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Por Iago Menezes aka Pivete

Editor: Carlos Douglas

Fotos: Bruno Fernandes



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Quando nos tiram tudo, o que sobra é a arte. Talvez por isso, na Baixada Fluminense, a arte transborda. Artistas e agitadores culturais movimentam a roda, promovem cultura e alimentam sonhos. Juntam-se e criam um evento cultural beneficente chamado Mov.Rua, que já está em sua segunda edição. Idealizado pelo coletivo Movimento da Roda, formado por agitadores culturais e artistas de diversos campos, o evento surgiu da necessidade de oferecer opções de lazer de qualidade em espaços públicos que atendam à pluralidade de linguagens e identidades da região multicultural, multirracial e multifacetada da Baixada Fluminense.


Se o que sobra é arte, a Baixada lambe o prato. Na ausência de investimento do poder público, faz-se um financiamento coletivo; na falta de espaços culturais públicos, faz-se na rua, 100% gratuito. A Baixada Fluminense cria, promove, incentiva, corre, democratiza e movimenta a roda. E o Mov.Rua é fruto disso, de uma ausência que se transforma em presença, em uma reunião que reúne diversos artistas e agitadores culturais talentosos da região.


A próxima edição acontecerá no dia 30 de abril de 2023, no "Dia da Baixada", que é uma data importante para a região, pois celebra a diversidade cultural e a riqueza histórica da Baixada Fluminense. Com a vantagem de ser na véspera do feriado nacional do Dia do Trabalhador, as pessoas poderão aproveitar as atividades do Mov.Rua com mais tranquilidade, sem se preocupar com o trabalho no dia seguinte. O local é o Bar do Chileno, no Parque Lafaiete, em Duque de Caxias (RJ), e o horário é apropriado para um domingão de lazer, no período da tarde, às 14 horas.


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Já estão previstas na programação diversas atividades culturais, como shows musicais, apresentações de dança, teatro de rua, oficinas artísticas e muito mais. Para você ter uma idéia, já estão confirmados shows dos rappers ROJÃO & XARI, do quarteto de rap EFÍGIE, do DJ LEANDRO 100% VINIL, da CLÁ GOUVEIA convidando FELIPE VAZ, do rapper NATÖ com o Movimento da Roda e da DJ LARYH.


E tem muito mais, além dos shows, tem gravação de episódio do podcast Ideia de Hermes em comemoração ao dia da Baixada, exibição do filme Existe Amor na BXD, Flash Tatto com Renato Mello, exposição “mais um dia ensolarado no inferno” do Michel Massolar e, muito importante, o Kevin e o Koa pintando um mural de grafite ao vivo durante o evento. Também tem pula-pula para criançada e barraquinhas com diversos quitutes.





É muita coisa, né? Mas não é só isso. O Mov.Rua também tem um caráter beneficente. Durante o evento, são arrecadados alimentos não perecíveis e produtos de higiene pessoal para serem doados a instituições de caridade da região.


O Mov.Rua já é um sucesso e tem conquistado cada vez mais adeptos na Baixada Fluminense. Além de oferecer opções de lazer de qualidade, o Mov.Rua também promove a solidariedade e a união entre os moradores da região. Então é só partir no domingo, às 14 horas, para o Parque Lafaiete (Duque de Caxias) e curtir o evento!


“Quando nos tiram tudo, o que sobra é a arte.”

NATÖ part. Movimento da Roda.


 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 24 de abr. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 11 de abr.

Laura Vieira (@laura.vieiraa)

Iago Menezes (@Visualbypivete)



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Pão com manteiga e café com leite, às vezes com achocolatado, a mãe grita pra ir tomar banho. Veste o uniforme da escola, bate o sinal, presta atenção, brinca, conversa, recreio, lanche, volta pra aula, escreve, copia, almoça, alguém busca na escola ou volta com os amigos, chega em casa, brinca na rua, pé sujo, toma banho, janta e vai dormir. Assim, de segunda a sexta, todo dia é parecido, se não fosse a imaginação de criar e aprender algo novo todos os dias.


Assim é um dia normal de uma criança, quando se pode ser criança. Mas, no Rio de Janeiro, nem toda criança pode.


Tem uns que são: “Pivete, Moleque, Novinha, Menor, Tralha, Bebel”.

Qualquer coisa, menos criança.




Fazem as mesmas coisas que as outras mas entre uma vírgula e outra teríamos que adicionar um “entra entra entra, abaixa, corre corre”, a viatura passando com o fuzil apontado para fora, o policial encarando, o estrondo seco da bala que acerta algum lugar.


