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O samba e suas marcas afetivas.

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A manifestação cultural afro-brasileira com raízes na Bahia e no Rio de Janeiro, é um símbolo da cultura popular brasileira. Escolas como Flor de Magé e União do Canal mantêm viva essa tradição, sob o olhar da autora de dentro.


O samba, uma manifestação cultural, musical e de dança, de origem afro-brasileira, que se tornou um dos símbolos mais representativos da cultura popular brasileira. Com raízes na Bahia e o nascimento de seu estilo urbano no Rio de Janeiro. A sua popularização se deu, em parte, através dos desfiles das escolas de samba. 


Em Magé, município brasileiro localizado no estado do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense, o samba foi valorizado por muitos anos. Lá, existem instituições históricas do carnaval, como: 





  • A Grêmio Recreativo Escola de Samba Flor de Magé, fundada em 14 de dezembro de 1900, é considerada a escola de samba mais antiga do Brasil e Patrimônio Cultural Imaterial do município de Magé. Mesmo com o fim dos desfiles oficiais na cidade, a escola continua ativa, realizando eventos comunitários e tendo sua importância reconhecida em diversas iniciativas, como no enredo da escola Inocentes de Belford Roxo em 2018. 




  • A União do Canal, fundada em 1934, conhecida por suas cores vermelho e branco e pelo símbolo do cavalo-marinho. A União do Canal tem a Flor de Magé como sua escola-madrinha e é um ponto de encontro e manutenção da cultura popular. Embora não funcionem mais como escolas de samba, continuam no coração e na memória dos moradores. 


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Magé ainda possui uma forte tradição em blocos de rua, como o Bloco da Capa Amarela, o Bloco do Pijama e o Bloco do Neném, que desfilam com marchinhas e animação, principalmente no centro da cidade e em bairros como Santo Aleixo, anexado ao Município de Magé, e a sede do 2º distrito. 


Eu, Louise Maria, cresci em uma família em que o lado paterno não só teve e continua tendo amor ao samba, como também levou pertencimento para o mesmo.

Ver pessoas levando o samba para frente, como meu tio Júlio César, conhecido como "Mestre Gordo" e que foi por muitos anos mestre de bateria na Flor de Magé e na União do Canal; meu pai Luiz Cláudio, minha tia Cláudia Aparecida, meu primo Igor José e meu primo Rhuan Assis, que participaram dos desfiles e blocos de carnaval e seguiram caminhando com ele, nunca limitaram a arte, que também é samba. 


O privilégio de não ser a única a sempre ter incentivo para as artes permitiu que eu tivesse um horizonte mais amplo. Poder dançar, criar e questionar com o apoio de pessoas que faziam arte me trouxe até aqui, e isso é enorme, especialmente considerando que venho de uma família pobre de um lugar pequeno, mas que nunca limitou meus talentos. 


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A partir daqui, não me limitando apenas às escolas de samba em Magé, conto com a memória e o afeto de pessoas que, além de terem vivido o tempo do carnaval na cidade, até hoje vivem o samba de modo geral, mantendo-o vivo e inspirando sua merecida permanência em evidência. 


Aqui, Cláudia nos mostra como foi crescer em meio ao samba e toda a afetividade trazida por ele:


"No começo eu fiquei um pouco tímida, mas fui me soltando e gostei muito. Ficava ansiosa para que chegasse os ensaios e o carnaval. Tendo o tamborim como instrumento de afinidade, era uma sensação maravilhosa tocar o instrumento e ouvir a cadência das famosas paradinhas." 

Para meu irmão, citado no texto, o samba era uma grande paixão. Desde criança gostava de samba e o samba corria nas veias dele. Ele, desde criança, foi um amante do samba, tocava o surdo de primeira (também chamado de surdo de marcação, é o que dá compasso ao samba), e depois de um tempo passou a ser mestre de bateria. A função do mestre de bateria é ensinar e coordenar os ritmistas, cria as famosas paradinhas e garante a cadência da bateria. 


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Para Luiz Cláudio, meu outro irmão também citado no texto, o samba era um divertimento para ele, realmente gostava muito. Era ritmista da bateria e tocava o surdo de segunda (é um pouco mais agudo que o surdo de primeira e é tocado no tempo forte). Era o instrumento que ele gostava de tocar.


"Ver meu filho Igor crescendo em meio ao samba e escolhendo e seguir com ele e no meio dele até hoje em dia é motivo de muita alegria".

Igor, fazendo parte da geração mais recente da família a estar envolvido no samba, complementa:


"Vivenciar o samba é muito bom, um legado deixado pelos meus tios. Sendo o surdo de primeira o meu instrumento de afinidade, quando o toco lembro dos ensinamentos do meu tio e me sinto muito feliz. Estar até hoje participando do que envolve o samba me deixa contente, era a paixão do meu tio Júlio que acabei aprendendo e gostando muito. 
Ao entrar na pauta de preservação e melhoria do samba penso que buscar formas em seu meio para atrair os jovens mostrando toda a cultura, criando oficinas e cursos a respeito do que é o samba seria um importante impulsionamento para a preservação desta arte".
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Para além de respostas vindas de casa, uma amiga nos mostra a potência e afeto de seu samba:


“Fui criada vendo desfile de escola de samba. Sempre me programei para assistir tudo, era a única ocasião que meus pais deixavam uma criança virar a noite. Ainda me sinto a mesma criança encantada com tudo que uma comunidade é capaz de colocar na avenida.
Aprendi muito sobre a vida ali, existe um desfile sobre qualquer tema, até iogurte. Sou do interior, então demorei muito até ir ao sambódromo de fato. Quando vim morar no Rio, já adulta, comecei a frequentar roda de samba e acompanhar a temporada das escolas de samba desde o concurso de samba enredo.
Dona Ivone Lara é sem dúvida a primeira pessoa que penso quando falo de samba. Primeira compositora mulher de uma escola de samba e tinha um lado fantástico como enfermeira da Nise da Silveira na luta antimanicomial e como a arte transforma a vida de pessoas, até em sofrimento profundo.
O que elas (Nise e dona Ivone) criaram com as mandalas é algo fantástico. Dona Ivone é um dos maiores ícones no que diz respeito à intelectualidade feminino, racial, antimanicomial e sambista.
Samba é a maior manifestação da intelectualidade negra de diáspora do mundo. É alarmante o quanto isso não é valorizado e agora sofre com a evasão da juventude para movimentos importados como o rap.
Samba produz carnaval de rua, carnaval de avenida, roda de samba, partido alto, pagode e tantos outros subestilos ou derivados. É nossa cultura viva, resistência de um povo que insiste em fazer arte profunda, crítica extremamente sofisticada.
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Samba nunca vai ser só um estilo de música ou uma dança, é um estilo de vida que a negritude brasileira criou simplesmente porque vive.
Fico muito preocupada com a dominação do rap em nossos subúrbios a ponto de ver pessoas do funk (gênero igualmente brasileiro, vindo dos tambores da macumba) e samba para o rap por dinheiro. Claramente quem ganha esse dinheiro não é preto e sequer brasileiro.
É muito claro que é um projeto de importação de um estilo musical que não é genuinamente brasileiro e que agora tende a algo raso como a ostentação. Esse tipo de coisa não cabe no samba, que segue político pelo simples fato de existir”. 

O samba não só faz parte da vida do brasileiro por mera convenção, ele é preservação de uma memória. As gerações se tornam vivam conforme as histórias vão sendo contadas por seus personagens responsáveis.


E a maior prova disso é poder transmití-las. Não devemos deixar o samba morrer. Aliás, acho que devemos mostrar que continua mais vivo do que nunca.


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