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O Menó é para todos os que não tiveram pleno direito à infância. Somos Menó, não menores, maiores ou iguais. Diferentes, mas não muito diferentes dos nossos, mas sim diferentes deles. Aqueles que sempre nos negaram tudo, desde oportunidades a uma identidade. Que já nos chamaram de pretinhos, tralhas, pivetes, menores, bandidos, vagabundos, marginais, elementos, bebel, suspeitos… Tudo menos crianças.


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É sobre aqueles que já foram menores de idade. Aqueles que tiveram que vencer diversos obstáculos e ter muita resiliência para enfim serem considerados sujeitos de direitos, e mesmo assim, às vezes, têm esse direito frequentemente contestado, negado e omitido.


Sobre quem buscar valorizar sua identidade, a qual sempre foi atribuída ao negativo. Que reinventa e ressignifica o que é ser negro todos os dias. Que faz sua arte, que faz seu corre, que pesquisa, que fala, que age e que reivindica um futuro melhor através da arte, do esporte ou da política. 


Menó é a revista do cria, é a revista de quem cria, é a revista de quem  tensiona a margem e alcança novos lugares. Seja nas favelas cariocas, quebradas paulistas ou nos diversos outros lugares onde nosso povo circula, cuida e revoluciona.


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Ser Menó é entender a importância de olhar para o presente, valorizando os aprendizados do passado em busca de construir um futuro melhor. 


Ser Menó é ser progressista, independente e marginal.


 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 26 de mai. de 2024
  • 5 min de leitura

Me encontro recentemente ouvindo repetidamente Felipe Vaz e sua terapia em “Terra de Mulher Bonita”, digo ser terapia, por ser um tratamento para uma doença — talvez a cura — que afeta milhões de crias da Baixada Fluminense: a falta do amor, em uma terra aprisionada a um retrato maquiavélico onde impera a tristeza, pobreza e violência, algo que é inegavelmente uma ilusão elitista.


 Em nossos lares, ruas, bairros e cidades, existe amor; um amor que muitas vezes não tem tempo de se expressar ou apenas não é a prioridade no momento. Somos filhos de pais que não aprenderam a expressar seus sentimentos, que vendem sua força de trabalho em um ritmo frenético e predatório, que na maioria das vezes aprenderam na violência a engolir seus sentimentos e vontades em prol de um suposto “progresso”; uma dignificação a partir de um ideal de trabalho, engolindo teologia da prosperidade todo culto de domingo. 



Talvez amar seja um privilégio, em um mundo que não é mais violento do que antes — não se engane — mas é televisionado, noticiado de forma sensacionalista, para te colocar medo, pois segurança é uma das maiores fontes de capital político de todos os benditos lugares desse grande Rio de Janeiro. Você tem medo do seu vizinho, tem que ter mesmo, você já não passa tanto tempo na rua, não vê seus amigos com frequência, só se relaciona com uma tela iluminada. Se você mora em uma das cidades mais ricas e populosas desse “maravilhoso” fluminense, já era, você tem mais e mais notícias, assaltos, páginas de Facebook, operações, Tino Junior, guerra de facção, “Balanço Geral” e milícia. Com tanta coisa ruim, fica realmente difícil focar em algo belo como o amor. O amor em sua essência, não essa amarração tóxica que vocês tentam vender como relacionamento. 


Quem sou eu para julgar o “amor” alheio, ou “analisar” uma obra tão cheia de significados como “Terra de mulher bonita” de Felipe Vaz, caxiense, que começa seu álbum com um manifesto ao amor em terras baixadenses. Ele tem que falar o óbvio, é necessário, pois esse lado do cartão postal, pelo visto, para maioria, é incapaz proporcionar referências positivas. Uma terra que tem tanto ou mais história que a capital, sendo recanto de gente que cria, pensa e se relaciona. Que ama, chora, sorri e na nunce desses sentimentos cria obras tão ou quão magníficas. 


“(Sic) Eu fico puto como a poesia do Rio de Janeiro se destina restritamente, às praias, bares e lugares da burguesia carioca. A gente da baixada, a gente de Caxias, ama, se apaixona, chora, fica triste. Conhecemos nosso grande amor num bar da cidade, e quando perdemos outros amores é na igreja do bairro que acontece a Missa de Sétimo Dia. Mas se o Rio é tão periférico, por que ouvimos tanto sobre o Leblon, Ipanema, Copacabana? Nós somos o que vivemos, e devemos transmitir isso. O lugar onde a gente vive também é bonito. É possível falar sobre amores, tristezas, medos, inseguranças… tendo como cenário Duque de Caxias.

