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Por Marcelo Sophos


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Ficha técnica: Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa). Autor: Aldous Huxley.

Ano de publicação: 1932.

Gênero: Romance psicológico e distópico.

Assuntos: Distopia, Ficção Científica, Clonagem, Sociedade de Castas.

O livro é editado no Brasil pela Editora Biblioteca Azul em duas versões, uma de capa simples e outra edição especial em capa dura.


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O Autor

Aldous Huxley (1894-1963) foi um escritor inglês, autor do clássico da literatura “Admirável Mundo Novo”. Nasceu em Godalming, Inglaterra, no dia 26 de julho de 1894. Filho de um professor e escritor e neto de um famoso naturalista, Huxley cresceu em um ambiente cercado de vasta elite intelectual. Estudou no Eton College, mas foi obrigado a abandonar os estudos por causa de uma doença nos olhos que o deixou quase cego. Mais tarde, recuperado da visão, voltou aos estudos. Em 1913 ingressou no Balliol College em Oxford, obtendo a licenciatura em Literatura Inglesa em 1915. Foi poeta, jornalista, escritor, roteirista de cinema. Faleceu em Los Angeles, Estados Unidos, no dia 22 de novembro de 1963.


Enredo

A obra se passa em Londres no ano 2540. O romance antecipa desenvolvimentos em tecnologia reprodutiva, hipnopedia, manipulação psicológica e condicionamento clássico, que no romance se combinam para mudar profundamente a sociedade. “Olhe em volta e contemple as construções do nosso tempo. Claro! Não precisamos nos preocupar com nada. Temos empregos, casas, vida social e saúde (...). Todos são felizes agora. Todos são felizes agora. Todos são felizes agora”.


Os indivíduos são gerados e criados em funções pré-determinadas em suas castas sociais, bem definidas e claras para todos. A mais alta, os Alfa, possuem raciocínio superior ao das demais, e riquezas, posições e até mesmo o porte físico. Enquanto a manada de pobres Deltas quase olhando para o chão, foram condicionados a se sentirem bem quando suas cabeças estão abaixadas, sabem disso e não veem por que lutar contra a natureza da ciência.


O personagem Bernard Marx sente-se insatisfeito com o mundo onde vive, e num reduto onde vivem pessoas dentro dos moldes do passado uma espécie de "reserva histórica", algo semelhante às atuais reservas indígenas, encontra uma mulher oriunda dessa civilização “selvagem”. Bernard vê uma possibilidade de conquista de respeito social pela apresentação dos selvagens à sociedade civilizada. As impressões humanas e sensíveis do "selvagem" cria um fascínio estranho entre os habitantes do "Admirável Mundo Novo".


Contexto

O autor Aldous Huxley, escreveu outro livro chamado Regresso ao Admirável Mundo Novo: um ensaio onde demonstrava que muitas das "profecias" do seu romance estavam sendo realizadas graças ao "progresso" científico, no que diz respeito à manipulação da vontade de seres humanos.

 
 
 

Por Thiago Aguiar Rodrigues[1]


Tragédias naturais para nós são completamente indiferentes para a natureza. A Natureza – aqui figurativamente personificada – nunca quis nada. Sequer detém autoconscientemente quaisquer quereres. Uma eventual catástrofe pandêmica ou uma folha seca que se destaca de um galho outoniço, para ela, a natureza, são simbolicamente a mesma coisa: nada. Não há punições e recompensas, não há trama dos deuses ou conspirações do cosmos. O que há é o encadeamento infinito e neutro de causa e consequência dos eventos naturais do universo. Os humanos que se virem se desejarem manter sua existência. A natureza não liga.


Este agente do caos natural, o coronavírus, mudou o mundo. Depois disso, despretensiosamente mudou a si mesmo para continuar nos infectando. Pura seleção natural permitida pelo descaso das autoridades de Saúde. O Brasil se empenhou bastante para ser ineficiente no combate à pandemia. Nossos representantes preferiram combater as medidas de controle do vírus e quase conquistaram a perfeita inépcia, não fossem alguns chatos exigindo sobrevivência.


