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Resenha da série O Conto da Aia

Atualizado: 4 de jan.

Por Marcelo Sophos


"O patriarcado, um câncer que assola a sociedade há anos, é apresentado em sua forma mais brutal e impiedosa: homens que, sem medo, se sobrepõem aos demais e, principalmente, sobre as mulheres”. Margaret Atwood.


Ficha técnica:

O Conto da Aia (2017).

Emissora original: Hulu

Adaptação de: O Conto da Aia, Margareth Atwood.

Prêmios: Prêmio Emmy do Primetime: Melhor Série Dramática, dentre outros.

Autores: Margaret Atwood, Bruce Miller, Yahlin Chang, dentre outros.

Gêneros: Distopia, Ficção utópica e distópica, Ficção científica, Tragédia.

1h/episódio.

Atualmente tem 4 temporadas.


Sinopse original: Depois que um atentado terrorista tira a vida do presidente dos Estados Unidos e de grande parte dos outros políticos eleitos, uma facção católica toma o poder com o intuito de restaurar a paz.

Descrição

A série O Conto da Aia é baseada no romance distópico da escritora canadense Margaret Atwood, publicado em 1985. Os eventos se passam num futuro próximo, após o golpe de estado de um grupo terrorista fundamentalista cristão no governo dos Estados Unidos. Chamada de Gilead, a nova Republica é um governo teocrático cujos fundamentos e leis se baseiam no antigo testamento bíblico.

Após o golpe, a personagem Offred, uma mulher bem sucedida, vê sua vida arruinada quando o governo toma todos os bens das mulheres e os transfere para seus maridos, e logo depois todas as mulheres são demitidas de seus empregos. Muitas são aprisionadas e enviadas para uma escola de reeducação, onde aprendem as funções de uma aia. A resistência a essa educação é punível com torturas e morte. Apesar de tudo, Offred luta como pode contra o sistema, de cabeça abaixada para o status quo, pois sempre sua vida está em risco, sendo estrategista e meticulosa em suas ações.

Análise

Diferente de distopias como 1984, Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451, que trazem apenas ideias para um futuro, antecipando eventos, O Conto da Aia traz ideias que já aconteciam nos EUA em seu passado, onde mulheres eram usadas para povoar o novo mundo com o dom da maternidade, usando a submissão feminina descrita nos textos bíblicos como argumento de superioridade da masculinidade.

É nesse cenário que a autora desenha as experiências reais vividas por muitas mulheres ao redor do mundo. Basta ficar atento aos noticiários, ao crescente número de feminicídios, ou refletir como nos lugares e nos transportes públicos, metrôs, ônibus e trens, essa realidade está presente em nosso dia a dia. A pouco, o lançamento de uma personagem da D.C. famosa, a Mulher-Maravilha, foi reinventada, numa leitura atual em prol da representatividade negra. A nova heroína, mulher negra e homoafetiva, pouco sensualizada, gerou o ódio daqueles que querem manter a ideia do patriarcalismo, erotizando e submetendo a mulher como algo que os homens possam opinar e avaliar seus corpos.

A protagonista da série e livro, é uma mulher forte, empoderada, astuta e sagaz, pronta para lutar pelos desafios contemporâneos. A história é um extremo do que pode acontecer caso fechemos os olhos e baixemos as bandeiras da luta por igualdade. É um alerta para os perigos de um estado fundamentalista, levantando o debate sobre o poder da religião sobre o Estado.


Revista Menó, nº. 3/2021 (out/nov/dez).

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