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“Fetiche” (2023) de Yung Vegan foi uma das melhores descobertas musicais que tive recentemente. Yung Vegan é singular; suas rimas parecem inacabadas e seu flow é simples, às vezes caminhando em direção contrária ao beat. No entanto, todas as suas músicas contam com uma profundidade que poucos conseguem alcançar. Me lembra os sons de Makalister em seus primeiros trabalhos, ou os sons de Lessa Gustavo e Davzera. Entretanto, é necessário muito esforço para comparar esses trabalhos, então evito para não correr o risco de parecer forçado.


Yung Vegan fala sobre o seu íntimo em suas rimas sujas. Em “Antes do Fim da Trama”, que abre o EP, o artista trata sobre o fim e sua luta contra o mesmo. Dinheiro, ruas, filosofia, cinema, referências à cultura pop e muita vivência. Yung Vegan, em seu Instagram, falou que o EP fala mais sobre “o uso de habitar o mundo com o corpo que tenho” do que práticas descritas no cso (sic)”. É sobre o seu corpo, o espaço físico, suas vivências, sua materialidade. É sobre o desejo, o fetiche, e poderes sobrenaturais.


Em “Polo Usa”, ele lança em um Boom Bap as rimas mais sujas do EP, falando sobre suas vitórias e lutas através de rimas “fáceis”. Em “Ducati”, ele acelera pela contramão, passando a visão de um roteiro clichê, de uma sociedade que se encanta e cai pelos mesmos fetiches materializados em bens de consumo ou desejos carnais. No som “Ryoko”, nosso “pequeno vegano” procura ouro na galáxia, longe do alcance do sonar em uma nave sequestrada. Podemos concordar que Yung Vegan não é deste mundo; suas rimas e flow vêm de outro lugar, e sua simplicidade é seu maior diferencial. Simples, mas complexo.


Os beats são sensacionais; o EP conta com dois beats dos beatmakers vinicreizi e bolim batidas cada, muitos samplers e classe. “Fetiche” é uma pequena obra de arte, quatro sons que apresentam esse artista enigmático e incrível que é Yung Vegan."



 
 
 

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"De Morreba a Vsl" ou de "Caxias até Seropa", nas ruas da "Baixada Cruel", existem "Mozart" e "Ratos". Nas ruas de Gramacho, nas vielas da Vila São Luiz, nas praças do Centro, os caxienses fazem arte. A cidade mais rica da Baixada Fluminense esbanja cultura, seja em seus museus, teatros e bibliotecas, no público ou no privado, na rua, nas praças, na favela ou na pista. Duque de Caxias oferece uma gama de artistas que enriquecem ainda mais sua cidade, de todas as formas, mesmo que o reconhecimento do poder público ainda seja escasso.


No dia 10 de setembro, fui ao evento "JamaiCaxias", localizado na Praça Humaitá, que se descreve em sua bio do Instagram como "Conexões afro-periféricas através da linguagem cultural Dancehall". Trampo fino, evento de qualidade, com vários artistas que já fazem estrago na cena underground. Dancei muito, fumei uns, bebi uns latões e observei. Observei e me perguntei: "O que tem de diferente nas águas caxienses?" ou "O que explica essa efervescência e miscelânea de talentos?". É necessária uma pesquisa mais profunda para descobrirmos, porém é nítido que existe um movimento e um esforço da própria juventude local para que se tenha esse tipo de rolê na cidade. Durante o evento, encontrei diversos artistas e personagens que compõem diretamente ou indiretamente a cena underground e da música de rua de Duque de Caxias, do Rio de Janeiro e, consequentemente, do Brasil.






O evento em si reuniu talentos como ANTCONSTANTINO, Taleko, TerroBixa, Marcelinho da Lua, PH Selecta, Jammy Luv e Afrok, que veio diretamente de BH. Cervejinha barata, estrutura boa e muita gente bonita. Foi um sucesso; eu, particularmente, dancei sem coordenação motora nenhuma ao som dos diversos remixes que fizeram meu corpo balançar. Encontrei Rojão, Xari, Dj Java e Jef Rodriguez por lá. Quando pensei em escrever sobre esse rolê, fiquei indeciso sobre o que falar. Fiquei feliz e surpreso por ter a oportunidade de curtir um evento dessa qualidade pertinho de casa, na Baixada Fluminense. Já aproveitando, não esqueça de seguir o Instagram do @jamaicaxias para não perder os próximos eventos. No evento, ouvi falar sobre um tal de ondapesa, que era um som diferente e que eu deveria ouvir. Já no caminho para casa, dentro do Uber, decidi ouvir uma música chamada “Traz pra mim”, do amigo “onda pesada”, com participação de Xard Bxd e realmente a onda pesou. Óbvio que positivamente. Acho que a melhor descrição do som do @ondapesa está na sua bio do Spotify: “música eletrônica marolenta e atitude punk”, com aquele toque caxiense que torna tudo mais interessante. “De Morreba a Vsl” é um desses sons que ouvi várias vezes para conseguir absorver todas as informações, não porque a letra seja complexa ou difícil de entender, mas devido à música eletrônica “marolenta misturada com uma atitude punk do car@lho” - essa aspa é minha e os palavrões também.




