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Onze tiros. Foi assim que a vida de Gabriel Renan da Silva Soares, um jovem negro de 26 anos, foi arrancada por um policial essa execução reflete mais um capítulo cruel da violência do Estado contra corpos negros no Brasil.




Gabriel foi executado pelas costas, em um supermercado na zona sul de São Paulo. O motivo? O furto de barras de sabão. Esse crime, que deveria ser respondido pela Justiça, foi tratado pela polícia com a pena capital.


Fátima Guedes já cantou sobre outras vítimas de violência como Gabriel. Em Onze Fitas, a tragédia de um homem negro assassinado ressoa com a dor de tantos outros. 'Quantas vezes se leu nessa semana? Essa história contada assim por cima... A verdade não rima.' A música nos lembra que cada um desses nomes tem uma história, um significado, um luto.




Casos como o de Gabriel não são isolados. São consequências de um sistema que desumaniza vidas negras. Em 2024, os números mostram que o Brasil continua sendo palco de um genocídio negro. Cada tiro disparado reafirma um ciclo de opressão que atravessa gerações.


Gabriel não era só mais um. Era um irmão, um filho, um amigo. Como canta Fátima Guedes, 'Deus o livre morresse assassinado, pro seu santo não era um qualquer um.' Mas quantos Gabriéis precisarão cair até que as instituições entendam que suas vidas importam?


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A luta contra essa violência é antiga. Já na década de 1930, a Frente Negra Brasileira organizava uma resistência contra o racismo estrutural. Hoje, seguimos em busca de justiça, ecoando o grito de tantos movimentos:


É urgente lembrar que cada nome conta. A história de Gabriel não pode ser contada 'assim por cima'. Ele é parte de uma narrativa que precisa ser transformada. Para que mais nenhuma família precise enterrar seus filhos tão cedo. Para que, enfim, possamos dizer: a verdade agora rima.



 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 27 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

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Hoje, em 1995, às 4:20 da manhã de um domingo, em Belford Roxo, eu nascia. De lá para cá, foram 29 anos de lutas e conquistas em um país onde ser jovem, negro e periférico é, muitas vezes, carregar um alvo invisível no peito. Um país onde jovens negros têm quase quatro vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos. Sobreviver aqui, por quase três décadas, não é só resistência, é um ato de coragem diária.

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Ser negro e periférico no Brasil é viver em estado constante de alerta. É lidar com o medo como um companheiro involuntário, que molda a forma como você anda pela rua, como fala, como sonha. Pensando nisso, lembro-me de Kendrick Lamar em DAMN. (2017), o álbum que lhe rendeu o Pulitzer por capturar a complexidade da vida afro-americana moderna.

Uma faixa, em particular, ressoa fundo comigo: FEAR.. Dividida em três partes, a música explora o medo em diferentes fases da vida. Na infância, o medo das punições, das regras rígidas que parecem ser feitas para sufocar a liberdade. Na adolescência, o medo da violência — violência que muitas vezes vem vestida de farda ou carregada no olhar desconfiado de quem te vê como ameaça. E, na vida adulta, o medo de perder tudo: os sonhos, as conquistas, a fé.

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Produzida por The Alchemist, FEAR. é um mergulho visceral no trauma, na vulnerabilidade e na busca por significado. Kendrick transforma as cicatrizes de sua própria vivência em reflexões que ecoam pelo mundo, consolidando DAMN. como um dos maiores clássicos do rap. É uma obra que nos ensina a olhar para o medo não como fraqueza, mas como parte da jornada.

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Eu, por outro lado, não sei se meu maior medo é perder tudo. Talvez, seja o de não conquistar o que acredito merecer. Talvez, o mais duro seja admitir que, às vezes, isso não depende só de mim. Que, em um sistema estruturado para nos diminuir, ser negro significa lutar contra algo muito maior do que você.


