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Atualizado: 16 de jan. de 2024



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Vocês estão prontos para essa conversa? Sai do sofá e vem colocar o dedo na ferida.


A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, associou as chuvas que atingiram o Rio de Janeiro no último sábado ao “racismo ambiental e climático”. Desde então, estamos acompanhando algumas represálias à @aniellefranco por ter usado a palavra racismo para escancarar as consequências sofridas pelas pessoas que moram nas áreas mais afetadas pelas chuvas. 






Até o momento, 11 pessoas perderam as suas vidas em consequência do temporal, centenas estão desabrigadas e outras centenas tiveram suas casas completamente alagadas, perdendo tudo o que tinham. Um cenário desesperador.


Na hora do almoço de segunda-feira, 15 de janeiro, acompanhamos, atônitos, as imagens que estavam sendo transmitidas diretamente de Nova Iguaçu, mais especificamente em Morro Agudo. 


Milhares de pessoas estavam (ou estão, até agora) na frente do Cras em busca de algum auxílio, ajuda ou direcionamento da prefeitura, na esperança de terem um lugar para se abrigar, receber doações ou até mesmo fazer uma refeição. 


Ao perceberem a enorme desorganização da prefeitura de Nova Iguaçu para dar um direcionamento às vitimas, e depois de suspeitas de uma fake news prometendo dinheiro para as pessoas atingidas, um tumulto foi se formando em frente ao Cras. A polícia foi chamada, e fazendo jus ao lema “Servir e Proteger”, direcionaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar conter (ou massacrar) as pessoas que ali estavam em busca de uma ajuda.  


Não tem como não se comover com as fortes imagens: um senhor caído na rua, apoiado em um carro, quase desmaia por ter inalado o gás lacrimogênio disparado pela polícia. Alguns moradores, em um ato de solidariedade, tentam socorrer o homem. 


Em outro momento, vemos adolescentes, mulheres e idosos se amontoando, desesperados, enfrentando uma barreira imposta pela PM. Tudo isso depois de terem suas casas alagadas, perdido seus bens e de até mesmo terem visto pessoas sendo levadas pela correnteza, desaparecendo no mar de lama.


O tratamento rude e agressivo, por parte da polícia com as pessoas que moram nos lugares economicamente menos favorecidos da cidade se tornou algo comum e corriqueiro, fazendo parecer que é um procedimento, uma conduta obrigatória. 


A inexistência de um plano de contingência para catástrofes climáticas na cidade do Rio de Janeiro só escandaliza, ainda mais, a série de absurdos ocorridos através da falta de planejamento e organização. 

2023 foi o ano mais quente da história, e com o verão sendo uma estação onde naturalmente ocorrem mais chuvas,  já poderíamos ter previsto o que poderia acontecer. Por que nada foi feito? Tenho certeza que, assim como eu, muitos se fazem esse questionamento. 


Indago, ainda: por que os responsáveis pelos órgãos públicos, que de fato podem fazer algo, não conseguem se antecipar? Dias antes dessa tragédia, o nosso governador Cláudio Castro estava na…Disney! Curtindo suas não merecidas férias, e aparentemente sem sinal de internet, porque só ele não sabia que naquela semana o Rio de Janeiro aguardava por intensas chuvas. O coitado do governador teve que ser pressionado a voltar das férias, porque sozinho não consegue pensar e fazer o próprio trabalho. Nem quando pessoas, da cidade que ele (des)governa, estão morrendo afogadas. 


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Agora, pensem comigo: quais bairros foram mais afetados? Quem são os moradores desses lugares? Me diz ai, qual é o CEP delas? Me fala o seu palpite… Dica: não é nas zonas mais “abastadas” da Cidade Maravilhosa… 


A palavra racismo é muito bem aplicada para definir as consequências do descaso com a pauta climática nas regiões periféricas. 


Primeiro, porque em sua maioria, são as pessoas pretas e pobres que moram nas áreas mais abandonadas pelo poder público, e que historicamente são as mais afetadas. 


Segundo, são essas pessoas que sofrem primeiro com as enchentes e com os deslizamentos de terra, fazendo com que percam o pouco que tem. 


Terceiro, as pessoas menos favorecidas não possuem recursos financeiros para tentar amenizar os sintomas do calor excessivo, como por exemplo comprar um ar condicionado, ter uma geladeira que aguente o calor e até mesmo morar em uma casa com a infraestrutura necessária que comporte uma família confortavelmente e com dignidade.



Se você não entendeu ainda o ponto desse texto, sugiro colocar a mão na consciência e voltar a leitura. 


Não podemos esvaziar a discussão sobre o racismo e como a sua estrutura se desdobra por onde passa. Estamos falando de uma configuração que privilegia uma pequena parte da cidade e que abandona todo o resto. 


Não poderia deixar de notar que no domingo, menos de 24h depois do pico da chuva, diversos blocos realizavam os seus desfiles pelas ruas (não alagadas, obviamente) da Zona Sul carioca e do Centro, espalhando muito glitter não biodegradável e em clima de comemoração. 




Isso me faz pensar que a seletividade de uma parte da população no que diz respeito a mobilização social é proposital. O caráter branco, elitista e segregacionista de alguns dos principais blocos de rua do carnaval ilustra o argumento de que o Rio de Janeiro é o Centro e a Zona Sul. 