No som 'Ratos', que conta com a participação do Xari - outro talentoso artista caxiense -, somos agraciados com ainda mais atitude punk mesclada com música eletrônica envolvente. Eu, particularmente, sinto-me sendo guiado pelo flow do Xari para um rolê chapado por Caxias. Uma música memorável que ouvi centenas de vezes em loop. Até o momento, há poucas músicas do 'heavy wave' no Spotify, apenas quatro, incluindo 'Tiredness', seu primeiro lançamento cantado totalmente em inglês, o qual difere bastante dos últimos lançamentos. Vale muito a pena conferir o trabalho do amigo. Depois, descobri que o ondapesa também estava no evento 'Jamaicaxias'. Por isso, sempre digo que tudo está interligado; vivemos em redes. Prova disso é que amanhã (30) acontecerá um evento do 'Crew da Pesa' - selo de música independente de Duque de Caxias - em parceria com 'Meu caso é grave', que 'só' conta com a participação de Ondapesa, Rojão, Xari e Gazza em sua lineup, e que será realizado no @Jardim125 em terras caxienses. É, pessoal, há algo de diferente em Duque de Caxias quando o assunto é música. Em breve, escreverei mais sobre isso; por enquanto, é só.


 
 
 
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Diretamente do bairro de Agostinho Porto, em São João de Meriti, DJ Java acaba de lançar seu mais recente EP intitulado "Future Baile" (2023), um trabalho que explora a fusão do funk com diversos gêneros da música eletrônica. E acredite, esse trabalho é uma mistura magistral de funk com vários estilos eletrônicos. É uma verdadeira viagem sonora futurística.


Em "Future Baile", você encontrará mashups dos sons de Tz da Coronel, L7nnon, ANTCONSTANTINO, Biel do Furduncinho, Taleko entre outros talentos, onde vocais de funk atuais se juntam com batidas inspiradas em garage, miami bass, grime, trap e tech house. Perfeitamente misturado para fazer todo mundo rebolar até o chão numa experiência sonora única!


Com esse EP, DJ Java tá doidinho pra quebrar todas as barreiras musicais e criar uma identidade sonora inovadora. Ele mistura o ritmo do funk brasileiro com a energia eletrônica desses subgêneros maravilhosos que já falamos por aqui. É uma combinação pra lá de ousada!


A ideia por trás do "Future Baile" é mostrar a visão do Java de um futuro musical corajoso. Ele quer que diferentes culturas musicais se encontrem e se fundam numa experiência sonora arrebatadora. Os remixes desse EP são o resultado de uma seleção minuciosa de vocais famosos do funk, misturados com batidas pulsantes e melodias envolventes da música eletrônica moderna. E a estética futurista desse projeto está presente tanto nas músicas quanto na arte visual criada pelo talentoso @Visualbypivete.


O "Future Baile" é um convite para você explorar novos sons e se deixar levar por uma jornada musical que ultrapassa todas as fronteiras. Então, aperta o play e vem curtir essa experiência incrível! Vale ressaltar que o conteúdo de ‘’Future Baile’’ possui músicas para serem ouvidas em um ambiente livre e sem julgamentos visando somente a diversão e a valorização da cultura musical do baile funk. Definitivamente, o linguajar é inapropriado para menores de 18 anos.


Tracklist:


1. Joga Pro Morgue One - ANTCONSTANTINO, MC Copinho, DJ Java


2. Taleko Meu Marrento - MC Jhenny, Taleko, DJ Java


3. Marshmello na Rave da NH - MC Luizinho, Marshmello, DJ Java


4. Pulei o Paredão - L7nnon, Biel do Furduncinho, MC Daniel, DJ Java


5. Tropa do Garage - TZ da Coronel, Float Points, DJ Java


6. Vai Novinhan - Dyamante DJ, Grandtheft, DJ Java


7. Pike Safadinha - Pique Raro, Illuzionize, DJ Java (Bônus)


Ouça “Future Baile” no SoundCloud e no YouTube, clicando aqui.



Fotos: @mv.scampos @sereiafro @safo_fotografia



 
 
 
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