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Mas enquanto eu estiver aqui, a luta continua. Porque cada conquista, cada passo dado, é prova de que somos mais do que as estatísticas. É prova de que merecemos tudo aquilo que o mundo diz que não podemos ter. E eu vou buscar o que é meu. Porque ser negro e viver 29 anos neste país já é, por si só, uma revolução.


 
 
 

Xari nos entrega mais uma novidade que promete mexer com nossos sentidos. Seu novo trampo, "Cordas", é uma jornada profunda sobre laços e manipulações, tanto energéticas quanto sonoras. O cria de Duque de Caxias se desafia nesse EP, explorando novos horizontes e mostrando porque este projeto tem tanta relevância.


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Originalmente pensado como um álbum, os planos mudaram. Em uma mini-entrevista, Xari revelou que, se demorasse mais para lançar, acabaria começando algo do zero e deixando o material de lado. Essa urgência se reflete nas faixas, que trazem liberdade e controle como temas centrais, discutindo nossa percepção sobre situações onde temos algum grau de comando, mesmo quando tudo parece inevitável e imprevisível. "Cordas" é um nome simbólico, remetendo às forças invisíveis que nos guiam como marionetes, muitas vezes sem que percebamos, como ele mesmo destacou.


No EP, Xari brilha com versos cheios de camadas. Em "Só Peões", ele fala sobre ser direto em suas relações, enquanto a vida o testa como em um “jogo de xadrez”. Já em "Cadê", a resiliência é tema central: elogios não bastam para seguir na carreira; é preciso discernir entre o que é real e o que é falso. Rojão, que participa da faixa, reforça a importância de manter a essência em um cenário cheio de “falsos contatos”. Uma das linhas mais impactantes do EP surge em "Ruas Vazias", onde Xari diz: “Labirinto nunca é o problema se tu não quer ver a saída”. Essa frase encapsula a postura combativa do artista, que faz referências ao clássico A Arte da Guerra, de Sun Tzu, citado na música.





Abordando preconceito como ferramenta de controle, Xari convida Dubfort7e para "Baila Vini Jr", uma faixa que transcende o pedido do Hexa e confronta questões raciais e históricas. Com referências ao futebol e à ancestralidade, a letra é um verdadeiro grito de resistência, reforçando que, quando mais “Vini Jr’s” chegarem ao topo, será impossível ignorá-los.



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Outra parceria marcante é com Drako, em "Mantém", um afrobeat envolvente que foi feito para dançar até o limite. Essa faixa carrega uma atmosfera tão vibrante que é impossível não se mexer ao ouvi-la. Fechando com chave de ouro, temos uma versão drum and bass de "Cadê", produzida por João Passeri, que traz uma perspectiva fresca após as pesadas drillzadas do EP.

A produção do EP é impecável, com participações de Primotrs e Bgbeatz, além da mixagem e masterização brilhantes de Thales Nuit, que elevou o som a um nível que pode ser apreciado em qualquer lugar. Xari também deixou sua marca produzindo as batidas de "Cadê" e "Ruas Vazias", mostrando sua versatilidade e visão artística.


Curiosamente, o conceito de "Cordas" nasceu de uma cena de Watchmen (2009), onde Dr. Manhattan afirma que todos somos marionetes; a diferença é que ele consegue enxergar suas cordas. Essa reflexão ficou com Xari, que construiu o EP em torno de como amor, ódio e esperança muitas vezes fogem do nosso controle, mas ainda assim nos movem.

Com "Cordas", Xari inicia um novo capítulo em sua trajetória, reafirmando que tudo o que faz é por amor – um sentimento que ele deseja que o público entenda ao ouvir suas músicas. O hip-hop continua sendo um terreno fértil, e este EP é mais um fruto da caminhada de um artista que representa a Baixada com orgulho.



Acompanhe a página para não perder nada do que está por vir. Obrigado, Xari, pela confiança em compartilhar essa obra conosco. Tamo junto! Você merece o mundo.



 
 
 
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