top of page
  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
De Santa Crime para o Mundo


Scarlett Wolf edit @visualbypivete

A Zona Oeste revela muita gente, mas muita gente mesmo, e com ela não poderia ser diferente. Ela começou sua carreira no rock, mais especificamente no cenário pesado independente. Sua trajetória muda quando o rap passa a ser o seu portal. E quando a gente pensou que não podia se impressionar mais, ela vem e mete marcha no grime, sendo uma das primeiras mulheres do Rio de Janeiro a fazer o estilo. A mãe de Santa Cruz segue dominando tudo por onde passa, e a Menó teve a chance de conversar um pouco com essa joia rara, que é a Scarlett Wolf.



A rainha do flow tirou um tempinho da correria para trocar essa ideia:


— Muita coisa se passou desde quando você decidiu fazer rap. O que sentiu quando tomou essa decisão?


Comecei no rock, sendo vocalista de uma banda de deathcore/metalcore. O rock no Brasil é praticamente impossível, principalmente nessas vertentes. Achei que o rap seria menos difícil (risos). De certa forma é, mas sinto que as dificuldades só mudaram e, se for ver bem, pode ser que seja até mais difícil. Só não julgo impossível. Eu senti que em São Paulo tive mais oportunidades, mais abertura, talvez por ser carioca e “ser novidade” na área, ou também por ter uma quantidade considerável de produtores na cidade. Mas passei por poucas e boas para entender que ser mulher, preta e pobre faz qualquer estilo musical, emprego ou situação ser mais difícil.


— Sua forma de fazer música é bastante marcada com alguns traços de R&B, Soul e até de Rock. Quais são suas maiores influências para a sua sonoridade?


Eu nunca percebi que tenho traços de R&B na minha musicalidade, que legal! (Risos). Sou completamente eclética. Apesar do estilo dark e tal, eu gosto de tudo! Costumo dizer que gosto de música boa. Citarei artistas aleatórios que escutei até aqui e que escuto atualmente também: Beyoncé, Ariana Grande, Megan Thee Stallion, Doja Cat, Bring Me The Horizon, 6lack, Liniker, Pabllo Vittar, Anitta, Migos, Don Toliver, Night Lovell, Evanescence, etc. Escuto mil coisas no dia, playlist aleatória quase sempre, do rock ao louvor, fazendo parada no 150bpm (risos).


Scarlett Wolf edit @visualbypivete

— Deu pra ver que, de uns tempos pra cá, tem registros seus fazendo grime e drill devido ao Brasil Grime Show. Você começou a fazer pelo programa ou já tinha algo antes disso?


Comecei devido ao Antconstantino (@antconstantino)! Ele fazia parte do projeto, que tava começando na época, e me chamou dizendo: "Coé, tô com um projeto assim assado, quer brotar e largar umas rimas?”. Eu, que botava a cara em tudo, disse: “CLARO!”. E lá fiquei sabendo do que se tratava MAIS OU MENOS, por demorar a entender de fato o grime. Mas, pelo menos, o projeto era basicamente o DJ tacar uns beats e você se virar em cima da batida, (risos).


E, pelo visto, deu certo. Fiquei um tempo com eles, fizemos vários shows juntos e foi uma vivência maravilhosa que levarei para a vida toda. Inclusive, depois disso, lancei meu EP de grime, intitulado “FLOW”.


— Uma coisa que também não pôde passar batido é que você tem muito feat  na pista. Gostaria que comentasse como foi participar de “Crias do Mosh” (Garotas do Front - Riot Molotov), “Meu Brinquedo” (OTUS500 - Kondzilla) e “Clube da Luta” (Músicas Pra Sair na Mão, Rap Falando).


Sim, muito feat, né?! (risos) Me sinto a Nicki Minaj. Brincadeira. Pô, na “Crias do Mosh”, que faz parte da mix tape da Riot Molotov, uma amiga em comum apresentou o trampo dela e eu dei um salve porque achei diferentona. Logo, ela me chamou pra participar do projeto. Tivemos uma vivência muito legal no Rio juntas, e a Riot, só tem cara de malvada, mas é um amor de pessoa.


Foi massa fazer parte desse trabalho. “Meu Brinquedo” foi com meu querido amigo Ávila Beats, outra pessoa incrível que eu adoro.

