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  • Foto do escritor: F. Moura
    F. Moura
  • 1 de abr. de 2021
  • 1 min de leitura

Que agonia Esperar o que Não vem Porque não Depende de você A ação que o outro Detém Até quando se humilhar Na espera Até quando A espera é humilhação Até quando O amor não será O combustível Maior do nosso Motor Agradeço a deus Que não é senhor Porque não é o Oposto do escravo E sim da vida, do amor Da liberdade e da alegria Se eu tô aqui também Pra sofrer e aprender Dá uma acelerada Nessa lição Só o amor vacina a ação!

f.moura 2020

Por Felipe Moura @f.moura

 
 
 

A faxineira do hospital, trajada com seu uniforme de trabalho (luvas de plástico amarelas, touca, balde, vassoura e pano de chão) não parecia ela mesma. Seu eu mais essencial não estava em jogo durante o seu trabalho. Logo que chegara seu horário de almoço, por volta das onze e vinte de uma manhã quente de outubro, ela colocou o seu batom mais reluzente, soltou os cabelos, olhou por cima dos olhos das outras pessoas que estavam à sua frente e como num toque mágico ganhou sentido em si mesma.

Ao sair do hospital, não estava supervisionada pela tutela de nenhum médico ou por nenhuma autoridade hospitalar. Sentou-se no botequim da esquina e pediu o melhor e mais cheio prato de comida. Sua feição mudou radicalmente. Falava abertamente com os garçons sobre o que havia feito no último final de semana e, sem compromisso nenhum, convidou um deles para uma cerveja gelada após o expediente, com a pretensão de distensionar a fatídica rotina de limpeza, arrumação e cheiro mórbido.

Na rua, a faxineira tornou-se uma pessoa comum, sem face, sem expressão aparente ou afetada, sem uma identidade notória. A rua pública, ou melhor, os bares frequentados pelos trabalhadores no meio do expediente de sua rotina fatigada de trabalho, tem essa capacidade de tornar qualquer coisa invisível. Na rua, sua imunidade anônima, contraditoriamente, fazia dela um ser. Comeu o mais rápido possível para poder passear um pouco.

Andava na rua e conversava com as pessoas ao seu redor, soltamente. Sua voz que, no trabalho era presa dentro de sua garganta, soava abertamente e se misturava facilmente aos ruídos citadinos. Parecia quase gritar. Andava despojadamente, seus movimentos rudes, porém soltos, refletiam uma ânsia por liberdade. Talvez eu soubesse o porquê: acreditem, hospital cheira a gente morta, cheiro moribundo de desinfetante e cloro, detergente e sabão em pó.

Depois de seu desfile público, a faxineira, após seu rápido intervalo de almoço, voltou fagueiramente para o trabalho. Para qualquer pessoa que já trabalhou sob pressão, descreveria essa cena como um desfile lúgubre: passos curtos e arrastados no chão, ombros envergados para frente, olhos sonolentos, aparência fúnebre. Mas antes de entrar, a faxineiro deu sua última performance pública: tirou mansamente um maço de cigarros vermelho, lentamente, para matar o tempo e a si, tirou um único cigarro, branco, filtro escuro, sacou o isqueiro, deu dois toques vigorosos na manivela do acendedor, uma chama leve e rápida se acendeu, pôs seu cigarro na boca e baforou linda e brevemente aquele cigarro; fizera como um ato de morte romântica, pois eram seus últimos instantes de prazer e dor. Depois disso, ela subiu as escadas brancas do hospital, passou bravia do lado de uma médica branca e jovem, gritou algumas palavras inaudíveis com os guardas e voltou ao batente.

A faxineira, que passara o dia todo naquela ânsia doida de limpar daqui, varrer dali, limpar vômito de paciente sem paciência, sentindo esses cheiros horríveis, ao deparar-se com o cheiro de monóxido de carbono e gasolina emitido pelos veículos, devia ter se sentido liberta. As cidades maiores são lugares de enorme contradição entre a individualidade do ser e seu “anonimato”. Você é visto por todos, mas nunca reparado. Ao passar por uma das ruas no exterior próximo de uma grande avenida, a enfermeira parecia desfilar com sua mente liberta, como se ela estivesse imaginando estar em outro lugar. Esses são os gozos da liberdade do indivíduo moderno.

Nos corredores observava atentamente a conversa dos pacientes. Descrevia pacientemente cada problema de cada um deles como se, por sua larga experiência médica, de tanto ouvir os diagnósticos, enfim, por sua prática indireta como médica anônima fosse ela mesma “um entre eles”. Em suma, as faxineiras fazem uma espécie de curso de medicina/enfermagem quase que por tabela. Mas são caridosas e empáticas com os sofrimentos dos pacientes, coisa difícil de se diagnosticar “entre eles”. A empatia é uma caridade dentre os pobres, pois o sofrimento alheio lhes cabe sempre como sendo o seu próprio sofrimento.