A criança tem medo do bicho papão, do escuro, de olhar debaixo da cama. Pivete também tem medo disso tudo, de deixar o chinelo virado, de ir pra sala da diretora, de perder a brincadeira.


Ninguém tem medo de criança, mas tem medo de pivete.

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Dizem que Pivete é perigoso, é “protótipo de criminoso”, as nuances entre a infância, a pré-adolescência e adolescência, não são consideradas, dos 0 aos 17 anos, “sabem bem o que estão fazendo”. Assim, justificam qualquer brutalidade contra as crianças da favela. Aos olhos do Estado, da favela pra dentro, não existe criança.

Se não conseguirem argumentar que ela estava no lugar errado, fazendo coisa errada, filha de gente errada, vão apontar que o futuro está dado, que pra esse ‘menor estar no erro’ é apenas questão de tempo.



As mães, familiares, professores, esses conseguem ver as crianças que vivem ali, inventivas e diversas, dignas de cuidado, chamego e beijinho na ferida. É uma infância que só se vê de perto. Aqueles que passam na rua com medo também as percebem mas, só como alvo. Quem cuida, convive, ama, são a linha de frente na defesa dessa infância que precisa ser vivida.


Em 2022, somente no Rio de Janeiro, morreram dez crianças vítimas de “balas perdidas”. Balas perdidas que sempre acham crianças periféricas, pretas e pobres. Balas essas que não rasgam o ar dos mais ricos, mas que viajam em determinados cep’s e acertam certos corpos. Balas que são direcionadas, tem endereço certo, logo, são tudo, menos perdidas.


É um projeto de Estado, é política de extermínio. No Estado do Rio de Janeiro, crianças são assassinadas, cotidianamente, seja indo para escola ou já dentro da escola; voltando para casa depois de deixar sua irmã mais nova na creche ou já dentro de casa brincando com seus primos; brincando na sala de casa ou na frente de casa. voltando de kombi com a mãe para casa ou no sofá assistindo tv; esperando a avó, na frente de casa, para comprar um lanche. Crianças assassinadas, famílias destruídas e um futuro perdido.


São crianças mortas, dentro de caixões pequenos, carregados por parentes desolados. Boa parte delas atingidas por balas da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Mortas pela política de segurança pública herdada dos governos anteriores, que o governador em exercício Cláudio Castro continua a implementar. Uma maldição rogada que mata até quem ainda não nasceu. E, não tem ECA que tenha conseguido assegurar o direito à vida dessas crianças.


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Quando a polícia invade uma escola pública no meio de uma comemoração de páscoa, invade uma instituição de ensino, repleta de crianças, às duas horas da tarde, com fuzis e caveirão. Toda a comunidade sente, se preocupa, já foram elas essas crianças. Gritam: São apenas crianças!


Já os policiais, não entendem esses gritos, ouvem mas não entendem, pensam: onde que tem criança aqui? aquele ali é pivete, cadê criança?


Chamamos pelas nossas crianças e eles nos ouvem chamando por “bandidos”.


No corrente ano a pauta sobre a redução da maioridade penal volta às manchetes, muito em decorrência de massacres perpetrados por adolescentes contra seus colegas e professores dentro de escolas. Vivemos em um país que lida com a segurança pública de maneira reativa, “aconteceu, prende”, ignorando julgamento, prevenção e ressocialização.

Dessa forma, quando acontecem casos marcantes, o “tem que prender” não demora a aparecer nas conversas, programas jornalísticos e grupos de whatsapp. Se não tem idade suficiente para prender, muda a idade, reduz, manipula até caber aqueles que querem prender.


Este tipo de proposta é levantada por setores da população que ao temerem tanto a violência urbana, acreditam que o melhor é prender e matar qualquer um que potencialmente possa causar dano. E, quando se pensa nesse tipo de situação no cotidiano da cidade, qual imagem passa na cabeça dessas pessoas sobre o “potencial” assaltante?


O Pivete.


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Mesmo sem fazer nada, mesmo parada, a criança, que para uns é pivete, é a primeira ameaçada com esse tipo de política. Na desfaçatez de uma emenda constitucional, todos de 16 anos serão iguais, sendo que na prática já não são tratados igualmente, deixando ainda mais vulneráveis as crianças e jovens da favela.


Eles não escutam mas a gente diz, dizemos para nós mesmos, sabemos, são crianças.

Crianças que desenvolvem traumas, pânicos, raiva, tristeza. Que se comparam com outras crianças que têm o direito de ser crianças, de ter infância, de ter medo do bicho papão e não do caveirão.


CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL!

FÉ NAS CRIANÇAS!





 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 16 de abr. de 2023
  • 3 min de leitura

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Fotos: Higor Cabral


O repertório do Marcão Baixada é a rua, seu talento, sua luta. É a Baixada! Mas não somente isso. Ele leva em seu nome, mas seu talento transcende o espaço, o físico. BXD também como espírito. Faz tempo que o Marcão coloca a “Baixada em Cena” (2014). Em “Repertório” (2022), que traz consigo um álbum visual impecável dirigido por Higor Cabral - que carrega um “repertório” audiovisual extenso que reflete na qualidade de seus trabalhos -, somos absorvidos por uma atmosfera que nos acompanha por todas as faixas do álbum.


Em “Rap sem refrões e pontes”, produzido em parceria com G.a.B.o, Marcão narra sua trajetória na cena. Campeão da Copa do Mundo do Hip Hop (Take Back the Mic), 10 anos de carreira, uma das maiores influências da cena do Rap na Baixada Fluminense, direto, ele assume seu lugar de direito. Seja metralhando rimas ou assinando papéis, é inegável a sua importância.



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Fotos: Higor Cabral


Sem refrões e pontes, sem desvios, persistente em seu caminho. Na ausência de pontes, atravessamos o rio; na ausência de holofotes, nós emanamos luz própria. Marcão Baixada foi esse artista: enfrentou de cabeça erguida os descasos e malgrados contínuos, nunca desistiu do grande desafio que é ser artista por essas bandas.


“Tom Ford” de Marcão Baixada, produzido em parceria com Lessa Gustavo, é um desabafo de um jovem negro que não pode contar com a sorte, não pode cair nas ilusões, tem que seguir com os pés no chão. Marcão é também coordenador de projetos da plataforma de distribuição digital ONErpm e atua pela cena atrás dos holofotes. Tem uma atuação para a cultura além dos seus sons. Longe das bolsas da Tom Ford, separando o “real man de todos os lil boys”.


“BLUE MOON”, é um recado para os lil boys: “Ei garoto, fique em silêncio, deixe o papai dos trapper’s falar.”



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Fotos: Higor Cabral



HIGHBALL PAPI, produzido por Eric Beatz, é simplesmente Marcão com um “copão”, pós baile, em frente a um pedestal com um microfone no meio da rua… Ele dá um show! “HIGHBALL PAPI.”. Esse som é o meu preferido, são barras e mais barras, de uma trajetória ímpar na cena musical da Baixada Fluminense. Um mano que carrega a baixada em seu nome e a enriquece com o seu talento.


Em 2014, quando eu assisti o clipe do “Baixada em Cena", que também foi dirigido por Higor Cabral, ouvi o som, vi minha área representada e nossas vivências… Foi ali que percebi que podia falar de “nós”. Podemos ser Baixada Fluminense! Ter orgulho do nosso lugar, do nosso povo, da nossa cultura, das nossas histórias e vivências.



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Fotos: Higor Cabral


Um dos motivos de eu ser fã do Marcão Baixada é que ele nunca deixou de lutar pela sua arte. Pelo contrário, ele se aprofundou cada vez mais. Se ele não fosse “baixada”? Se fosse branco? Playboy? E se ele fosse um desses rappers brancos que viajam para Miami e ganham um prêmio que equivale a copa do mundo do hip hop? Marcão seguiu sem padrinho, persistiu no caminho mais longo e o repertório é simplesmente sua glorificação. Ter 10 anos de carreira, na Baixada Fluminense, com a relevância que o amigo tem, não é para qualquer um. Tão natural quanto dar um show após um baile com “copão” e um microfone no pedestal.


Ainda temos “BLACK MONEY”, produzida pelo próprio Marcão Baixada. E um sensacional remix “MEU MELHOR RAP DO ANO”, produzido por Mano Fá Beatz. Som recheado de referências e vivências, talvez resuma o sentimento que esse álbum traz para um morador de São João de Meriti como eu, nascido e criado aqui. É um talento. Essa facilidade de transmitir seus sentimentos através da música. Um dom de traduzir a realidade. Repertório é a glorificação de um talentoso jovem negro, com suas ambições e frustações, reivindicando o que é seu por direito. Marcão dá sua contribuição. Nos presenteia com uma preciosidade. Recheia a cena de novas referências. Não coloca panos quentes, e de primeira, recoloca as peças no tabuleiro. O jogo tem que continuar.



Ouça Repertório de Marcão Baixada disponível em todas plataformas digitais







 
 
 
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