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  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 20 de nov. de 2023
  • 5 min de leitura

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Entre o céu e o inferno encontra-se o negro brasileiro que busca apenas um cantinho no mato só seu, ouvindo o som do riacho, correndo atrás da sua pretinha ao som de Djavan. Você deve estar se perguntando: “Sério mesmo que ele disse isso no Dia da Consciência Negra?” Deve estar me julgando: “Sério que ele disse que quando criança queria ser branco?” Sim, por alguns anos da minha vida, eu quis ser branco. Ser preto sempre foi associado ao lado ruim; meus pais brincavam sobre "clarear" a família. O grande intelectual das relações étnico raciais brasileiras, Munanga, já explicou que o “embranquecimento”, que já foi um instrumento publicamente apoiado pelo Estado Brasileiro, não acabou com os pretos, mas destruiu toda a sua subjetividade.


Eu quis ser branco. Ser preto era ruim demais; tudo de negativo era atribuído à minha cor. Na minha cabecinha de criança, ser preto consequentemente me tornava pobre. Ser pobre é um saco; por muitos anos, sonhei em ter um computador da hora que desse para jogar os games do momento. Só consegui aos 27 anos; antes disso, me sentia atrasado, como se largasse em último na corrida da vida, na corrida da meritocracia. Pobre, preto e marginal. Agora, eu adoto com gosto a marginalidade, mas por muito tempo me fez ser ansioso, imediatista e consequentemente fatalista. Baixada Fluminense, Belford Roxo, Bom Pastor. Tiroteios, assaltos, polícia, bandido, traficante, milícia e muitas mortes. Ver meus amigos morrerem e se tornarem invisíveis, mortos duas vezes, concretamente e simbolicamente, vivo somente na lembrança dos familiares, às vezes nem se tornam números.


Os olhares sempre me perfuraram o mais fundo possível. Por muito tempo, andei de cabeça baixa, não falava, buscava a invisibilidade. Passei boa parte do meu ensino médio assim, com medo de morrer, de fracassar, de apanhar, de estar no lugar errado na hora errada. No concreto projetado por Niemeyer e pensado por Darcy, eu vi nos livros da biblioteca, que abria uma vez por semana por falta de funcionários, uma visão crítica do mundo. Nos livros de Paulo Lins e Ferréz, vi que minha realidade não era puro acaso, que eu não deveria querer ser branco, que minha cor é única e também é protagonista desta história. Com o tempo, fui questionando tudo, ficando puto com um mundo que só me maltratava. Comecei questionando o ambiente escolar, decidi que seria presidente do grêmio; precisava lutar pelas outras crianças. Comecei a acreditar que poderia mudar o mundo. Virei presidente, refundei a entidade municipal com meus colegas, organizamos uma manifestação que mobilizou mais de dez mil pessoas. Sobrevivemos, mas o medo de morrer sempre esteve ali.


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Beatriz Nascimento, em seu ensaio “Racismo na Mídia”, aborda como a televisão é um grande instrumento de reprodução de estereótipos e representações negativas sobre pessoas negras. Ela utiliza o seriado Sítio do Pica-Pau Amarelo [1977-86] para explicitar essa caracterização negativa atribuída ao negro. Ao questionar uma criança preta que assistia o seriado sobre qual personagem era seu preferido, a criança enumerou todos os personagens, menos os negros, especificamente a Tia Nastácia, a qual resumiu como “medrosa” e “boba”. Obviamente, estamos falando de uma obra de um eugenista; Monteiro Lobato foi um escritor que simplesmente teve um livro proibido de ser publicado nos Estados Unidos por ser racista demais para o povo norte-americano, e olha que estamos falando da década de 1920, o infame livro “O Presidente Negro”.