Aqui cabe uma breve diferença entre esses personagens que habitam o hospital. Num hospital os médicos são o centro das atenções, muito mais do que os pacientes. Todos de branco e todos brancos (sim, eu disse todos) passeiam nos corredores conversando sempre “entre eles”, quase nunca com “os outros”. São em maioria homens de meia idade, todos proprietários. Cada um com suas pastas de couro, disfarçadas com uma simplicidade do tempo, mas custam um carro popular. Aqui caberia uma descrição da “performance médica” por área e especialidade, mas são muitas e não tive tempo hábil para vivenciar tamanha experiência.

Numa escala menor estão os estagiários, ou como se autointitula, “residentes”, que não são os estagiários propriamente. Os “residentes” são aqueles que já estão avançados no curso de medicina e que ainda não possuem uma experiência empírica na prática da medicina. O máximo que ainda sabem fazer é aplicar injeções e dar pitaco na saúde alheia. Os residentes são aqueles pupilos dos médicos, são seus orientandos. Aqui conseguimos perceber bem a distinção entre médico e paciente, onde os residentes ficam entre eles, pois são quase os dois ao mesmo tempo.

Resumidamente, os médicos são a grande autoridade, sabem sempre diagnosticar quase todos os problemas; talvez por isso, os médicos são pessoas mais velhas e em sua maioria tem cabelos brancos. O residente é uma figura estranha. Não sei descrevê-lo bem justamente por uma posição de prestígio desprestigiado. Não é médico e nem paciente, tem uma autoridade frágil e ao mesmo tempo não a tem. Para mim são pessoas estranhas.

Entre esses personagens, estão as enfermeiras. Todas mulheres e nesta “casta” percebe-se uma “coloração mais vívida” entre elas. Elas, em sua maioria, são o braço forte, a moagem da engrenagem, mas não são aquelas que fazem o trabalho sujo. A sujeira ao qual as enfermeiras são designadas é uma sujeira digna: pus, sangue, gangrena. Essa é a sujeira das enfermeiras.

O paciente é literalmente um objeto de manejo. Obedecem a toda e qualquer ordem vinda dos médicos. Se mandam respirar, respiram, se mandam tossir, tossem. O paciente é só o paciente. O residente é uma figura estranha. Não sei descrevê-lo bem justamente por uma posição de prestígio desprestigiado. Não é médico e nem paciente, tem uma autoridade frágil e ao mesmo tempo não a tem. Para mim são pessoas estranhas. Entre esses personagens, estão as enfermeiras. Todas mulheres e nesta “casta” percebe-se uma “coloração mais vívida” entre elas. Elas, em sua maioria, são o braço forte, a moagem da engrenagem, mas não são aquelas que fazem o trabalho sujo.

Por último, no final da fila, estão as faxineiras. Esse sim, são o verdadeiro “trabalho sujo”. Elas limpam tudo: as fezes das diarréias, o pus no banheiro, os vômitos no chão, recolhem o lixo fétido. Isso é trabalho sujo. Elas não possuem nenhuma autoridade para limpar o pus dos pacientes, desde que esteja no chão, no vaso sanitário ou escorrendo pela parede. Em um sociologiques, as faxineiras são a estrutura que sustenta todo o hospital. Sem elas nada funcionaria.

E durante minha curta estadia no hospital, pude perceber que são as pessoas mais sensíveis e carinhosas. São as únicas que dão aquela boa e estrondosa gargalhada com um pigarro de fumante. São elas que cantam o samba enredo de suas escolas de samba prediletas enquanto limpam toda a sujeira da enfermaria. Às vezes, quando o plantão ficava insuportável, à beira do caos, elas eram as únicas que nos cumprimentavam, davam um sorriso, pegavam uma garrafa de água nova e gelada para os pacientes. Às vezes precisamos repetir algumas frases de efeito para que as pessoas retenham seu significado: a empatia é a caridade do pobre.

Certa vez uma faxineira soube de uma mulher que foi diagnosticada com câncer de mama. Eu, deitado numa maca em frente a porta de entrada da enfermaria, pude observar uma das cenas mais emocionantes da minha vida. A mulher estava aos prantos. Parecia que ia tombar a qualquer momento devido ao choque da notícia. Estava evidentemente abalada. As enfermeiras, acostumadas a tais diagnósticos, postulavam uma certa reação fria, quase blasé, diante do choque da mulher. Mas a faxineira não. Quando a mulher diagnosticada enfim sentou-se em um dos bancos, ela prontamente foi ao bebedouro e pegou um copo d’água, sentou-se do lado dela, tirou sua touca de trabalho (um cabelo longo, preto forte e brilhoso; uma beleza rude!) e começou a acariciá-la com leves toques nas costas.

