top of page
  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

Não há lições para aprender. A história que escrevemos não tem moral, ela é viva, como nossa língua, nossa escrita e interpretação. É ilusório achar que grandes lições podem ser dadas pelos contos passados a partir de condições estruturais que se mantém. 

ree

É inocente, portanto, achar que nos livramos do fascismo ao vencê-lo em armas, mas toda estrutura política e econômica se perpetua. 


É curioso acreditar que temos conhecimento acumulado suficiente para que a história não se repita e mais, que possamos evitar nossa autodestruição e viver num mundo sustentável e solidário.


É interessante ver pessoas arrumando culpados, mais uma vez as plataformas digitais, as fake news, a falta de regulação delas.


Não. 

ree

As pessoas sempre buscarão as melhores respostas para entender a sua condição, do porquê se trabalha tanto e a vida não melhora, porque não consigo me aposentar, porque pago tanto imposto. 


Essas respostas não virão da tecnicidade econômica, ninguém se importa com elas, a não ser os intelectuais e políticos liberais. Ainda, sim, o liberal, para caber em seu discurso, assume a economia do Estado como algo corriqueiro, que todo mundo entende, mas as coisas não melhoram. 


Quem, senão o liberal, o único ser que se empenha em formular respostas demagógicas para problemas insolúveis.

ree

A dificuldade de enfrentar qualquer problema social está posta antes mesmo do pensamento da solução possível, está na pergunta. 


Pode um sistema social adubado no colonialismo, no racismo, no sexismo dar bons frutos? 


É possível haver justiça social em uma sociedade desigual? 


São perguntas de respostas óbvias. A resposta desta e de tantas outras é simples, não é possível. É claro que é difícil lidar com algo tão desalentador quanto uma negativa como essa, que não aponta para nada. 


Mas também por isso que nos empenhamos sempre em melhorar nossas condições de vida, que de uns anos para cá se restringiu a defesa de ataques sobre o nome de reformas. 


ree

Reformas que destroem. Porém, o povo, esse ente, sempre buscará a resposta que faz mais sentido.


Os possibilistas do fim do mundo dirão que se recuperarmos nossa indústria, apertarmos o cinto fiscal, trabalharmos um pouco mais as coisas vão melhorar, o PIB subirá. 


Por outro lado, a extrema-direita coloca a culpa no imigrante, na juventude, no outro. Ou seja, aram a terra com todos os elementos que adubaram esta sociedade. 


Quando disse que as condições se mantêm, faço-lhes a pergunta de resposta óbvia, quem ganhará as mentes e os corações?


ree

Para os interessados, a virada de chave está em lidar com o óbvio, o que é preciso fazer para a resposta superar essa imensa negatividade que solapa nossa esperança futura. 


Não podemos nos restringir aos possibilismos, também não podemos ficar sem respostas.


Um olhar mais atento pode revelar o oculto e ver que tudo está aí, basta enxergar.


 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 5 de ago. de 2024
  • 4 min de leitura

DJ Java, é cria, mais um dos criativos Dj’s, produtores musicias e culturais que animam a cena da Baixada Fluminense, o artista meritiense lançou o seu mais novo trabalho, o SoundKilla SET, no dia 2 de agosto. Reconhecido por sua habilidade em misturar diferentes ritmos e criar sets que supreendem o ouvinte, DJ Java promete proporcionar uma experiência originária de uma ilha localizada no mar do Caribe, na América Central. Java explora as raízes jamaicanas. .


Este set é uma introdução aos ritmos diaspóricos jamaicanos, remixados pela mente criativa de Java. É uma produção destinada não apenas aos amantes do gênero, mas também àqueles que ainda não conhecem este ritmo revolucionário. Serve como uma porta de entrada para um universo musical em expansão, mostrando o lado pesquisador e inovador do DJ, algo evidente em seus lançamentos anteriores.


“Eu me vejo como um DJ de formato aberto, conseguindo construir sets que se encaixem bem com a temática de cada evento. No entanto, como todo DJ, também possuo as vertentes em que minha pesquisa musical se aprofunda mais. Essas vertentes fazem parte do que é considerado 'música eletrônica', mas englobam sonoridades diversas como rap, funk, house, dancehall, afrobeats, reggaedub, grime, drill, UK garage, entre outras”, comenta DJ Java.

Além de explorar as raízes jamaicanas, DJ Java também destaca a vertente nacional do gênero, mesclando com ritmos periféricos, ainda pouco representados na cena do Rio, especialmente na Baixada Fluminense, apesar de sua forte presença no Nordeste. Ele ressalta a importância de dar mais visibilidade a essa cultura.


