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Recentemente, passei um tempo sem conseguir ouvir músicas. Não só havia uma dificuldade em apreciá-las, mas também em me concentrar nas melodias. Algumas músicas eu simplesmente evitava, pois despertavam sentimentos e imagens do passado. Considero isso uma das maiores magias que a música evoca, um 'abre-sésamo' nas emoções, seja amor ou raiva, alegria ou tristeza. A música pode nos deixar reflexivos sobre uma situação, tem o dom da imersão; através dela, consigo acessar memórias e sensações que acreditava estarem perdidas. Na minha humilde opinião, um dos sentimentos que melhor dialoga com a música é o amor.


'De: Para:' (2023), de Sant'Clair Araújo Alves de Souza, conhecido como Sant e originário de Pilares, é um álbum que evitei ouvir por alguns meses. O álbum constrói tríplex nos cérebros dos românticos, tem o poder de aquecer o coração, mas também pode congelar.

É nítido que amar não é sofrer, porém não podemos negar que o amor é um sentimento difícil de lidar, e que, em alguma medida, também causa sofrimento. Existem milhares de gêneros, temas, discos, filmes, quadros, poemas e outras manifestações artísticas que tratam do amor. Nos últimos anos, as 'Love Songs' voltaram com força para a cena do Rap Nacional; na verdade, o amor sempre esteve presente. Sant, cujas canções mais destacadas são 'Dizeres' e 'Poesia Acústica 3: Capricorniana', tem a habilidade única de falar sobre seu íntimo. Em seu álbum anterior, 'Rap dos Novos Bandidos' (2021), fomos agraciados com 'Pertencente ao Crime', uma música que expõe toda a problemática e contradição do amor bandido. Em 'De: Para:' (2023), na faixa que inicia o álbum, intitulada 'Seu', nosso 'cria' de Pilares já expõe toda a temática do álbum: falar do amor platônico, do amor recíproco, do amor próprio e seus desafios. Levando em consideração o contexto que o autor da obra e suas vivências trazem.


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Antes de concluir, vamos falar sobre 'Nunca Mais', quinta faixa do álbum, que, em minha humilde opinião, é como um manifesto do amor próprio de Sant. Essa música me lembra de uma época em que eu colocava meus limites à disposição, tempo em que minha maturidade não estava tão elevada. Eu me colocava em situações que apenas me machucavam mais e, nesse processo, acabava machucando terceiros. 'Nunca Mais' é um grito, uma promessa, uma canção de redenção, um sopro de maturidade e amor próprio.


O álbum conta com diversas participações de artistas de gêneros diferentes, como R&B (Chris MC, Muse Maya), MPB (Tiê e Luedji Luna) e Rap (Vandal, Tiago Mac, Young Dolffo). Sant é um dos melhores de nossa geração. Ouça 'De: Para:' (2023) de Sant e LP Beatzz em todas as plataformas digitais."




 
 
 

Resenha de Marcelo Gomes

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Brasil

Direção: Renata Pinheiro

Roteiro Sérgio Oliveira, Renata Pinheiro

Elenco: Matheus Nachtergaele (Zé Macaco); Adélio Lima (Josenildo), Luciano Pedro jr. (Uno); Juliane Elting (Mercedes); Tavinho Teixeira (Deputado Audileyson); Okado do Canal (Pato)

Gênero: Ficção científica

Lançamento 30 de junho de 2022

Duração: 1h 37min


SINOPSE: Uno é um jovem menino que tem a estranha habilidade de conversar com carros desde sua infância. Um dia, as autoridades políticas de sua cidade passam uma lei que pode fazer com que a empresa de seu pai venha a falir. Com a proibição da circulação de carros antigos nas ruas da cidade, Uno recorre ao seu melhor amigo de infância: um carro. Junto com seu tio, Uno transformará um simples automóvel no Carro Rei - um carro que pode falar, ouvir e ter sentimentos.


O filme brasileiro Carro Rei, grande vencedor do Festival de Gramado 2021 dos 'Kikitos' de Melhor Filme, Melhor Direção de Arte, Melhor Som, Melhor Trilha Sonora, e do Prêmio Especial do Júri para a memorável atuação de Matheus Nachtergaele, conta uma história peculiar envolvendo um carro antigo e a relação de seus personagens com esse veículo.



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Numa abordagem original, o filme possui um ar de ficção científica em torno de um carro antigo que é mais do que apenas um veículo. O tio Zé Macaco inventa uma forma de dar voz ao veículo e assim qualquer um consegue se comunicar com ele. É a partir desse ponto que a influência do automóvel ganha forças, transformado numa máquina senciente capaz de ter emoções e conversar, tornando-se um elemento central na vida dos personagens. O roteiro apresenta algumas estranhezas como a jovem Mercedes que transa com o Carro Rei numa performance cyberpunk. Essas e outras ideias, proporcionam um ponto de partida interessante para explorar temas como nostalgia, amor pelo automóvel e as relações humanas. Além disso, outro tema interessante abordado em “Carro Rei” gira em torno da dependência das máquinas e como nós nos conectamos com a tecnologia.


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Em nossa sociedade, muitas cidades tem os automóveis como prioridade e status sociais em detrimento do transporte público sucateado. Isso nos leva a reflexão sobre a individualização dentro da comunidade e também como o governo prioriza aqueles que têm mais dinheiro. A inclusão da lei (no filme) em que os veículos podem ter apenas 15 anos de uso, piora ainda mais essa relação, pois deixa o uso dos carros mais elitista. Então entra a questão da luta de classes, fio condutor da trama de “Carro Rei”, onde a reforma dos veículos é uma forma do “jeitinho brasileiro” de burlar as leis.


