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A Conquista do Brasil

Sou o Marlon, vim do Rio Vou contar uma estória de dar até calafrio!

Ela é nossa memória,

da nossa terra o brio… Ouve, guarda e devora.

Está história é de um trem chamado “descobrimento”: é quando os europeus chegaram de fortes ventos e pisaram na América

em ano mil-e-quinhentos.

Buscavam seus mil alentos em terras desconhecidas, buscavam alguns temperos e outras coisas parecidas para longe assim vender muitas coisas diferidas.

Nessa busca infinita

por temperos e dinheiros eles conheciam povos, mapeando mares inteiros! Mais e mais e mais trocavam, navegavam seus janeiros…

Porém, essa terra aqui, de América chamada

não tinha um nome ainda, só depois foi batizada… Mesma coisa o Brasil:

não era Brasil nem nada…

“Nem nada” é exagero, pois onde hoje é Brasil era terra habitada

por mil gentes… povos mil! Ai deles! Os europeus os trataram a punho vil…

Alguns povos se amigaram com os montões aqui chegados porém a tragédia veio:

milhões morreram gripados! Ô, tristeza acontecida… Poeiras desses passados…

Os povos que aqui viviam, milênios no chão daqui,

tinham nomes: eram muitos! Como os Tupi-Guarani,

que eram povos tão guerreiros, tinham xamãs – karaí…

Sempre os Tupi-Guarani se espalharam nessas terras buscando a Terra Sem Mal com suas lanças de guerra. Hoje já são muitos povos, povos de inúmeras serras…

Um certo André Vallias

pensando o Brasil dormente reuniu muitos nomes deles pra gente guardar na mente e pra lembrar que esses povos são outros nomes da gente.

“Yanomami, Asurini

Cinta Larga, Kayapó

Waimiri, Atroari,

Tariana, Pataxó

Siriano, Pipipã

Rikbatsá, Karopotó”…

Os brancos, os europeus, no outro lado da história viam coisas muito novas que não tinham na memória! Se espantavam com os Tupi: “Até gente eles devoram?!”

Chamavam estes de “índios” por serem bem diferentes, como outros conhecidos

que os brancos tinham em mente, porém era nome errado,

um nome que em muito mente!

Pois essa palavra “índio”

vinha de um outro recanto e botava num só saco

muitos povos, seres tantos… Erro de ignorância

que provocou muito pranto…

É que os brancos queriam que todos fossem cristãos, só que os povos eram brabos: nem todos eram irmãos.

Os brancos e suas cruzes receberam muitos nãos…

Os que sim davam a eles perdiam logo a cultura:

o que os avós ensinavam os brancos davam rasura, e a lembrança que era fresca virara esquecência dura.

No que os povos daqui,

entre a cruz e a espada

ou matavam ou morriam,

ou fugiam à disparada,

pois o que os brancos davam era pouco ou era nada.

É que os tais loucos brancos, “portugueses” nominados, tinham sua própria história, suas guerras, seus tratados. E por nada os “índios” eram inimigos declarados…

Baita desencontro doido… Mas, e o “descobrimento”? Será que os povos daqui não tinham seu pensamento? Eles de si mesmos já

não tinham conhecimento?

Aí que mora um causo, quase-quase um segredo: aqueles povos nem não foram descobertos: engano-lêdo! Foram sim foi conquistados de modo até bem azedo!

Essas terras, até então só os nomes Tupi tinham, tinham nomes de outros povos também, que aqui viviam, mas perderam esses nomes pelos que os brancos traziam!

E assim passaram anos de entradas e bandeiras: a terra era imensa

faltavam a elas beiras!

Sertão foi o nome dado às terras interioreiras!

Termino esta grande saga sem início e sem fim

que o brasileiro conhece muito pouco, mas enfim: nunca é tarde pra pensar em coisa importante assim.

Só resta além de tudo,

dar valor ao nosso povo: ele é também mil povos, muito velho e muito novo – Galo velho já crescido,

pintinho dentro do ovo.

Terminado em 31/05/2016 – Revisado e alterado em março de 2021 especialmente para esta publicação

Métrica de cordel

usada: sextilha, também

conhecida como obra de

seis pés. É a estrofe de seis

versos, com rimas em formato

ABABAB ou ABCBDB ou

ABBCCB, etc.

Por Marlon Andaluz @marloneiro

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