Eu não queria ser branco por achar a cor branca bonita; na verdade, eu queria ser aceito. Mais profundo ainda, eu queria conseguir me aceitar. Na minha ótica de fodido, sem ter tanto letramento racial como agora - e ter certeza da minha próxima afirmação -, mas na minha cabeça, ser branco era muito mais fácil. Ser preto é uma miscelânea de preocupações: ficar pobre, morrer, medo de fracassar, de não conseguir ajudar seus pais. Uma porrada de obrigações prematuras e de oportunidades tardias. Toda vez que rolava tiroteio lá em “Bel”, eu me escondia no banheiro, ficava me protegendo nos azulejos e planejando uma vida fora daquela loucura. Ficava muito preocupado com minha mãe, que tinha que descer o morro às 4 da manhã para ir trabalhar, esperar o ônibus nas ruas desertas de Bom Pastor; até hoje é a mesma rotina, que Deus continue a abençoar minha rainha.


Por muito tempo, o sofrimento da minha mãe não foi uma questão central em minha vida; eu naturalizei algumas situações, o estranhamento foi construído. Quando vi situações antigas com outros olhos, com um pensamento mais crítico, entendi o sofrimento que aquela mulher negra passou para criar dois filhos na Baixada Fluminense. Ela sem pai, vinda de Itaperuna, sem estudo, conseguiu, na base de muita garra, criar seus filhos e viver dignamente. Fez supletivo enquanto trabalhava de copeira, andava mais de trinta minutos a pé depois do trabalho para conseguir chegar no cursinho e se formou técnica em enfermagem. Vi uma postagem outro dia que me fez questionar muita coisa... Por muito tempo, acreditei que minha mãe não gostava de Fast Food; ela sempre comprava o nosso e, na vez dela, dizia que não estava com fome. Depois que descobri que ela fazia isso por falta de grana, entendi o quanto era abençoado por ter aquela mulher como mãe.

Tem coisas que a "branquitude" nem tá ligada, que em seus pactos narcísicos não chega, uma astúcia que temos de berço. Quem nasceu sem nada, com fome de tudo, não se abala tão fácil. Eu passei por todas essas situações difíceis, mas continuei de pé. Busquei cada dia ser mais eu, entender de onde vim, quem represento, quem vestiu essa cor antes de mim. Comecei a ler, questionar; entre Fanon e Guerreiro Ramos, há muita lenha para queimar. Entendi da branquitude, do colonialismo, das amarras do genocídio e da violência estatal, sua necropolítica. Tenho orgulho demais da minha cor, do meu povo. Orgulho de ser um homem preto que tem consciência do que ser preto representa. Zumbi, Dandara, Luiz Gama, Machado de Assis, Leila Gonzales, Abdias do Nascimento, entre outros. Dizer sobre meu desejo infantil de ser branco é denunciar o racismo que atribui um caráter negativo para a negritude.


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Uma das maiores felicidades que carrego é ter a possibilidade de ouvir de muitas pessoas que fui um dos primeiros a falar sobre empoderamento racial com elas, sobre a necessidade delas buscar um letramento mínimo sobre o assunto, para se empoderar não só esteticamente, mas também do pensamento negro. Entender que todos os avanços, que ainda são poucos, mas necessários, que tivemos nos últimos anos são resultado de inúmeras lutas do movimento negro brasileiro. Que nossas crianças nunca desejem ser diferentes do que são só para serem aceitas, que nunca reneguem sua cor por conta de um sistema que mata, criminaliza e humilha o nosso povo. Por um dia 20 de novembro, sem nenhum corpo negro estirado no chão, por uma reivindicação de consciência para eles, pois para nós nunca faltou. Fé.


 
 
 

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Faz tanto tempo que falamos sobre o aquecimento global, efeito estufa e mudanças climáticas. Quando eu tinha 16 anos, fiz um curso de Meio Ambiente na Estácio. Naquela época, já se falava bastante sobre o assunto. Lembro que o Fantástico era efusivo; aproveitou a pauta e bombardeou os lares brasileiros com a alarmante notícia de que nossa existência como espécie estava em risco.


Mas nada mudou; o tempo passou. As consequências do capitalismo predatório, sua poluição, seu descaso com o meio ambiente e seu desprezo pela vida bateram à porta. Recentemente, li uma notícia que me fez soltar aquele "arzinho" pela boca. Um dos maiores poluidores e destruidores do planeta, imperialista, que faz guerra na mesma quantidade que faz "Big Mac’s," está sofrendo uma onda de calor extrema causada por mudanças climáticas que o seu governo insistiu por muito tempo em negar.