Embora com cadeiras vazias à mesa que entes queridos ocupavam, nós sobrevivemos até aqui. No entanto, a pandemia não acabou. Atenuou (muito, é verdade) graças à vacinação, mas não acabou. Enfrentamos uma quinta onda provocada pela variante BQ.1, e houve um aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave provocada por Sars-Cov-2 (vírus da Covid-19) em todas as faixas etárias no Brasil. Segundo dados da Fiocruz, nas duas últimas semanas epidemiológicas de novembro de 2022 e nas duas primeiras de dezembro de 2022, a prevalência entre os casos como resultado positivo para vírus respiratórios foi de 1,7% para influenza A; 0,1% para influenza B; 8,3% para Vírus Sincicial Respiratório (VSR); e 80,2% Sars-CoV-2. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos foi de 1,7% para influenza A; 0,1% para influenza B; 8,3% para VSR; e 80,2% Sars-CoV-2. De longe, a Covid vem matando mais que a gripe. “Sem mencionar as sequelas, a chamada “Covid longa”, como, como fadiga, fraqueza muscular, cefaleia, ansiedade, problemas de memória e falta de ar. A relevância da doença ainda é bastante evidente, no entanto, nosso justificado e necessário otimismo não deve se traduzir em imprudência desmemoriada.


Temos 181,1 milhões de aplicações da primeira dose da vacina e 163,5 milhões da segunda dose, além de 101,6 milhões da primeira dose de reforço e apenas 38,7 milhões da segunda dose de reforço. Entre crianças, os dados são aviltantes. Apesar da aprovação pela Anvisa do uso emergencial da Coronavac entre crianças de 3 a 4 anos, apenas 7 de cada 100 crianças nessa faixa etária recebeu as duas doses da vacina. Para crianças entre 6 meses de idade e 4 anos, há a vacina pediátrica da Pfizer, porém o Ministério da Saúde adquiriu apenas um pequeno contingente para crianças com comorbidades, mesmo com a disposição de dados que informam que, entre 1° de janeiro e 11 de outubro de 2022, o Brasil registrou uma morte por dia entre crianças de 6 meses a 5 anos diagnosticadas com Covid-19. Um cenário deficitário e aquém de nossa capacidade de evitar o contágio e a morte por Covid -19, mas... Por quê?


Não se recomenda, neste momento, ações de lockdown, estamos falando de um velho conhecido das políticas públicas dos brasileiros: a vacina. Ora, se 181,1 milhões de brasileiros tomaram a primeira dose, conclui-se que não são negacionistas e avessos a vacinas. Já temos a ferramenta mais eficiente para lidar com a doença, a vacina, faz-se indispensável e premente instituir campanhas publicitárias massivas para incentivar a continuidade da vacinação e proteger de vez a população. Ainda são necessários esclarecimentos sobre cuidados sanitários simples, como higiene das mãos e uso de máscaras tipo PFF2 e N-95 em aglomerações. Também sobre os riscos da reinfecção da Covid-19 que, ao contrário da crença infundada de “imunidade natural”, aumenta a morbidade e mortalidade dos indivíduos com infecções pospositivas e produz temerosas variantes do vírus que põem em xeque todo nosso esforço. Não espere que a natureza seja piedosa porque já sofremos demais. Tampouco será punitiva pelos nossos pecados. Nós, humanos, é quem somos responsáveis por trabalhar com as condições de causa e efeito para o nosso bem-estar. Ou podemos não fazer nada, culparmos a natureza e nos posicionarmos como expectadores da tragédia. A natureza não se importa.

[1] Médico neurologista

 
 
 
  • Foto do escritor: F. Moura
    F. Moura
  • 10 de jan. de 2023
  • 3 min de leitura

Por Felipe Moura Alguns livros fazem a nossa cabeça!

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Fonte: Marques (2022)

Livro: euteamo e outros alguns.

Autor: Tico Oliveira.

Editora: Autografia (2021).

Contato: ticooliveirasoueu (instagran-inbox), ticooliveira@gmail.com, 21 9555-4541 (zap).

Li o livro “Euteamo e outros alguns”, de Tico Oliveira, e, após a leitura, coisas iniciam, outras precipitam e muitas outras entram em suspensão. Não há como passar pelo livro sem perceber que o autor sobe nos ombros de gigantes para alcançar a estatura de sua poesia. Não sei se é verdade, mas isso é o que menos importa: em sua escrita encontrei Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto e, sem dúvida de errar, Chico Buarque de Holanda e Arnaldo Antunes.