Um folião branco em um domingo ensolarado na Zona Sul, e o Cláudio Castro curtindo a magia dos parques encantados da Disney, os dois há 80 km/h, são parte de uma elite atrasada, pouco empática e cafona. Nosso governador é um pateta. Essas contradições são um tapa na nossa cara. 



 
 
 

Atualizado: 15 de jan. de 2024



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A embriaguez me consome, noite a dentro,

Na sarjeta da vida, perco o centro.

Com garrafas vazias, meu coração bate,

Em um bar sujo, a solidão me dilacera e late.


Meus versos bêbados, tortos e sem nexo,

Refletem a vida que levo, perplexo.

Com rimas embebidas em álcool e dor,

Sou o poeta perdido, um eterno bebedor.


A cada gole, esqueço as mágoas do passado,

Afogo meus demônios, num copo afundado.

As palavras fluem, mas a mente se turva,

No universo etílico, minha alma se curva.


Bukowski, meu mestre, me leva na trilha,

Do poeta maldito, dá vida que me guia.

Na embriaguez das palavras perdidas,

Encontro abrigo, nesse mundo caótico,

Onde sou o meu próprio castigo.


Em madrugadas sombrias.

Fugindo do umbral em vida.

 
 
 

Atualizado: 26 de dez. de 2024




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Hoje estamos recebendo informação a todo momento e como a cultura urbana está sempre em transição de tendências, não seria diferente em relação ao hip-hop.

 

Embora tenha cyphers e freestyles em rádios para revelar vozes de Mc 's no cenário em geral, o grime e o drill são estilos que divergem em alguns pontos.


Para começar deve-se ressaltar as origens sendo o grime a partir do UK garage, gênero britânico com forte influência de house, junto do ragga, hip-hop e jungle music, por exemplo.


No caso do drill a história é diferente, tendo origem nos EUA , nos bairros de Nova York e Chicago. Posteriormente veio um cenário no Canadá, no bairro de Toronto e na Inglaterra, em Londres. Todos bebem da fonte do trap por causa do estilo violento das músicas.





O drill que toca em Chicago veio da cena do trap enquanto no Reino Unido se baseia no movimento do grime. O primeiro vem no início dos anos 2010 enquanto o segundo vem no final dos anos 2010.

 

O grime surgiu nos anos 2000 com a proposta de tocar nas boates com letras festivas seguidas de ritmos a 140 bpm. Diante a esse quadro de balanço onde os contratempos importam, os mc's podem expor as suas visões e perspectivas da realidade nas ruas, além de outros temas os quais são pertinentes nas realidades entre os envolvidos por esta arte.






É notório dizer que são estilos diferentes em sua essência, mas a violência urbana é um aspecto em comum. Além disso, os eventos são marcados por um público interessado na performance do artista pois o foco é métrica bem executada e as rimas mais marcantes. Fora o fato do esforço do DJ à procura do melhor set no objetivo de todo mundo da festa ficar prestando atenção. 


A prova disso são os dedos apontados para o mc em forma de arma e gritos são dados para sinalizar algum trecho da música que impactou, deixando a catarse em forma de salve ou grito de euforia. O DJ rebobina a música e então a música se reinicia, dando mais ênfase.




Um aspecto bom de falar sobre a cultura desses gêneros é o apreço pelo futebol. Não chega a ser uma regra, porém a presença massiva de camisas de time de futebol deixa estampado que a cultura do esporte é presente na vida da maioria dos artistas.


Isso se deve ao estilo de vida ser parecido em relação ao contexto social, cercado de violência urbana em meio a jogos de futebol e festas de rua. As jaquetas de rockstar morrem e dão espaço às roupas dry-fit e tracksuits, além de toucas balaclavas. Tudo isso incorporado a um senso de moda além da importância estética.


Podemos citar exemplos claros para diferenciar: SHUTDOWN, do Stormzy; I LUV U, do Dizzee Rascal são músicas de grime, enquanto que FANETO, do Chief Keef e LETS LURK, do grupo 67 são músicas de drill. À medida que ouvimos dá para perceber melhor a disparidade entre estes estilos.





Para dar um panorama nacional podemos mencionar a contribuição significativa que o programa Brasil Grime Show fornece para ajudar a fomentar um cenário. É com ele que nós sabemos nomes como N.I.N.A, FLEEZUS, FEBEM, LEALL, SD9, SCARLETT WOLF, entre outros.





Embora com sede no Rio, a produção do programa não deixa a desejar em chamar nomes fora do estado, além de convocar pessoas de propriedade sobre o assunto como o inglês DJ OBLIG e os americanos TAI CHEEBA e BUGGSY. Isto fez com que uma nova leva de artistas fosse vista da mesma forma a qual os cenários do boom bap e trap são vistos.





Não esquecendo de mencionar no pioneirismo do rapper VANDAL, o soteropolitano já rimava em beats com a levada de drill e derivados, até no UK Garage ele rimou. Então podemos dizer que o país em certa parte se mantinha informado mesmo não tendo noção do quão grande eram esses estilos.



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Referências







 
 
 
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Todos os Direitos Reservados | Revista Menó | ISSN 2764-5649 

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