Em resumo, "Carro Rei" mergulha em várias questões sociais e psicológicas que podem ser complexas, explorando como objetos que influenciam a vida e a identidade das pessoas, além de como as relações interpessoais são afetadas por esses elementos. Essas temáticas oferecem uma oportunidade para o público refletir sobre questões mais amplas relacionadas à memória, identidade, resistência à mudança e outros aspectos da experiência humana.


 
 
 

Por Iago Menezes aka Pivete @Visualbypivete




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No último domingo, dia 1º, fui à exposição "FUNK: Um Grito de Ousadia e Liberdade", em cartaz no Museu de Arte do Rio (MAR) até 24 de julho de 2024. A mostra apresenta mais de 100 artistas brasileiros e estrangeiros, exibindo quase mil obras que fazem referência ao contexto do funk carioca. Conta com consultoria da histórica funkeira Deize Tigrona. A exposição busca narrar a história do funk e sua sonoridade. Ao passar pela catraca que marca o início da visita, somos confrontados, logo no começo, com a visão correta de que o funk é fruto da cultura popular de um povo majoritariamente negro e periférico. Duas projeções se confrontam e abrem espaço para uma comparação: do samba dos passistas de carnaval até o passinho do funk, existem grandes semelhanças que explicitam a influência e a história desse movimento, igualmente criminalizado e estigmatizado por envolver corpos negros. Porém, ambos são apropriados, romantizados, popularizados e ressignificados a serviço do capital.


Mesmo em um dia chuvoso, a exposição estava movimentada e a chuva não inibiu as pessoas de visitá-la. O MAR estava bastante agitado. Destaquei a beleza dos "bombs" iluminados por luzes negras que nos guiam para os outros núcleos da exposição. Lá são apresentadas a influência da cultura Hip Hop no funk. Não podemos esquecer do Miami Bass, que é um subgênero do Hip Hop que se popularizou nos EUA e serviu como base para o início do Funk Carioca. Assim como os Bailes Blacks, a música funk de James Brown, as referências trazidas por Tim Maia e o Movimento Black Rio, entre outros, serviram de referência para o funk na cidade maravilhosa.


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Nessas quase mil obras espalhadas por 11 núcleos que dialogam entre si, conseguimos perceber o funk como uma potência para o empoderamento feminino, negro e LGBTQIAPN+; uma ferramenta de valorização da cultura negra e periférica; um gênero criminalizado; uma sonoridade que ultrapassa as fronteiras da favela.

Ainda no MAR, visitei a exposição "Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os Brasileiros", em parceria com o Instituto Moreira Salles, que apresenta mais de 400 obras e aborda a história da escritora, compositora, cantora e poetisa brasileira Carolina Maria de Jesus, também negra e de origem periférica. Seu livro de estreia, "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada", publicado em 1960, foi impactante para mim quando o li pela primeira vez na biblioteca do Ciep Brizolão, onde cursei todo o ensino fundamental e médio. Não havia lido nada semelhante antes; na verdade, não tinha ideia de que pessoas como eu poderiam escrever livros, muito menos publicá-los. Através das linhas daquele livro, percebi que a vida poderia ter sido muito mais injusta e miserável, mas também encontrei esperança de um dia ter minha própria voz, de ser alguém.


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Carolina Maria de Jesus, uma mulher negra da favela do Canindé, na Zona Norte de São Paulo, que sustentava a si mesma e seus três filhos como catadora de papel, superou todas as adversidades e publicou um livro que vendeu mais de 400 mil exemplares, foi traduzido para treze idiomas e distribuído em mais de quarenta países. Ela foi alguém. Lembro-me de subir e descer o morro barrento, de limpar o tênis nas poças de água e na grama. Recordo-me dos dias lendo aquele livro que mais parecia uma grande poesia na biblioteca da escola. Foi lá que li meus livros favoritos: "Cidade de Deus", de Paulo Lins, "Capão Pecado", de Ferréz, e "Quarto de Despejo", de Carolina. Livros escritos por negros, periféricos, como eu. Acho que foi perfeito ter as duas exposições abertas no mesmo local, pois o funk também é uma ferramenta de denúncia, assim como as páginas do diário de Carolina. O funk é político, periférico, negro, criativo e revolucionário, assim como nossa escritora do Canindé.

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Nesse mesmo dia no MAR, debaixo de chuva, em uma tarde fria de domingo, antes de explorar a exposição, ao comprar o ingresso, recebi um cartão do "Curta!On", uma plataforma de streaming de documentários, que me presenteou com um mês grátis de acesso à plataforma. Ao chegar em casa, logo decidi estrear, afinal, quando se ganha algo de graça sendo pobre, é realmente especial. Assisti à série documental "Balanço Black", cujo segundo episódio intitulado "Família Black" conta a história de como Toni Tornado venceu o Festival Internacional da Canção (FIC 1970) com "NA BR-3" e deu início ao movimento "black power" brasileiro. Além disso, mostra como, no mesmo festival, surge a primeira banda black brasileira: Dom Salvador e Grupo Abolição, que foram influências diretas e indiretas para o Funk carioca. O documentário de Flávio Frederico é notavelmente rico e de uma qualidade espetacular. Foi exatamente a inspiração que eu precisava para escrever este diário. Toda essa experiência foi compartilhada com uma pessoa muito especial que conheci recentemente, tornando esse dia ainda mais memorável e facilitando a escrita destas palavras.


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"Diário do Pivete" é o meu diário, uma etnografia das minhas vivências pela antiga capital do Brasil.

 
 
 
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