em São João Del Rey, costumávamos passar na frente do velho hospital que a gente simplesmente chamava de “colônia”. Me lembro daqueles homens sem nome, de cabeça raspada a caminhar com suas roupas rotas na beira da estrada. Era comum. Não me lembro se eram homens de fato ou se eram mulheres. Me lembro das cabeças raspadas, da beira da estrada, dos uniformes rotos. Me lembro dos rostos rotos na estrada uniforme. Sempre à beira, os loucos. Eram loucos? Não me lembro… 


De um ponto da estrada dava pra ver a torre distante.

Frio. Frio de maio, frio de julho, uniformes rotos. Na minha cabeça de criança aqueles homens viviam escondidos na torre em frente ao Parque de Exposição. Manicômio, enorme manicômio que vive na cabeça da gente. Torre pequena, quanta gente cabia ali?

Por Marcelo Valle @marcelovallefotografias

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