MEMÓRIA: O FILME QUE A BAIXADA GRAVOU COM A PRÓPRIA VOZ
- Pivete

- 12 de mai.
- 4 min de leitura

Tem filme que a gente assiste. E tem filme que assiste a gente de volta.
Memória, dirigido por Emanuel Sant e co-dirigido por NATÖ, é desses que não se contentam em ocupar a tela — ele atravessa. Atravessa gerações, tempos, linguagens e a própria ideia do que é fazer cinema no Brasil.
Mas não se engane: Memória não é sobre história com H maiúsculo, dessas que terminam em ponto final. Ele é sobre os fios soltos da história brasileira que continuam sendo costurados — por corpos, afetos, vozes, batalhas. É um filme que caminha entre o passado escravocrata, o presente de opressão e um futuro sonhado onde o afeto é a primeira política.
“O processo de Memória começa muito antes do filme”, conta Emanuel em um dos depoimentos do documentário making of que será exibido no lançamento. “Começa lá atrás, quando eu era uma criança da Baixada que via clipe no TVZ, sonhava com cinema, mas não sabia nem que dava pra estudar isso.”

E não deu só pra estudar: deu pra fazer. Com um roteiro costurado por Victor Marino e NATÖ a partir da música “Memória”, o filme se constrói como uma narrativa transmídia — um híbrido de curta-metragem, videoclipe e manifesto poético. Uma mistura que faz sentido: a memória aqui não é lembrança congelada, é movimento, é montagem viva.
Quatro personagens atravessam o tempo no filme: um homem escravizado fugindo, um artista preto enfrentando a dureza do agora, uma criança ambulante vivendo em um Brasil igualitário do futuro, e uma professora indígena que ensina que a história do país é um filme ainda em processo. E todos eles — no correr dos séculos — estão dizendo a mesma coisa: nossa luta nunca foi passado.

“A gente diz que Memória é filme, não é foto”, explica Emanuel. “Porque ele tem movimento, ritmo, tem o olhar daquela criança que queria contar suas histórias, o olhar do NATÖ tentando traduzir visualmente o que sente na música, o olhar do Marino escrevendo o roteiro e dizendo: ‘É isso’. Todo mundo botou um pedaço da própria memória ali.”
Mas Memória não se fecha no cinema. Como obra expandida, ele também vira grafite na rua — uma pintura em frente ao Viaduto Paulo Lins, em Duque de Caxias, homenageando figuras como Sílvia de Mendonça, Giordana Moreira, Malê, Dudu de Morro Agudo, Heraldo HB, Fábio Mateus e outros que mantêm viva a chama da cultura da Baixada Fluminense. Como quem diz: o território também é tela.

“Esse filme é coletivo. Ele só existe porque antes da gente, pessoas abriram caminhos”, diz o diretor. “Meu pai sonhava, mas nunca viu a possibilidade. Eu também não via. Aí, um dia, apareceu uma brecha. E não foi sorte: foi luta. Foi a Encontrarte Audiovisual, foi Fábio Mateus. Então a gente faz esse filme por nós e por quem não pôde fazer antes.”
Do início ao fim, Memória se recusa a ser silêncio. Ele é grito suave, feito com afeto, suor e cinema de verdade. Um projeto que lembra que a gente tem direito a sonhar com a própria imagem na tela — e que a Baixada não só sonha: dirige, edita, roteiriza, grava, pinta e projeta.

CHEGA MAIS: LANÇAMENTO DE MEMÓRIA
Por isso, esse texto é também um convite.
Queria muito te chamar pra prestigiar o lançamento do filme Memória — que, por acaso, tem como diretor estreante esse que vos fala! Vai ser uma noite bonita e cheia de camadas.
🗓️ Quinta-feira, 15 de maio
🕡 18h30
📍 Auditório do IFRJ – Campus Nilópolis
Além da exibição do curta, vai ter: 🎨 Exposição com artistas da Baixada 🎥 Exibição do documentário making of 🗣️ Roda de conversa com a equipe e convidados
É de graça, mas os lugares são limitados. Então o ideal é chegar cedo — pra garantir o seu assento e curtir a expo com calma.
Ia ser um prazer enorme te ver por lá.
Afinal, essa história também é sua.

MEMÓRIA: HISTÓRIA É FILME, NÃO É FOTO
Gênero: Ficção Histórica / Drama Social
Direção: Emanuel Sant
Roteiro: Victor Marino e NATÖ
Coordenação: Laura Gonna
Elenco Principal: Paulo D’Souza, Rita Niza, Fernando Lúcio, Miguel Queiroz.
Duração: 17min
Ano de produção: 2024/2025
Formato: 4k, Colorido
Status atual: Em Estreia
Memória: História é Filme, Não é Foto é um curta-metragem que propõe uma nova forma de
olhar para a história brasileira — não como um retrato congelado no tempo, mas como um
filme em constante montagem. Dirigido por Emanuel Sant, inspirado na música homônima
de NATÖ, artista de Duque de Caxias, o filme entrelaça passado, presente e futuro.
Ficha Técnica
Direção: Emanuel Sant
Co-Direção: NATÖ
Roteiro: Victor Marino, NATÖ
Direção Criativa: Victor Marino
Asst de Direção: Guilherme Leopoldo
Asst Criativo: João Vieira
Coordenação de Projeto: Laura Gonna
Direção de Fotografia: Herbert “Jomboh” Cardoso
1° Asst de Câmera / Foquista: Gabriel Vitiello
2° Asst de Câmera: MaCla Oliveira
3° Asst de Câmera: Isa Costa
4° Asst de Câmera: Vitor Dias
Gaffer: Yuri Veriato
Asst de gaffer : Felipe Gaygher
Logger: Marques
Direção de Arte: Luciana Nobre
1° Asst de Arte: Mariana Anddrade
2° Asst de Arte: Lorena Pires
3° Asst de Arte: Bruno Fernandes Monteiro
Figurinista: Bia, a.k.a. Imperatriz
Assist de Figurino: Marianna Baptista
Maquiagem Caracterizadora: Rebeca Frazão
Direção de Produção: Vio Anchieta
1° Asst de Produção: Wargus
2° Asst de Produção: Luana Ferreira
3° Asst de Produção: João Queiroz
Produção Executiva: Laura Gonna
Produção e Preparação de Elenco: Paulo D’Souza
Direção de Som: Lucio Perpetuos
Still: Marina Maux
Making Of: Higor Cabral
Grafite: Bea Simões
Elenco: Paulo D’Souza, Fernando Lucio, Miguel Innocencio, Rita Niza
Tratamento de Roteiro: Pedro Fonseca, Emanuel Sant, Laura Gonna, Guilherme Leopoldo,
João Vieira.
Edição, Cor e Finalização: Jomboh
Design: Jomboh
Pesquisa: Carolina Gonçalves, Lucas Moura
Coordenação de Pesquisa: NATÖ
Mídias Sociais: Higordão
Assessoria de Imprensa e RP: Bernadete Travassos
Apoio: Fazenda da Taquara, Disconildo, Ela Shopping, Midori Pub, Patronato.
Assessoria / Informações Gerais
Instagram: @memoriaofilme








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