A gente já falava muito sobre fazer algo juntos e, na melhor oportunidade, ele me chamou, e criamos essa lá na Kondzilla. “Clube da Luta” foi um projeto do Rap Falando. A maravilhosa Anaavi (@annaavi) me chamou do nada, um belo dia, e me mandou a guia. Só faltava eu para completar a faixa. Quando ouvi a vibe, as guitarras, me vi muito no projeto. Pensei: “Nossa, tudo a ver comigo, aqui vou poder trazer uma Scarlett que o público do rap não conhece e talvez nem espere por isso. Vou berrar!". E aí deu no que deu (risos).




Scarlett Wolf edit @visualbypivete

— Teu trampo mais recente é a faixa “Terror Nenhum”. Ela tem uma mensagem forte na letra e com direito a um videoclipe. Conta para gente o que foi mais legal na hora de gravar e por quê?


Geralmente, quando tô no processo criativo de uma música, eu meio que me imagino na parada. Basicamente, vou me botando na situação da letra (ou revivendo algo que já vivi) ou imaginando basicamente o clipe. Com “Terror Nenhum” não foi diferente. Só que dessa vez me imaginei andando e falando em um take sem cortes.



Uma referência que usei foi “Queen Speech Ep. 4", da Lady Leshurr. Uma curiosidade é que gravamos em duas tentativas. Uma ficou perfeita, mas muito fechada, e a outra foi a que lançamos. E, logo que acabamos de gravar, as luzes vermelhas do cenário apagaram, deixando claro que não teríamos outra tentativa. Por sorte, saiu perfeito. Coisa de Deus mesmo.


— Manda um recado para quem você quiser e outro para quem tá na correria como você. 


Um recado, ou talvez um conselho que dou para quem tá no corre da música, é: aprenda o máximo sobre todos os processos, desde a criação da música até, PRINCIPALMENTE, as partes burocráticas e de distribuição. No fim das contas, infelizmente, fazer música é um detalhe. Tenha propriedade para falar e cobrar sobre cada ponto do seu trabalho. E, acima de tudo, fé, persistência, humildade e disposição. Muito obrigada pelo convite! Deus abençoe e tamo junto! Até a próxima! Beijão.




 
 
 

ree

O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, e é exatamente dentro desse cenário de violência e opressão que surge o livro “Aqui Não Falamos Sobre Isso”, do escritor e poeta Aramyz.


Com 62 poemas que exploram a dor, o silenciamento e o preconceito, Aramyz nos faz refletir sobre a realidade brutal enfrentada pela comunidade LGBTQIA+, especialmente em um país onde homofobia e transfobia são frequentes e mortais.


Publicado pela Editora Folheando, o livro é mais do que uma simples coletânea de poesias – é um grito de resistência. Cada poema carrega o peso de quem viveu, sentiu e lutou contra essas injustiças. Aramyz não se intimida ao revisitar temas que muitos preferem ignorar. Seus versos rompem o silêncio e expõem, com sensibilidade e crueza, as dores que muitos sofrem no dia a dia.



A obra nos desafia a encarar a violência que é parte da vida de tantas pessoas LGBTQIA+ no Brasil, onde as estatísticas de mortes ligadas à orientação sexual e identidade de gênero são alarmantes.


Aramyz, semifinalista do Prêmio Oceanos 2022, finalista do Prêmio Caio Fernando Abreu em 2020 e 2022, e vencedor do II Prêmio Variações de Literatura LGBTQIA+ em 2023, tem uma trajetória literária marcada por obras que tocam em questões de identidade, resistência e luta. “Aqui Não Falamos Sobre Isso” não é diferente. Em cada página, ele convida o leitor a refletir sobre os preconceitos e a violência que ainda predominam em nossa sociedade, mas também aponta para a resiliência e a força que nascem do enfrentamento dessas adversidades.


O processo criativo de Aramyz, sendo neuroatípico e diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista), também reflete essa busca por equilíbrio e silêncio. Para dar vida a seus poemas, ele encontra refúgio no meio do caos, escrevendo enquanto percorre trajetos de ônibus e metrô sem destino. É nesse silêncio imerso na agitação urbana que nascem suas palavras carregadas de significado, emoção e resistência.


