top of page
  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 8 de fev. de 2024
  • 4 min de leitura


A policia covarde vai matar qualquer um !

Hoje, quinta-feira, 8 de fevereiro, um dia antes das ruas do Rio de Janeiro se encherem de foliões para aproveitar mais um final de semana de carnaval, novamente as ruas foram cenário de tragédia. A alguns quilômetros do cartão postal, na extensa Avenida Brasil, a segunda maior do Brasil, um jovem foi brutalmente assassinado à queima-roupa pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, enquanto participava de uma manifestação pelo fim de uma operação que já durava horas, causando transtornos a estudantes, moradores e trabalhadores locais. Por sorte, tudo foi registrado em vídeo, expondo cenas chocantes e revelando um sadismo incompatível com uma corporação destinada à proteção, mas que, infelizmente, parece nascer para oprimir e matar.


O jovem desarmado, que levou uma coronhada sem qualquer motivo, foi atingido por um tiro de fuzil à queima-roupa. Em plena Avenida Brasil, sem qualquer chance de socorro, e tratado como um ser descartável que, aparentemente, merecia morrer simplesmente por pertencer àquele local e lutar por uma trégua no tiroteio. Um direito amparado pela lei, que garante a liberdade de manifestação pacífica, conforme estabelecido na Constituição.



Ao assistir ao vídeo por mais de três vezes, tornou-se evidente que o jovem estava dialogando com o policial, quando, sem justificativa aparente, este se aproximou, desferiu uma coronhada, apontou o fuzil e disparou, deixando o jovem ferido e caído na via pública, enquanto o sangue jorrava. Mesmo diante dos pedidos de socorro, o policial, ciente do que fez, simplesmente se afastou, entrou na viatura e foi embora.



A operação teve início durante a manhã, em meio ao retorno às aulas, que começaram no dia 5 de fevereiro. Vale destacar que a Maré conta com mais de 50 instituições de ensino público, abrangendo desde a educação infantil até o ensino médio. Fica evidente o descaso do governante Cláudio Castro, que, vivendo literalmente na Disney, parece ignorar tais acontecimentos. A prática habitual de invadir favelas durante o horário escolar, sem respeitar mulheres, crianças, idosos e jovens, reflete uma postura policial que considera todos os moradores como criminosos.


Colocam o nome de "Operação Emergencial", mas, na realidade, sua motivação é a proteção do patrimônio, pois foi desencadeada após a polícia receber denúncia de que um caminhão cegonha, transportando 11 carros, teria sido roubado na Avenida Brasil. Mesmo com sua importância e histórico de roubos e violência, essa via ficou fora dos planos da vigilância ostensiva da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que teve início ontem em trechos de vias federais na Região Metropolitana do Rio.




Apenas considerando os registros de disparos de arma de fogo — sem incluir assaltos, arrastões ou outros delitos que não envolvam tiros —, o Instituto Fogo Cruzado mapeou 184 incidentes na Av. Brasil, entre 5 de julho de 2016 e 5 de outubro de 2023, uma média de dois por mês. Nesse período, as estatísticas de violência deixaram um rastro de 43 mortos e 84 feridos.


Na América Latina, tanto nos períodos de regimes ditatoriais passados quanto na atual democracia, diversos governos recorrem a justificativas morais para apoiar políticas de segurança e repressão voltadas aos chamados "inimigos internos". Liliana Sanjurjo e Gabriel Feltran, em seu artigo "Sobre lutos e lutas: violência de estado, humanidade e morte em dois contextos etnográficos" de 2015, abordam essa lógica de "Guerra às drogas", "guerra ao crime", "guerra contra a subversão" e "guerra ao terror".



Dentro dessa perspectiva de guerra, onde inimigos internos precisam ser eliminados para garantir a segurança nacional, algumas vidas são destacadas, choradas e dignas de luto público, enquanto outras são negligenciadas - e mortas. A estas últimas, a comunidade nacional oferece o silêncio, seja porque são consideradas como os corpos que devem sucumbir em uma "guerra justa" (sendo rotulados como terroristas, delinquentes, subversivos, traficantes ou pertencentes ao crime organizado), ou porque são percebidas como alheias ao sentido de pertencimento a qualquer humanidade comum (sendo tratadas como monstros cujas ações ultrapassam até mesmo os limites do comportamento animal). (Sanjurjo e Feltran, 2015, p.40)


Infelizmente, essas últimas vidas frequentemente são representadas por jovens de periferia, negrous ou não, cujas mortes passam despercebidas pela mídia, sem acesso à justiça, restando apenas a dor dos amigos e familiares como testemunho de sua tragédia. Este é um cenário marcado pela invisibilidade, injustiça e desigualdade que perpetua o ciclo de violência e marginalização.