O livro é uma homenagem à vida e a poesia é uma festa, onde bebemos, dançamos, cantamos, doemos e, no final, rimos – nem que seja de escárnio ou de deboche. Mais do que necessário para aliviar a “barra pesada” que vivemos: para quem tem amigos, o livro é uma homenagem; para quem tem ou teve amores, o livro oferece “outros alguns”; para quem valoriza o gozo, prazer!

Reclamo a escrita e a publicação deste livro desde que li as primeiras poesias de Tico, há mais ou menos 20 anos, num tabloide feito pelos alunos de Letras da UERJ-FFP. Achei que ele nunca o faria, mas o tempo passou e a hora chegou, essa hora é sempre a-certa. O autor e sua poesia nos lembram da importância de saber jogar com o tempo a nosso favor. Em um mundo acelerado e cansado, a palavra e a preguiça são revolucionárias!

Um pouco do livro (Un peu du livre): Euteamo Não digo euteamo porque não te amo. Euteamo é sagrado. Não parece, mas, para mim, euteamo é uma prece. Dessas que ficam por aí guardadas dentro de cada um, esperando o momento certo de acontecer – e nunca acontecem. Meu euteamo está guardado dentro de mim, bem fundo e manso como o São Francisco, sem risco de secar. O rio é muito grande e, repara, também sabe calar. Meu euteamo fala o tempo todo mais alto quanto mais eu te vejo em silêncio me exigindo palavras. E eu não digo nada. Ou digo euteamo. Numa longa e eterna pausa. Porque euteamo, para mim, já está dito quando acordo, quando me visto, quando saio para o trabalho e encaro a rotina de não dizer euteamo para mais ninguém, só para você. Esse euteamo gasto que vivem por aí a dizer eu não digo. E digo mais: repudio. O que entrego diariamente a você é mais sincero, mais honesto e amigo, está a salvo da moda, do medo e do fastio, está aqui, calado aos ouvidos: Euteamo, euteamo, euteamo. Assim, repetido, mas dentro de mim, sem que você ouça, preservado do mundo. Euteamo calado. Para ouvi-lo, olha para dentro de mim. Meu euteamo não entra pelo ouvido, mas pelos olhos, pelos poros, pela pele. Não é claro, é implícito. Sinta meu euteamo no toque, no arrepio, no cheiro, no som, no seu íntimo. Meu euteamo é calado. Do contrário, pareceria falso. Como se, fingindo, fosse necessário. Ele não é. E por ser muito e intenso, é raro. Meu euteamo é e deve ser assim, impalpável, inaudível. Quando muito, sussurrado. Eu te amo e não digo a você. E por não o dizer, está compreendido. Está falado.


Tico Oliveira Um texto inédito (un texte inédit: "A galinha ama o ovo. Ela não sabe que existe o ovo. Se soubesse que tem em si mesma o ovo, perderia o estado de galinha. Ser galinha é a sobrevivência da galinha. Sobreviver é a salvação." (C.L.) outro ovo de novo como o mundo o ovo é óbvio, ela disse e ali abriu-se o novo pelo ovo de Clarice de repente ("não mais que de repente") óbvio e novo lá estava o ovo chocando a serpente contrito e confuso poucos segundos me foram o suficiente: havia um ovo, um novo alvoroço ali na minha frente tudo o que era passado (antes ausente) fez morada por dentro daquela casca (a casa surpreendente): e eu, na clausura em que me resguardara choquei perguntas várias àquela altura pertinentes: seria a literatura espécie rara do (n)ovo presente? seria eu, com essa pele parca do novo seu oponente? que arquitetura simples (dir-se-ia avara) molda o ovo e o novo dentro da gente? há, fora da casca de noz (e além de bilhões de galáxias e sóis) outra coisa que não nos deixa ir além de nós limitando-nos para sempre? seríamos, portanto o centro de algo pré e pós receptáculo de algo silente?

voo da mente pausa pousa o olho no então surpreendente o ovo o ovo sobre a mesa não traz nenhuma certeza choca um dilema que é mero pastiche o ovo resposta ou problema atravessa meu limite sou poeta escrevo apenas (de novo) entre a clara e a gema das palavras de Clarice Tico Oliveira


 
 
 
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