Com "Aqui Não Falamos Sobre Isso”, Aramyz abre um espaço necessário para o diálogo sobre temas que ainda são tabu em nossa sociedade, como o preconceito, a homofobia e a violência contra a comunidade LGBTQIA+. E ao contrário do que o título sugere, este é um livro que fala, e muito. Fala sobre as dores, as lutas e, acima de tudo, a necessidade de continuar resistindo.

Seus poemas são para todos que sentem na pele a realidade de ser quem são em um país que tantas vezes os rejeita – mas também são para quem ainda precisa entender que esses gritos de dor não podem ser silenciados.


Informações sobre o livro:

  • Título: Aqui Não Falamos Sobre Isso

  • Autor: Aramyz

  • Editora: Folheando

  • Páginas: 86

  • ISBN: 978-65-5404-249-9

 
 
 

A voz, a letra, a levada... Enfim, a vida é um reflexo. E quem melhor para dizer isso do que uma das vozes da Penha? Vim fazer um convite para vocês se ligarem na Lis MC, que, no mês de fevereiro, trouxe ao mundo seu mais novo trabalho.


ree

Pequenas Empresas & Grandes Negócios consiste em 12 faixas, nas quais a rapper expressa da “melhor forma” tudo o que pretende para sua correria em meio ao caos da Zona Norte. Vivência é o que não falta para ela, mas seu foco é mostrar que se arrisca em outras sonoridades, e vale prestar atenção nisso. Outro ponto é que quem produz a maioria das faixas é Khamarinha, responsável por assinar a maioria das canções com maestria.

ree

Digo da “melhor forma” porque é uma junção do que ela pode fazer com o que ela vai realizar se derem brecha, sem deixar passar nada. Lírica e qualidade andam lado a lado, com uma sagacidade em cada música.


Lis está na pista e não veio para perder tempo, até porque tem uma chuva de participações neste trabalho para chegar pesado. 

Em “Play 2”, Wizy K e OG ÁCIDO fazem uma sequência de fumaça para que a MC solte suas barras e mostre que o beat foi feito para ela. No caso de “Meu Dom”, Krika é convocada para fazer festa, ao mesmo tempo, em que manda o papo de um jeito que nós é bom, mas não é bombom”, e a prova disso é o refrão, que é bastante envolvente.



“Linha de Ataque” é uma escola de malandragem aprendida nas ruas, com direito a um porradeiro verbal de Syg Sawer. E quando ela cantou "Balmain" (que tem produção do Leviatã808), me surpreendi com as rimas do Drope, um mano que faz do drill a sua vida. O enredo que Lis MC tinha em mente ao pensar no título do álbum ficou claro, e creio que você pegará a visão legal.

ree

"Dinheiro, Ouro e Fama" é uma track que tem uma atmosfera de Detroit e club ao mesmo tempo, mas essa é uma opinião minha. O que importa mesmo é saber que tanto ela quanto Mask OG e Lilo Balão brincaram com o beat.


Agora, a faixa homônima do trabalho: puro deboche e saliência no som. Pequenas Empresas & Grandes Negócios foi a vibe perfeita para rimar num Detroit, tanto é que Bebelsito e Cipriano fizeram a contenção dele.



E se engana quem pensa que Lis MC não iria atualizar seu arsenal lírico. Ela chama Jovem Ben para fazer uma grimezada em "Ninguém Morre Devendo". Para fechar com chave de ouro, vem um UK garage gostosinho no azeite em "Lamborghini", com feat de DIIGO; e um boombap sujão no beat de Sono TWS. "Saldo Líquido" é a cereja do bolo, um grito por melhoria mesmo sabendo que o corre é dobrado para quem é underground.


Acho que todo mundo sacou que esse trabalho é mais do que violência e crime. Tem muita coisa a ser entendida nas entrelinhas. A gente tem noção do que o cenário pede, mas o problema é que, às vezes, ele dorme, e a Menó não quer que vocês durmam para esse trabalho incrível. Ouça até o fone explodir!


 
 
 
logo.png
  • Branca Ícone Instagram
  • Branco Facebook Ícone
  • Branco Twitter Ícone
  • Branca ícone do YouTube

Todos os Direitos Reservados | Revista Menó | ISSN 2764-5649 

bottom of page