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    Pivete
  • 7 de mai. de 2022
  • 1 min de leitura

Por Pivete


nasci

mas

nasci

pobre

literalmente pobre

cinematograficamente pobre

a primeira vez que me reconheci

foi nos livros

cidade de deus

e no filme

na série

e morrendo

e tomando chicotada

sendo o empregado doméstico

eu sou um só

mas não o que me representa

a tela, o fogo, a vida, a morte

eu to deitado na lama

exposto igual o luciano

talvez não

mas minha negritude televisionada

enquanto as massas querem


brancos


não posso dizer que não tenho nada contra

mas também não posso ignorar o passado

nem fechar os olhos para o presente

veja na tv


dominantes e dominados

táticos

eles são maquiavélicos

poder, poder e poder

qualquer avanço é uma ofensa

conservadores

nunca gostei de poesia

conserva

dores?


e o picareta morreu.


 
 
 

Por Marcelo Nunes da Rocha


...

Nunca permitiu que o comandante com suas legiões

Atravessasse o Rubicão...

Temiam a tirania bárbara da cólera

Sem travas dos homens da guerra que

Perderam o temor de morrer por tanto matar...

Aprenderam a linguagem da covardia,

A linguagem dos estripadores sem compaixão...

Eles mesmos imagem de Roma,

Feitos bárbaros – bárbaros feitos –

Tirando as roupas e as insígnias são o quê –

Uma miragem caindo eternamente no abismo

Um nó, vários nós, fita com borda infinita: Möebius...

Rubicão, fronteira onde se armam piquetes

Rubicão, inexpugnável, invisível imposição

Da lei e da natureza – linha que separa –

E aí, Rubicão, atravessar ou não, é o que

Nos aparta. A selvageria e a civilização.


É triste civilização não

seja uma palavra intransitiva, precise ter

sua potência sempre arrematada sob o risco

da infâmia... Tem que se desenhar

Um Rubicão em cada estada, em cada curva,

Para cada morada...


Mas Rubicão fica nas

Franjas do meu coração, não permite

Que nenhuma legião, de nenhum comandante,

Marche sobre Roma porque Júlio César

Jaz morto às portas do Senado com vinte e uma facadas...

nas costas...

Rubicão faz fortaleza a meu coração...


Meu rio, em seu volume, força, massa, não quer ser reduzido a um cão, lacaio...

No fundo, meu coração é um bárbaro como os bárbaros romanos...

Não perde a incandescência e a intensidade de rubi...


E o Rubicão é uma linha no chão,

É aceitar ou não...

O Rubicão é a lei – está ali – para uns

É rubi, para outros é o cão...

Na verdade, Rubicão é nada, é um porteiro

Que não se importa se você entrar ou não...




 
 
 

Por Paulo Roberto


Ele corre, se espreme, corre, sobe e desce. A rotina é louca, frenética. A sandália está gasta, mas está no pé, já não se conhece mais a fronteira entre o pé e o asfalto, entre a dor e as pedras pisadas no caminho, não se sabe, enfim, se o que parece estar, de fato, está. Assim é sua rotina, de segunda a sábado, e domingo até às 16:00.

As caras feias no caminho já não assustam mais, mas também não acolhem. Passa batido. O ritmo é frenético e o destino só Deus sabe. A camisa já está enrolada e presa ao redor da cintura. A bermuda surrada, guerreira, o segue fielmente apesar dos solavancos.

Suas mãos magrelas parecem ter cola, já que é possível suportar tudo ao mesmo tempo, caixas, notas, moedas e o próprio mundo.

O meio fio é seu companheiro de descanso e de consolo. Mais caras feias o atravessam. Só resta a ele a eterna companhia do meio fio. Ele olha as pessoas, os carros, os ônibus... o calor já não faz mais efeito... a grande cidade repentinamente se torna um lugar qualquer cheio de nada, cheio de quinquilharias, de pessoas invisíveis, que andam pra lá e pra cá, mas que não aparecem mais diante dos seus olhos pensativos. Pelo menos em um momento, nesse momento, ele finge que aquele lugar é sua casa, apesar de viver ali, ele finge ter pra onde ir, o que fazer, com quem falar e o que comer. O meio fio continua lá, junto com a raiz e a árvore que oferece sua escora. Sua vida navega nesse meio, nesse fio, em que ele, o equilibrista, ao invés de sombrinha, equilibra o peso que é a sua vida, tão ameaçada quando a árvore que o dá guarida.

Seu coração bate, mas bate forte. Está vivo, mas agora com outra cadência. A noite traz consigo as trevas, a incerteza, a luxúria e o castigo. A noite, aquela noite, desfibrila seu coração e o faz renascer. Suas costas ganham asas, seu corpo ganha plumas, suas mãos um elegante cetro que ele habilmente movimenta com suas mãos envoltas por uma luva brilhante e elegante. De repente, num picar de olhos, as ruas que o castiga durante o dia se tornam seu jardim, e esse é seu grande reino, que em poucos minutos ele irá viajar, voar, encantar os olhos cegos e medrosos que a luz do dia engana, como um mágico que ilude e inebria a plateia. Ele não tem medo, nunca teve, nem de dia e nem durante a noite, mas ali, naquele momento, a festa devolve a ele o posto que sempre teve, o lugar que nunca perdeu, o de rei, rei de tudo e de todos que ousam se encantar com seus movimentos fluidos e encantadores. A luz do dia não ousa aparecer enquanto seu sorriso ousa a rodopiar. O sol ameaça subir, mas não se atreve a disputar o brilho com o bravo cavalheiro que desfila toda a sua elegância pela avenida, diante de seus súditos, ávidos pelo seu ritual, que irradia luz onde quer que sua nobreza passe. Durante aqueles minutos ele caminha sob as águas, voa como um anjo, e lança feitiços por todos os lados.

Depois de tudo, depois que o portão fecha, que o sangue esfria, tudo desaparece, e ele é levado de novo ao mundo de mentira, esperando que o ano passe e o pecado devolva o seu título, seu nobre título de rei.

 
 
 
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