Vou soltar aqui uma pergunta meio óbvia: Quem vai se ferrar mais com as consequências das mudanças climáticas no Brasil?


Pessoas em situação de rua são uma das maiores vítimas dessas mudanças climáticas extremas. A periferia brasileira será também uma das grandes impactadas pela falta d'água, ondas de calor, tempestades. Já estamos cientes das catástrofes ambientais, que, há algum tempo, estavam mais presentes em outros países e que se tornaram um problema rotineiro na vida dos brasileiros. No ano passado, o Instituto Trata Brasil (ITB) divulgou um relatório sobre o saneamento básico no país, mostrando dados alarmantes sobre a desigualdade presente no país tropical.


São cerca de 35 milhões de cidadãos brasileiros que enfrentam a falta de acesso à água potável, enquanto quase 100 milhões carecem de sistemas de coleta e tratamento de esgoto. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam que aproximadamente 4 milhões de pessoas não têm acesso a instalações sanitárias adequadas. No estado do Rio de Janeiro, o índice de atendimento urbano com redes de esgoto em 2021 foi de 68,3%, revelando uma deficiência no sistema de saneamento básico estadual. Os serviços de assistência sanitária estão predominantemente concentrados nos bairros mais privilegiados da capital.


Quem trabalha na rua, de forma autônoma, cerca de 30,2 milhões de empregadores e trabalhadores, sendo em sua maioria, 65,8% deste total atuam na informalidade, segundo o relatório do IBGE de 2022. Pessoas que são castigadas por esse calor extremo que cozinhou o Rio de Janeiro nesses últimos dias, um calor que não só queima, mas também mata. Pessoas em sua maioria negras e pobres. Até aqui, a questão racial é importante para entender. Existe uma coisa chamada Racismo Ambiental, que, no grosso, é que no processo de extinção da humanidade causada pela ebulição global, as minorias vão "arrastar para cima" primeiro. Raça e classe são de extrema importância para entender que são eles que enriquecem degradando o planeta e nós que vamos sofrer as consequências de uma forma mais explícita. Até porque super ricos têm ar condicionado até na cavidade anal.


Agora, vamos falar de um assunto polêmico para alguns, sobre o sistema prisional brasileiro que em breve vai ser privatizado pelo bem do capital. Imagina o que aquelas pessoas, acima de tudo, seres humanos, estão sofrendo em celas superlotadas e com condições minimamente insalubres. E aí você pode dizer: "Mas são criminosos, merecem ser tratados assim mesmo, tá com pena, leva para casa." O nosso país, que para algun$ é o celeiro da impunidade, tem 812 mil presos, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e boa parte deles não foi julgada ainda; cerca de 41,5% (337.126) são presos provisórios. Desses presos, 68,2% são negros, 444.033 pessoas, segundo os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, gente que só vai sair pior, pois como ressocializar alguém tratando pior do que bicho.


Vou lançar um clichê, aquele filme, "Não olhe para Cima" (2021) do diretor Adam McKay, é um retrato fiel de boa parte da humanidade, que só vai se movimentar quando tiver um meteoro beirando a borda do c@. Sim, eu sei que não temos muito o que fazer, essas decisões estão nas mãos de poucos, o poder de ação também, mas se a gente ficar fingindo que nada está acontecendo, nem um paliativo vai rolar, e nós vamos torrar. É nítido que aqueles que decidem como as coisas vão ser estão em suas mansões, carros de luxo, iates, jatinhos, entre outros bens de luxo climatizados; logo, a mudança não virá por eles.



Eu sofri bastante com o calor nesses últimos dias, descobri uma urticária colinérgica, por conta do suor e do calor. O Rio de Janeiro bateu recorde de sensação térmica com 59,3°C, de rachar o bico. Vimos o capitalismo mostrar suas garras da ganância mais uma vez, ceifando a vida de uma jovem que só queria ver o show de sua artista preferida. Favelas e bairros inteiros sem energia elétrica, como foi o caso da Rocinha, e diversos lugares pelo Estado do Rio de Janeiro. Ficou mais explícito que o mundo está cozinhando, e nós somos os ingredientes desta sopa. O que podemos fazer para resolver esse problemão que a ganância de alguns causou? Não sei, só sei que já passou da hora de acordar.


