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O Contra Ataque de Claudjin

  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura
Na entrevista à Revista Menó, o cria de Belford Roxo deixou claro: embora tenha vindo da Baixada, sua música é fruto de quem caminha pelas calçadas da capital, onde a dinâmica entre o micro e o macro acontece em cada esquina .

"A Zona Norte me dá material. Me dá gente", ele afirma. Para Claudjin, viver a cidade é um ato político de observação. Se na Baixada a sensação era de exclusão total, na Zona Norte ele enxerga uma "falsa inclusão" que o instiga a compor. É nesse cenário, entre o subúrbio e a proximidade com os bairros nobres, que ele desenha sua trajetória no Hip Hop.



O Estalo do Contra-Ataque


O projeto Contra-Ataque (2024) foi o divisor de águas entre a desistência e o topo . Claudjin estava pronto para abandonar o microfone, desempregado e gastando suas últimas economias, quando o encontro com o produtor Babidi mudou o jogo .



O trabalho não nasceu de fórmulas, mas de um dinamismo visceral. A faixa "Planos", por exemplo, surgiu de um arrepio imediato ao ouvir um beat que parecia falar diretamente com ele


"Eu tinha muita coisa para botar para fora", relembra o artista, que transformou a urgência em rima prática e intuitiva .

Identidade e a "Mão Torta"



A originalidade de Claudjin passa pela coragem de expor suas marcas. No EP Van Persie, ele utiliza uma deficiência física no braço esquerdo como símbolo de identidade .


"O Van Persie, jogador holandês, corria com a mão torta... eu sempre gostei do jeito dele", explica .


O que poderia ser uma limitação virou arte, transformando sua condição em um diferencial artístico que reverbera em suas músicas.


Continuidade e Samba-Rap


Claudjin recusa o rótulo de "nova onda" . Aos 32 anos, ele se vê como uma continuidade dos mestres que ouvia na adolescência: Marechal, Black Alien e Quinto Andar . 



"O Hip Hop brasileiro tem uma história nossa, diferente de qualquer outro lugar", defende .

Com um disco de samba com rap quase pronto, ele busca uma musicalidade autêntica, fugindo do óbvio . Seja no processo criativo da Dinâmico Mixtape ou estudando a música do Norte do país, Claudjin segue com a antena ligada 24 horas por dia .


Para ele, a música não é apenas um trabalho, é a própria existência . 



"Um dia que eu não ouço música, ele não existe", finaliza o artista que faz da Zona Norte o seu laboratório e da rima o seu motor de sobrevivência .

Processo Criativo e a Teia da Sujo Ground


Para entender Claudjin, não basta ouvir a rima; é preciso sacar o ritmo "psicopata" de sua produção . Um processo tão visceral que chega a ser “doentio”: 


"Se eu começar a ver um filme e a inspiração vier no começo, eu já paro de ver para escrever"


Ele não espera a musa; ele automatizou a própria mente para produzir sob qualquer condição, impondo-se a meta de escrever ao menos uma música por dia .


Essa urgência criativa encontrou abrigo na Sujo Ground, que ele descreve não apenas como uma plataforma, mas como a teia fundamental de suas conexões atuais .


Através desse coletivo, Claudjin rompeu o isolamento de quem "só fazia música" para se tornar parte de uma engrenagem artística completa . Hoje, ele circula entre diretoras de cinema que assinam seus clipes e pintores que traduzem sua sonoridade em telas, tudo fruto dessa rede que conecta talentos de Teresina a São Paulo .



A relação de Claudjin com o coletivo foi além do profissional; ele foi um dos fundadores da primeira casa da Sujo, vivendo a experiência de forma "visceral" ao lado de nomes como Matheus Coringa e Liz MC . Essa proximidade moldou o espírito da Dinâmico Mixtape, um projeto que rejeita o preciosismo em favor do imediatismo real .


O nome "Dinâmico" carrega um conceito duplo: A ideia de produzir tudo em um mês, captando o "dinamismo" das conversas de esquina e dos pagodes que viram letra assim que ele voltava para casa . E a vontade inicial de gravar tudo com um microfone dinâmico para selar a estética do projeto, priorizando a prática sobre a perfeição técnica .



O resultado dessa fase é um som "sem personagem", onde Claudjin e O Servo se apresentam como pessoas normais, rindo e brincando, expondo a verdade nua de quem são de fato .


O Sax de Manaus e o Recado ao Público


Olhando para o horizonte, Claudjin não se contenta com o que já conquistou. Ele estuda a música do Norte do Brasil, fascinado pela descoberta de que o saxofone é o instrumento protagonista em Manaus . Sua meta é fundir a música amazônica com o seu rap, criando uma experimentação que ele mesmo define como "uma loucura" planejada para o futuro .



Ao ser questionado sobre o que dizer para quem o acompanha, ele foge do clichê.


Pede que o público continue atento às suas várias versões — da agressiva à romântica — e deixa um conselho final que resume sua postura equilibrada diante da arte:


"Me levem a sério, mas também não me levem tanto a sério" . 

Para Claudjin, a música é o motor que o faz acordar, mas a fluidez da troca e a liberdade de errar no improviso são o que o mantém voando .


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