“Dentro desses gêneros, venho buscando pesquisar mais os estilos de raízes jamaicanas, como ragga, dancehall, afrobeat e dub. Referenciei-me em artistas e eventos na Baixada Fluminense, minha localidade, que possuem a temática de evento SoundSystem, misturando a cultura baixadense com a jamaicana. O evento Jamaicaxias é um deles e me inspirou a explorar mais essas sonoridades. Assim, decidi lançar o 'SoundKilla SET', nome inspirado na gíria jamaicana que é um elogio para DJs habilidosos que 'matam' no set, significando uma combinação de boas seleções musicais e técnicas de mixagem. A proposta do set é contribuir para a cena musical de música eletrônica brasileira e jamaicana, incluindo estilos como dance hall e dub.”

ree

O SoundKilla SET foi gravado e lançado de forma independente, com uma identidade visual produzida por VisualByPivete, inspirada nos bailes jamaicanos, nas festas de reggae que esquentam o Nordeste e nos sound systems que agitam o Brasil.


O novo trabalho não é só uma homenagem aos gêneros clássicos, mas também uma apresentação única de DJ Java, que começa com uma pegada eletrônica e gradualmente incorpora referências brasileiras. "Tem até uma música que é um funk num beat de dub, um bagulho remixado", diz ele, mostrando sua habilidade em criar uma fusão de estilos que vai além do gringo, destacando a cultura musical brasileira. Algumas das referências sonoras que estão presentes no set são Numa Crew, Mis Ivy, Kbrum, Jimmy Luv, Radikal Guru, DJ Madd, dentre outros.



Sobre o Gênero



Os bailes jamaicanos e os sound systems começaram na Jamaica dos anos 1950 e 1960, quando DJs e produtores montavam enormes sistemas de som para tocar em festas de rua. Esses eventos se tornaram espaços importantes de expressão cultural e social, especialmente nas comunidades negras. Os sound systems foram fundamentais na disseminação do reggae e, mais tarde, do dub, do dancehall e do ragga.


O reggae, surgido nos anos 1960, rapidamente se tornou um símbolo de resistência e identidade cultural, com letras que abordam questões sociais e políticas. O dub, uma vertente experimental do reggae, focou em remixes instrumentais com efeitos sonoros, enquanto o dancehall e o ragga, desenvolvidos nos anos 1980, trouxeram uma pegada mais rápida e eletrônica, com MCs rimando sobre batidas dinâmicas.


Com o lançamento do SoundKilla SET, DJ Java quer promover esses gêneros no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense. Apesar da rica herança musical africana na cultura brasileira, estilos como o dub, o reggae e o dancehall ainda são pouco representados em certas regiões. DJ Java vê nesse lançamento uma oportunidade de difundir esses ritmos urbanos e de luta, conectando-os à realidade brasileira.


"Eu quis continuar explorando as tendências do dub e do dancehall, mas também apresentando minha proposta, começando numa pegada mais eletrônica e depois incorporando mais referências brasileiras", explica DJ Java.


Sobre DJ Java


ree

Diretamente do bairro de Agostinho Porto, em São João de Meriti, DJ Java é um talento emergente na cena musical brasileira. Seu trabalho anterior, o EP Future Baile (2023), já mostrou seu compromisso em explorar e misturar diferentes gêneros musicais. Future Baile é uma mistura magistral de funk com diversos estilos eletrônicos, criando uma viagem sonora futurística que encantou seus ouvintes.



Em Future Baile, DJ Java apresenta mashups de artistas como Tz da Coronel, L7nnon, ANTCONSTANTINO, Biel do Furduncinho e Taleko, onde vocais de funk atuais se juntam com batidas inspiradas em 2-step/garage, miami bass, grime, trap e tech house. Este EP é um convite para explorar novos sons e se deixar levar por uma jornada musical que ultrapassa todas as fronteiras, com a estética futurista presente tanto nas músicas quanto na arte visual criada pelo talentoso @Visualbypivete.


Ouça Future Baile no SoundCloud e no YouTube.




Lançamento do SoundKilla SET


SoundKilla SET está disponível no SoundCloud, e é uma oportunidade de vivenciar uma mistura única de ritmos eletrônicos com raízes profundas na música diaspórica jamaicana com musicalidade contemporânea brasileira. DJ Java convida todos a mergulharem nessa experiência sonora que promete ser inesquecível. 





 
 
 

Alguns dias atrás, conheci Agnès Varda e suas obras sensíveis, únicas e poderosas, enquanto navegava por uma plataforma de streaming.