Hoje, foi esse jovem atingido por um tiro de fuzil à queima-roupa na Maré, uma tragédia que nem as câmeras dos moradores locais apontadas para o policial foram capazes de impedir. Contudo, essas mortes são mais rotineiras do que aparentam. Segundo a ONG Redes da Maré, em um levantamento colaborativo com moradores em 2022, das 27 mortes registradas durante operações policiais, em mais de 20 casos, houve indícios, conforme avaliação da Redes, de execução por parte dos agentes do Estado. Pessoas que já haviam se rendido e estavam desarmadas foram vítimas dessas ações. Além disso, o Instituto Fogo Cruzado revela que mais de mil pessoas morreram em ações policiais, com mais de 3 óbitos nos últimos 7 anos no Rio, evidenciando uma marca cruel dessa polícia que, lamentavelmente, tem o hábito de realizar chacinas, seja por vingança ou por diversão, escoradas na desculpa de que precisam reaver um patrimônio - no caso de hoje, carros de luxo.


A cada dia que passa, concordo mais com Acácio Augusto, que, em seu artigo, explicita o conceito de "periferias como campos de concentração a céu aberto". Torna-se evidente que essa operação, essa violência, é também uma forma de controle sobre corpos negros e periféricos. A cidade está repleta de turistas, gerando bilhões para os cofres públicos, e é claro que os agentes de repressão não permitirão que esses moradores de favela atrapalhem o maior carnaval do mundo.


Afinal, a Cidade é Maravilhosa, não é mesmo? Mas, maravilhosa para quem, e em qual região?


 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 25 de jan. de 2024
  • 4 min de leitura


ree

“Eu ainda tenho um coração”(2023); eu ainda sinto tudo aquilo que me aflige. Eu sou ainda aquele 'neguinho' de pé descalço, correndo atrás de pipa, cheio de medo de morrer nas mãos da polícia, porém agora tensionando a margem em busca da paz financeira que muitos herdeiros nasceram. E quando eu vencer, todos aqueles que estiverem comigo na falta vão estar presentes quando sobrar.


Se em 'Esculpido a Machado' (2021) Leall se apresenta para o público como um dos maiores letristas do rap nacional, expondo seu íntimo e todos os atravessamentos que compuseram a trilha sonora da sua vida, mas sempre preciso na ideia de que só nós podemos mudar nosso destino, mesmo quando estamos presos nas pedras amarelas, nos desfiles bélicos, entre a cadeia ou morte.


Em 'Eu ainda tenho um coração', ele já se apresenta como um rapper negro em ascensão, que mesmo com uma condição financeira melhor e sendo um dos rappers mais promissores da cena, sendo elogiado pelo KL Jay (Integrante do Racionais Mc’s), ainda passa pelas mesmas contradições, obviamente que agora com benefícios. Este álbum do Leall é uma leitura do que é ser um negro jovem, rico e famoso em seu nicho, em um país onde ser negro é no mínimo insalubre.





“Onde que nó taria?” Essas reflexões, de sempre buscar pensar além do que se passa diante dos seus olhos, são um dos maiores dons do Leall. Ele questiona tudo, tensiona a margem, reclama de um sistema que ele sabe que só convive em suposta harmonia, pois tem dinheiro suficiente para apaziguar a besta. E se as coisas não tivessem dado tão certo, onde estaríamos?



“Sensação de Liberdade” é um dos clássicos do álbum, do beat de Nagalli e Rocco até o feat, só tem perfeição. É sensação de liberdade, só sensação mesmo, pois na verdade é determinada pelo seu poder financeiro. Então, mesmo se sentindo livre, Leall sabe que se encontra escravo do dinheiro - talvez por isso a próxima faixa seja “Malefício do Dinheiro”. Leall é incisivo nessa, como em todas as outras. Ele conta um episódio de racismo que sofreu no aeroporto voltando de um show, onde ao comentar com o parceiro de selo “Big Bllakk”, o mesmo apontou que ter dinheiro não necessariamente te torna livre. Podemos entrar aqui em um grande debate teórico, mas o rap de Leall é autoexplicativo. BK entra na faixa de forma sensacional. Eu o considero o melhor rapper brasileiro; não ousaria nem comentar sua participação, ela fala por si só."



“Malefícios do Dinheiro”, “Sem Saudade”, “Interlúdio”, “O Crime e a Música” e “Disritmia” seguem a linha de Leall de observar as contradições e refletir sobre elas. Entre a pobreza e a riqueza, entre o microfone e a arma, correndo atrás de algo que é negado desde o berço.


Vivência Maldita é o resultado de todos aqueles demônios que não vão simplesmente para debaixo da terra. Podemos alcançar todos os nossos objetivos na vida, mas as marcas de uma infância recheada de violência, medo e ódio não se cicatrizam tão facilmente. Na faixa com a participação de Sain e scratches de Erick Jay, vemos que o que levamos da vida não são apenas as partes boas. Não adianta tentar preencher esses vazios, pois você ainda tem um coração.



Talvez ter um coração seja isso, seja sentir, mesmo que essas coisas não façam mais parte de sua realidade. Você sente, pois ainda carrega o mesmo coração da época em que viveu aquilo. Ele segue na mesma frequência de batida, mesmo que do lado de fora você seja uma pessoa diferente. Leall, como um bom idealizador de álbuns - um dom que muitas vezes é visto como preciosismo, mas que cria uma experiência única no consumo da obra - deixa ao final seu coração exposto. É aí que vamos nos deliciar com a melhor faixa do álbum, na minha humilde opinião.