Todos olharam aquela cena atônitos. Assim perduraram uns quinze minutos. E ela ficou ali do lado da mulher, afanando a paciente. A mulher acalmou-se, levantou-se da cadeira ainda com os olhos inchados e com uma feição triste e cabisbaixa, mas quase sendo empurrada por uma mão invisível, pegou sua papelada de exames (um bolo cheio e grande de folhas A4 e foi embora. A faxineira levantou-se da cadeira que, creio eu, nunca tinha sentado, colocou sua touca, pegou o balde de água suja, o pano de chão e disse: “Bom, tenho que limpar o banheiro do segundo andar…”.

Por Roberto Brito @fotosesintesis

 
 
 

Figura 1- Fotografia de Carlos Douglas Martins Pinheiro Filho do livro Frida Kahlo e as cores da vida, Carline Bernard.


Ficha técnica: Frida Kahlo e as cores da vida é um romance histórico baseado na história de vida da pintora mexicana. Escrito pela escritora alemã Tânia Schlie, que assina sob o pseudônimo de Caroline Bernard, o livro foi lançado no Brasil em dezembro de 2020 pela TAG – Experiências Literárias e Tordesilhas Livros. A tradução do livro é de Claudia Abeling, o prefácio de Katia Canton e o projeto gráfico de Amanda Cestaro.


Uma pequena biografia de Frida

O romance Frida Kahlo e as cores da vida é baseado na vida da personagem real e costura uma percepção cheia admiração pela mulher mexicana, ativista feminista e pintora consagrada, Frida Kahlo. A autora Tânia Schlie, em entrevista para Fernanda Grabauska, quando indagada sobre o porquê escrever um livro sobre Frida, respondeu que “a questão talvez devesse ser: por que não escrever um livro sobre Frida?”. De fato, a pintora tornou-se um ícone popular desde que ressurgiu na década de 1980 e, desde então, a imagem de seu rosto está estampada em camisas, copos, bolsas, mochilas, cartazes e uma sorte diversa de produtos comercializados. Pode ser que você tenha um desses em sua casa! Mas nem todas as pessoas que compram esses objetos conhecem mais profundamente a história de vida da artista.

Nascida em Coyoacán, no México, em 1907, e falecida na mesma casa em que nasceu, a Casa Azul, em 1954. Frida teve uma trajetória intensa, vívida e marcante, apesar de um tempo vida aparentemente curto, ademais foi agraciada com a possibilidade, como argumenta Tânia Schlie, de nascer e morrer na mesma casa, pois no México as pessoas consideram essa circunstância uma bênção. Porém, Frida foi profundamente marcada pela dor e doença: logo aos seis anos Frida foi diagnosticada com poliomielite, o que fez com que sua perna direita fosse menor e mais frágil que a esquerda, acarretando problemas durante toda a sua vida. Começou a pintar após um trágico acidente em que foi gravemente ferida, incentivada por seu pai, o fotógrafo Guilhermo Kahlo, momento da história da personagem real que compõe o início do livro, onde começa a estória da Frida de Caroline Bernard.

Em 1928, ingressou no Partido Comunista Mexicano e conheceu o reconhecido muralista Diego Rivera, quem se apaixonou e se casou no ano seguinte. Rotulada como surrealista pelo pintor francês André Breton, Frida consagrou-se internacionalmente expondo suas obras em Nova York e Paris. Porém, foi na intensidade da luz do México que estavam o coração e as cores da artista, e onde foi a sua primeira grande exposição, em 1953, apenas um ano antes de sua morte. O legado de Frida para a humanidade é imortal, pela sua arte, mas, principalmente, pelo que representava como ser humano, mulher, latino-americana e ativista. Inspirou milhares de pessoas a enfrentarem suas dores, a cultivarem a autoestima e a lutarem pelos seus direitos. Tornou-se ícone da luta feminista e da emancipação dos oprimidos.


As duas Fridas

Segundo relata Tânia Schlie, fazem parte do repertório de experiências que possibilitaram a escrita do romance a leitura da biografia Frida – A Biografia, escrita por Hayden Herrera; o estudo detalhado dos quadros da artista; a visitação a uma exposição dos pertences pessoais dela, em Londres; e a visitação da Casa Azul, no México, onde Tânia Schlie diz ter “tido a tremenda sorte de passar uma hora sozinha por lá”, o que teria permitido ela “imaginar cenas muito íntimas”. Não atoa a importância desse fato, pois é a imaginação sobre o universo íntimo da personagem real o principal objeto da literatura da escritora alemã.

