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Que o brilho de seu olhar

única luz no escuro profundo

aqueça, queime

Que sua energia interior

transborde por olhos,

boca, ânus e vagina.

Que seu corpo,

quando ardendo em chamas,

transpire desejo e esperança.

Sem qualquer receio do sexo

como ato proibido,

desinibida.

Que seus sussurros,

falas e gritos,

sejam cantos aos ouvidos.

Que entoes teu canto,

com teu corpo em pranto,

transbordando.

Que cada detalhe

cada toque

se arrepie em cores vibrantes.

Cessa toda agonia do viver,

apaga, esquece...

restam alegria e prazer.

O cheiro de seu cabelo,

seu gosto e beijo.

O conflito é a fusão do encontro,

tensão, tesão, fricção, desejo.

O gozo...

O corpo é finalmente sublimado,

resta a paz dos espíritos.

 
 
 
  • Foto do escritor: F. Moura
    F. Moura
  • 30 de ago de 2021
  • 1 min de leitura

Quem é ele

Que me estende a mão

Para atravessar as ruas

Quem é ele

Que me chama repetidamente

E monossilabicamente

Quem é ele

Que me tira da solidão do meu ensimesmamento

E me entrega cosquinhas

Quem é ele que me beija e chuta

De forma tão rápida

E incompreensível a vida adulta

Ele é o que me complementa

Sagitarianamente

Falando no meu silêncio

Ele é o que atravessou

A minha vida e o meu psiquismo

De forma animal

Ele é o que inaugurou

No homem

Uma nova forma de libído

Ele é amor, é beijo,

É embaraço, cabelo, meleca, cueca,

Chiclete, futebol, luta e cadarço

Enfim, nunca saberei quem somos...

Pior ainda, quem ele é...

Eu sou o que ele chama de Pai

Ele é o que eu chamo de Filho

Só sei que é ele o que chamam de menino...

Só sei que sou eu o que chamam de homem...

Não sei mais quem leva quem pra passear

Não sei mais quem está a educar

Pobres palavras

Decidi ignorá-las

O amor impera

Por Felipe Moura

 
 
 

Atualizado: 28 de dez de 2021


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Ficha Técnica: O Homem do Castelo Alto é um romance de narrativa ficção escrito por Philip K. Dick, um dos escritores norte-americanos mais roteirizados da ficção científica. Seus romances e contos foram inspiração para diversos filmes e séries, como a série O Homem do Castelo Alto, lançada em 2015 pela Amazon Prime. O livro é publicado pela Editora Aleph e está na sua 4º edição, com tradução de Fábio Fernandes.


O romance se passa num mundo distópico onde o fascismo venceu a Segunda Guerra Mundial e dividiu o mundo entre as potências do eixo. A história se passa nos EUA, especificamente no Oeste, onde seria São Francisco, chamado de Estados do Pacífico, área ocupada pelo Japão ao término da guerra. Os principais personagens da história se entrelaçam numa trama onde um mundo totalitário é apresentado a partir do etnocentrismo, do racismo, da repressão e da tensão constante para novas guerras devastadoras entre as potências vitoriosas.

Em um dos núcleos da narrativa estão o Sr. Childan, Sr. Tagomi e Frank Frink, personagens enredados na trama onde o etnocentrismo nipônico frente os nativos observa a importância artística americana a partir da raridade histórica dos objetos por eles produzidos, considerados exóticos. Os nipônicos, como o sr. Tagomi, apresentam uma obsessão por colecionar objetos produzidos pela cultura americana antes da ocupação fascistqa, tirando-os do seu contexto de utilidade e transformando-os em objetos de contemplação. Qualquer realização contemporânea vinda dos nativos não interessam os nipônicos, pois é tomada como bárbara, inferior e sem aura. O I Ching, o livro das mutações, é constantemente usado como oráculo para revelar os acontecimentos, sendo descrito na prática social dos diferentes personagens do livro como uma incorporação da cultura do dominador.

Outra crítica importante na narrativa é abordada nas aventuras de Juliana Frink, uma mulher independente e destemida, aficionada por um livro proibido chamado O Gafanhoto Torna-se Pesado, onde o autor apresenta uma realidade alternativa em que o eixo perdeu a guerra para os aliados e a URSS, fazendo a personagem colocar em dúvida a realidade, refletindo se essa não é apenas uma ilusão ou mesmo que a realidade de uma sociedade totalitária pode ser mutável. O livro traz uma crítica contundente ao nazifascismo, especialmente na voz de Juliana, uma mulher decidida, que vislumbra com desdém o mundo obtuso e hediondo criado pelos fascistas nos Estado Unidos. É a personagem feminina que encarna a heroína que enfrenta as proibições do regime e encara com avidez sua derrubada, narrada pelo curioso livro proibido. Segundo Juliana, os nazistas “não são idealistas (...); são cínicos dotados de uma profunda fé. É uma espécie de deficiência cerebral, como uma lobotomia (...) o problema deles é o sexo (...) É por isso que eles, as bichinhas da elite da SS, têm aquele sorrisinho afetado angelical, aquela inocência loura de bebê: estão se guardando para a mamãe” (p. 55).

O romance, no conjunto da obra, traz uma visão crítica e contundente sobre o fascismo, extremamente necessária para compreender os mecanismos sociais, políticos e psicológicos que os sustentam, e apresenta reflexões extremamente necessárias para compreender o fascismo no mundo atual. A narrativa é frenética e delirante, cheia de situações inusitadas, aparentemente impossíveis, tomadas pelos personagens como situações cotidianas, nos fazendo refletir sobre a tragédia de um mundo dominado por visões políticas totalitárias.


Por Carlos Douglas





 
 
 
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