 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 16 de nov. de 2023
  • 5 min de leitura

Ser negro no Brasil é no mínimo insalubre.



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Sempre tive medo de morrer prematuramente; ser negro e viver na Baixada Fluminense sempre foi, em minha perspectiva, um terreno propício para não ultrapassar os 20 anos. Chegar aos 27 foi uma surpresa. Não estou exagerando; em muitos momentos, pensei que minha vida seria interrompida por uma bala perdida ou por circunstâncias violentas. Durante os inúmeros tiroteios que testemunhei em Belford Roxo, várias vezes pensei que aquele seria meu último dia nesta existência.


Kendrick Lamar, rapper norte-americano considerado por mim e por muitos um dos melhores e maiores artistas vivos, aborda o medo que permeia a vida de um jovem negro nos EUA ou aqui no Brasil em sua música "Fear", do álbum "DAMN" (2017). Kendrick descreve três momentos distintos de terror que ocorreram aos seus 7, 17 e 27 anos de idade, desde o medo de fazer algo errado e levar uma surra da mãe aos 7 anos, até o medo de morrer jovem pelas mãos da violência em Compton, cidade onde o rapper nasceu e que enfrenta altos índices de violência. Incluindo o medo de perder a vida que conquistou aos 27, o medo de perder seu talento e o medo do fracasso. A violência e o medo são presenças constantes na vida do negro.


Poverty's paradise
I don't think I could find a way to make it on this earth
(I've been hungry all my life)

O paraíso da pobreza
Eu não acho que possa encontrar um jeito de sobreviver nessa terra
(Tive fome a minha vida inteira)

Fear. Kendrick Lamar



Não precisamos ir tão longe para compreender como a violência, em suas diversas formas, impacta a vida dos jovens negros. Canções que ouço com frequência, como "Rubi pt 2" do artista da Baixada Fluminense, Mauí, abordam o contexto violento da região. Através de suas experiências, percebemos como a carne negra é a mais barata do mercado.

“E que o som da AK de madeira pra nós é tipo um sax
Eu tento expulsar de mim, mas essa dor não sai
Desde pequeninin, acho que é porque eu cresci sem pai
Sangue é ódio purim, sem amor até demais”

Rubi pt 2 - Mauí



VND, em seu primeiro álbum intitulado "EU TAMBÉM SOU UM ANJO" (2021), aborda temas como a violência policial e o preconceito enfrentado pela sociedade, contribuindo para construir um imaginário social sobre estar à margem de uma sociedade que busca invisibilizar, muitas vezes através da morte. No single "Da Silva", lançado pelo projeto "Retrato" do azn.studio, o rapper apresenta uma espécie de remake de "Rap da Silva" de Mc Bob Rum, mas desta vez sob a perspectiva de um jovem que encontra refúgio na violência, uma realidade comum nas favelas do nosso país.


“E você não entende o quanto isso fere, nego
Fede, nego
Merdas com cheiro de flor vem pra confundir vagabundo
Seu sobrenome Da Silva não serviu de nada a polícia passou do ponto
Problemas estruturais esse nego tá em falta nunca mais rezou pro santo…”

VND - Da Silva



A arte é uma das formas mais eficazes de denunciar a violência que os corpos negros enfrentam diariamente nos becos e vielas do Brasil. Deus é um ser bastante irônico, nos colocou em uma realidade onde nós nos tornamos os inimigos, os marginalizados, os excluídos e invisíveis. No terceiro mundo, jovens negros são mortos freneticamente, tantos que para muitos isso se torna natural. Os jornais policialescos que transbordam sangue diariamente retratam-nos como descartáveis, pois, para eles, somos todos iguais: pretos, pobres e potenciais marginais.