Apesar da manifesta busca pela verossimilhança com a história de vida da personagem real e o perceptível esmero detalhista na descrição da atmosfera que permeavam o seu contexto histórico específico, a escritora não se propõe a uma obra biográfica. Aqui estamos falando de um romance histórico. Quem está buscando uma biografia pode se decepcionar, então, é melhor abrir a sua mente, ou buscar uma biografia sobre Frida Kahlo. No romance, Tânia Schlie privilegia recortes de momentos que considera significativos da vida da artista com o propósito de dar vida a sua personagem, a sua “Frida”, uma mulher mexicana destemida, talentosa, cheia de vida, confiante de si e romântica. Sim, romântica, a Frida de Schlie é profundamente marcada pela emoções, principalmente pelo romantismo, amor e paixão.

Logo no prólogo, a Frida de Schlie se apresenta como uma personagem dividida entre duas facetas, presa nesse dualismo entre a mulher moderna, “que quer viver do jeito que lhe convém”, e a “mulher que carrega a carga da tradição e da história”. Pois aí temos uma das características principais desse romance histórico: a escritora baseia sua imaginação sobre a personagem da vida real a partir de seus quadros, neste caso, sua intuição mais geral sobre o paradigma existencial de Frida Kahlo emerge da pintura “As Duas Fridas”.

Em diversos momentos do livro as pinturas da artista surgem como elementos referenciais da escritora para intuir os sentimentos, pensamentos e interioridade de Frida. Assim, o livro acaba por oferecer ao leitor um rico percurso interpretativo da obra da pintora e as suas histórias, fazendo ressaltar os possíveis elementos do mundo real que lhe renderam a inspiração manifesta para seus quadros. Pois é dessa maneira que brota a mexicanidade da Frida de Schlie, não a partir de uma nacionalidade abstrata, mas pela importância dessa temática em sua realização, assim como a relação direta da experiência nacional com a vivência biografada da Frida real.


Uma crítica possível

A edição gráfica do livro é impecável, apesar da revisão ter deixados passar pequeníssimos erros na redação e algumas incoerências que sugerem problemas na tradução em um ou dois trechos. O romance é muito bem executado tecnicamente e a escritora consegue capturar a atenção do leitor, mantendo a tensão do início ao fim da narrativa. Porém, a Frida de Schlie provavelmente decepcionará alguns leitores, principalmente aqueles conhecedores mais profundos de sua biografia, ou mesmo aqueles mais engajados em lutas sociais.

A questão a ser colocada é que a escritora privilegia quase integralmente em sua narrativa a relação romântica entre Frida Kahlo e Diego Rivera. Aliás, o livro poderia muito bem ter o nome de Diego no título e não seria um exagero, ou algo que expressasse mais claramente a relação romântica entre os dois. As cores da vida da personagem de Schlie têm uma significativa porção de sua paleta em Diego Rivera e os dramas relativos à relação entre os personagens, muitas vezes retratada como conturbada e conflituosa, mas outras como amorosa e harmônica. Uma das sensações que tive, ao término da leitura, é que a relação entre os dois era um “mal necessário” para o bem de uma personagem fragilizada pela doença e solidão. Muitas vezes, o caráter corajoso e talentoso de Frida só aparece de forma mais genuína ao lado de Diego, e, sem ele, a vida aparentemente perde o sentido, perde o brilho.

Outra questão é que as relações homoafetivas de Frida Kahlo, apesar de serem trazidas para o romance, são apresentados como aventuras, experiências de menor importância, secundárias, sem grandes impactos emocionais ou no curso da história. Algumas vezes, esses relacionamentos são apresentados com consequência direta da relação com Diego, seja no intuito de agradá-lo ou despertar-lhe ciúmes. A sororidade entre as mulheres até é tematizada no romance, mas de maneira secundaria, do contrário, a autora privilegia, muitas vezes, uma disputa entre as mulheres do romance pela atenção de Diego Rivera. A realidade é que a Frida de Schlie é uma personagem dependente de Diego para viver, seja em termos físicos, psicológicos e afetivos, e isso fica bastante nítido ao final do romance.

Neste sentido, é interessante notar que a vida política da personagem real é secundarizada em relação a sua vida pessoal e afetiva. Muitas vezes fica a sensação de que seu envolvimento com os movimentos socialistas e populares são uma mera busca por socialização, ou mesmo o produto da influência de Diego e de seu meio social. O envolvimento com os movimentos de esquerda aparece na personagem apenas como flashs, eventos que armam cenário para acontecimentos mais significativos de cunho íntimo e pessoal.

Porém, justiça seja feita, a dimensão política da Frida real é retratada no livro e não é simplesmente castrada da personagem ficcional. Da mesma maneira, apesar de apresentar como um pano de fundo, o livro aborda a relação de amizade entre Frida, Lucianne Bloch, Anita Brenner e Tina Modotti. Obviamente, o romance não poderá agradar a todos e todas, mas, apesar de suas limitações, constitui uma belíssima contribuição para compreensão de uma personagem real tão complexa e multifacetada como Frida Kahlo.


Por Carlos Douglas Martins


 
 
 
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