Fui confrontado com seu curta documentário lançado em 1968, Panteras Negras. O filme aborda os protestos do Partido Pantera Negra contra a prisão de seu cofundador, acusado de assassinar um policial em 1967.


ree

Ver aquelas pessoas incríveis, com seu empoderamento, valorizando sua identidade racial e lutando por seus direitos, mesmo sendo mais alvo do monopólio da violência legítima do Estado, me fez refletir.



Isso, já na década de 60, me fez pensar em tudo que aconteceu deste lado do globo e não foi registrado.


Nesse mesmo período, corpos negros eram torturados e descartados pela ditadura brasileira em todo o Brasil, principalmente nas grandes metrópoles e seus arredores.


ree

Na Baixada Fluminense, jovens negros eram perseguidos, torturados e exterminados por grupos paramilitares, conhecidos como grupos de extermínio. A violência e a impunidade eram tão grandes que Belford Roxo, naquela época, se tornou um dos lugares mais perigosos do mundo para se viver.


A situação pouco melhorou com o passar dos anos; esses grupos apenas se adaptaram aos novos tempos, mantendo o mesmo poder e impunidade.

ree

Em 2005, ceifaram o futuro de 29 pessoas entre Nova Iguaçu e Queimados, remanescentes dos mesmos grupos de famílias e matadores que ainda controlam esses territórios.


No fundo, são os mesmos, como vemos em Barões ao Extermínio, do professor José Cláudio, da Rural.

Aqui, como lá, houve muita luta e resistência. Grandes movimentos, como a Frente Negra Brasileira, já na década de 30, em 1931, quase cem anos atrás, reuniram quase 50 mil filiados. O objetivo era unir a população negra contra o preconceito de cor, como o racismo era chamado na época.


ree

Segundo o historiador Petrônio Domingues, professor da Universidade Federal de Sergipe, no livro Dicionário da Escravidão e Liberdade, a associação contava com um departamento jurídico que auxiliava os membros em questões de violação de direitos, além de oferecer assistência médica.


O grupo tinha um time de futebol, o Frentenegrino Futebol Clube, um jornal chamado A Voz da Raça, e chegou a formar uma milícia, um grupo paramilitar que nunca entrou em ação, mas servia como demonstração de capacidade de atuação.

Um racha no grupo deu origem à Legião Negra, um batalhão étnico que chegou a reunir 2 mil voluntários durante o levante paulista contra o então presidente Getúlio Vargas em 9 de julho de 1932.


ree

No espectro ideológico, a Frente Negra estava à direita, semelhante ao integralismo. No entanto, nem todos no grupo compartilhavam essa visão; havia negros e negras de múltiplos matizes político-ideológicos, como socialistas, comunistas e monarquistas. Um povo diverso, mas unido na busca de valorizar uma identidade: a negra.


O pouco progresso que temos no nosso dia a dia é resultado de anos de valorização da negritude, buscando direitos iguais e uma identidade. A luta de um povo por uma história que foi negada.


ree

Um direito negado pelo Estado Brasileiro, que tentou apagar nossas histórias de diversas formas, muitas vezes com um viés pseudocientífico, transformando nosso povo em refém do desconhecido, da ignorância e da memória do colonizador.


Isso prejudica a construção de uma identidade empoderada, que reconhece a inteligência e resiliência do nosso povo. Mesmo com diversos mecanismos de exclusão promovidos por esse sistema, perpetuados ao longo dos anos, continuamos resistindo, vivendo, criando e sorrindo.

Sobrevivendo a uma das ferramentas mais racistas na manutenção do capitalismo: o apagamento de nossas memórias, o genocídio cultural que retira nossa herança histórica.


ree

Esse é um dos maiores pesos que carregamos, que nos faz cair no discurso daqueles que querem nos perpetuar como escravizados, que nos subjugam diariamente, nos inferiorizam através de seus padrões e ideais.


É necessário ler, questionar e agir.


Empoderar-se de todos os meios para alcançar a libertação das mãos da branquitude, da elite, do sistema que tritura gente e capitaliza corpos.

ree

É necessário sobreviver.


Ser Menó é se empoderar de uma das primeiras negações que temos durante a construção da nossa identidade: o direito de ter uma infância, de ser criança e ser visto como tal.


Um espaço de valorização de identidade, direito à memória e apoio à resistência.


Uma revista digital progressista, independente e marginal.


É sobre ser Menó.


 
 
 
logo.png
  • Branca Ícone Instagram
  • Branco Facebook Ícone
  • Branco Twitter Ícone
  • Branca ícone do YouTube

Todos os Direitos Reservados | Revista Menó | ISSN 2764-5649 

bottom of page