Recentemente, retomei o hábito de consumir os jornais que passam diariamente na televisão aberta de nosso país, especialmente os da cidade maravilhosa, onde moro. Com surpresa, o âncora do programa jornalístico relata uma pesquisa recente que aponta que "no Rio de Janeiro, uma pessoa negra é morta a cada 8 horas e 24 minutos" por agentes de segurança, conforme o boletim "Pele Alvo: a bala não erra o negro", divulgado pela Rede de Observatórios nesta quinta-feira (16). A notícia chocante, no entanto, não causa espanto a ninguém. Eu até achei o boletim bastante otimista; somente a cada oito horas? Na minha concepção, seria a cada minuto, no máximo a cada hora, já que somos exterminados em um processo estruturado de limpeza social que persiste desde que fomos sequestrados e escravizados por mãos brancas. Agora, essas mesmas mãos brancas, de maneira indireta, buscam exterminar o povo que trouxeram à força para cá. A certeza da morte é universal, mas para nós negros, é mais tangível.



Presenciamos um jovem negro sendo perseguido por um homem armado ao lado de uma policial militar "de folga" que se recusa a intervir, pois, obviamente, acreditam que se alguém está apontando uma arma para um negro, é porque ele fez algo errado. Como o roteiro da distopia tropical brasileira é escrito por um destino irônico e sádico, foi revelado por um levantamento da Uneafro Brasil que o homem armado que perseguia o jovem negro era um policial civil chamado Paulo Hyun Bae Kim, que havia sido alvo de inquérito policial por agredir a mãe com um disparo de arma de fogo em 2014 e que também foi denunciado por sua irmã.



Recentemente, assisti ao documentário "Rio de Medo" (2018), dirigido por Ernesto Rodrigues, que apresenta o contexto da segurança pública carioca através do olhar dos policiais. No filme, é evidente o processo tóxico de construção desses agentes, muitos deles pobres e negros, que adotam um discurso de guerra, onde seus iguais são vistos como inimigos a serem exterminados. Esse processo violento e doutrinário transforma essas pessoas, muitas vezes, em indivíduos sádicos e apáticos, que temem corpos negros, acreditando que a violência emana dessas pessoas. Um dado apresentado no documentário que particularmente me assustou foi o fato de que a "PM do RJ tem 16 mil militares afastados das ruas, sendo metade por licença médica", muitos deles devido a questões mentais. Não buscando justificar nada, mas é crucial examinar nossa realidade com profundidade.



O Relatório "Pele Alvo: a bala não erra o negro" (2022) da Rede de Observatórios da Segurança explicita o genocídio que nosso povo sofre; os números de pessoas pretas e pardas mortas devido à intervenção do Estado em 2022 representam mais da metade dos casos. Ao todo, 2.770 negros foram vítimas, dentre as 4.219 mortes registradas. No Rio de Janeiro, a situação é alarmante e, infelizmente, não difere do restante do país, com 1.042 pessoas negras mortas entre as 1.330 vítimas da violência nas terras fluminenses. Bahia e Rio de Janeiro respondem por 66,23% do total de óbitos. Torna-se evidente que ser negro no Brasil é, no mínimo, insalubre, com um grau extremamente alto de periculosidade.


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Assim, Kendrick, Mauí e VND utilizam a música como uma poderosa arma de denúncia e libertação. Esses três homens negros, provenientes de contextos violentos e origens precárias, poderiam facilmente ter se juntado às fileiras do crime organizado ou terem se tornado mais uma vítima após roubar em busca de subsistência. No entanto, optaram por se tornar resistência, transformando-se em artistas que utilizam sua arte para conscientizar e denunciar as tragédias que ocorrem diariamente em nossas favelas, periferias, vielas, guetos, etc. Essa opção não está disponível para todos; muitos se encontram desamparados, sem estrutura, na luta pela sua sobrevivência. No final das contas, ser negro, de Belford Roxo, ter concluído a graduação, estar no mestrado e ter alcançado os 27 anos é um privilégio. No entanto, ainda é cedo para comemorar. O maquinário do genocídio segue a todo vapor.



 
 
 
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Todos os Direitos Reservados | Revista Menó | ISSN 2764-5649 

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