A verdade é que, no fundo, tudo isso é sobre ego. Mesmo que tenhamos chegado até aqui sem nada deles, quando nós temos, somos equiparados àqueles que sempre tiveram tudo. “Besteira”, que facilmente pode ser uma lovesong, com um sampler lindíssimo de Bebel Gilberto cantando “Preciso Dizer Que Te Amo”, uma obra-prima de beat de Babidi, se transforma desde seu primeiro verso. Não é sobre os assédios das amigas quando se conquista os valores necessários para ser abusado. Eu sinto a vitória a cada passo, mas sei que ao tropeçar, eles estarão lá prontos para dar fim em mim. Eles vão te aplaudir lá fora, neguin', tenha cuidado. É tudo sobre ego. Vão falar que eu estou cego, sei que vão querer dar fim na minha felicidade em alcançar meus sonhos. Tudo isso é besteira. Um bom malandro sabe o que almeja. Um bom malandro sabe sambar.



“Eu ainda tenho um coração” com outro lindo beat de Babidi, onde sampleou “Que Nem Maré” de Jorge Vercilo, resume o conceito do álbum em dois minutos. “Medo de Quase Nada” é uma atualização de “Posso Mudar Meu Destino”. Agora temos medo de quase nada, pois ainda existem inseguranças que insistem em bater em nossa porta.


“Eu tô vivendo um sonho, preciso me agradecer pela coragem / Graças a cada perrengue, cada momento de dificuldade / Eu me lembro tão bem de todos os processos, de todas as fases / De todas as dores, todos amores e oportunidades, oi / Medo de quase nada, apenas de perder meu filho (Grr, baow) / De me perder pelo caminho e não saber voltar pra casa / De não saber fechar o ciclo e confiar em gente falsa / Eu sinto medo do destino, porque sou eu que escrevo as cartas…”


Para finalizar, Leall ainda tem uma pedrada no bolso: “Julho de 2001”, verdadeiramente um grito de liberdade, um grito de aceitação, de um entendimento de que mesmo com todas as contradições, somos guerrilheiros, a cada dia mais fortes do que no dia anterior. Somos frutos de luta, de conquista.


“Era julho de 2001, mais um neguinho na rua / Mais um filho de mãe preta, mais um de canela russa / Mais um sonhando com tudo, sem nenhum medo do mundo / Mesmo com as armas na nuca / Bem no meio da divisa, entre a palmeira e o muca / E eu peço perdão por todas às vezes / Todas as crises, todas as cicatrizes / Causada pela sede, o meu final vai ser triste / Sou como um peixe na rede, que enfrenta o medo e tentando fugir, resiste…”


Ouça Leall, “Eu Ainda Tenho um Coração” está disponível em todas as plataformas digitais.



 
 
 


ree

A internet tem sido palco da ações criminosas de indivíduos e grupos organizados que se aproveitam da escassa regulamentação dos ambientes virtuais para agir livremente. Obviamente que as maiores vítimas dessas ações são pessoas vulneráveis e minorias, como LGBTs, mulheres, negros, pobres, crianças, adolescentes e pessoas com deficiência.


Um dos primeiros casos que chamou atenção internacional foi o da jovem Megan Meier, de apenas 13 anos, que tirou a própria vida em 2006. No Brasil, ocorreu o caso de Júlia Rebeca, de 17 anos, que tirou a própria vida depois de ter um vídeo íntimo compartilhado nas redes sociais.


A Lei 12.737/ 2012, conhecida como Lei Carolina Dieckmann, é a primeira legislação que busca garantir a segurança digital dos brasileiros, tipificando os chamados delitos informáticos, pune crimes de calúnia, difamação, injúria, constrangimento ilegal, ameaça, falsa identidade e molestação e perturbação da tranquilidade.


Em janeiro desse ano o governo Lula sancionou a Lei 14.811/2024, que inclui no Código Penal a tipificação dos crimes de Bullying e Cyberbullying.


O texto defini bullying como intimidação mediante violência física ou psicológica, de modo intencional e repetitivo, por meio de atos de humilhação constantes. Também prevê agravantes caso o bullying seja cometido por mais de três autores, se envolver o uso de armas ou outros tipos de crimes.


O cyberbullying foca na intimidação da vítima por intermédio das redes sociais ou qualquer ambiente digital.


O crime de indução ao su1c1di0 pote ter a pena dobrada, a depender das circunstâncias. Também transforma em hediondos os crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ampliando a responsabilização de autores de atos de ped0f1l1@ ou relacionados a veiculação de imagens de menores.

 
 
 
logo.png
  • Branca Ícone Instagram
  • Branco Facebook Ícone
  • Branco Twitter Ícone
  • Branca ícone do YouTube

Todos os Direitos Reservados | Revista Menó | ISSN 2764-5649 

bottom of page