YGÛASU (Felipe Vaz)



Olha isso, em uma pequisa rápida por “Duque de Caxias” o algoritmo — sim, estou em uma guerra contra a máquina, pique Morfeu em Matrix. Esse safado do algoritmo, salafrário, pilantra, gera resultados da prefeitura, da cidade e do milico genocida — não é o Bolsonaro, não cria, é aquele outro que dá nome a cidade — meio que eu ia difamar o algoritmo à toa, mas nunca é à toa, mas porque estou falando de algoritmo? Foca, Pivete! Se liga, em uma pesquisa rápida, já vi que Duque de Caxias é terra de Bruna Marquezine, Rojão, Ludmilla, MC Marcinho, Dennis DJ e o MC Kevin O Chris. Umas das poucas cidades da Baixada Fluminense que tem Biblioteca, Museu, Teatro, entre outras coisas, que conheço e posso dizer que é terra de mulher bonita sim! 


O que o Felipe Vaz fez nesse álbum aqui é brincadeira, tem uma faixa melhor do que a outra, uma produção musical sinistra e muito gostosinho para ouvir fazendo qualquer coisa. Escuto direto, sem falsa modéstia, escuto “para um crlh”. E são todas, ouço soltas ou na ordem do álbum, já falei de “Igreja de São Jorge” uma baladinha deliciosa, sendo extremamente viciante, com um audiovisual impecável, uma das coisas mais belas produzidas. Aí ele já solta um “miami bass”, pique anos 90, com Ryan Santos, que deixou tudo numa vibe de da inveja no DJ Marlboro. 



E chega a “São Cristóvão”, meu pai do céu, que letra amigo. Esse violãozinho só cadenciando, até o refrão que o “Felipinho” dá seu nome, endereço, CEP, foto 3x4… O amigo sabe fazer música de amor, não é nada simples, é uma construção poética que ao escutar toda aquele sentimento que você reprime no seu âmago, solta para fora, explode de emoção. Falo verdadeiramente que essa é uma das músicas mais lindas que ouvi recentemente, e não é pagando pau não, eu recentemente só estou escutando RAP, exceto quando é o momento de apreciar a obra do nosso caxiense preferido. 


“… São Cristóvão já me conhece
Vou até a pé em prece
Minha vida é você.”
SÃO CRISTÓVÃO
(Felipe Vaz)

Todas são ótimas, um dia prometo que faço algo ainda mais extenso para esse álbum, se pegar legal, da para extrair tanta coisa, que da para fazer uma TCC sobre “Terra de Mulher Bonita” de Felipe Vaz. Mas antes de terminar essa “resenha” espontânea, que pensei por semanas e escrevi em menos de uma hora, tenho que falar de mais algumas:


 “Ela” é linda demais, eu não sei quem fez segunda voz — acredito que seja ele mesmo —, mas meu deus, que junção, que lindeza. Esqueci de falar do trabalho impecável que o Buzu fez nesse álbum, esses sintetizadores, que perfeição de produção. Felipe descreve “ela” que pula carnaval de vestido terra azul, com cabelos enroladinhos igual o dele. Que sensibilidade, meus amigos, me empolguei aqui, com certeza umas das mais lindas do álbum. O final é insano, tá, amigo é perfeccionista, o instrumental tá brabo até o último segundo. 



Olha a sacanagem que o Felipe faz conosco, depois do “Ela” que já deixa você pensando em todos os amores que já vivenciou e os que imaginou, ele tira da manga mais uma “Pauliceia”, com a companhia da voz particularmente bela da Clara Bastos. É para deixar os cria de berço, chorando igual um bobinho, querendo viver uma história de amor. “Pauliceia”, que me arrepiou depois que percebi ser uma história de amor tipo a do velhinho de “Up: Altas Aventuras”, quem não quer viver um amor longínquo, só não tem fim perante a azeda certeza da morte. O amigo não brinca em serviço e ainda chama a Clara, para ser a segunda voz desse dueto que fala sobre amor, memória, ancestralidade. 


Tem “BICHO HOMEM BICHO FLOR” com  Junior Capelloni é uma exaltação a ancestralidade, memória, de uma terra preta, de gente que construiu tudo isso aqui no suor. 


Finalizo essa resenha com a minha preferida, nem sei se eu já tinha escolhido outra antes, todas são as minhas preferidas, mas essa é a “mais preferida de todas as preferidas”.  É ela, “Ensaio sobre o cais”, o que falar, esse som só corrobora com minha tese, que esse álbum é uma terapia, e digo mais, aqui você encontra remédios diversos para tratar dores especificas. Um ato de coragem ou de covardia, deixar alguém partir, ou se deixar partir. Às vezes, nesses ensaios do fim, o que resta é terminar mesmo, e decidir permanecer ou só ralar, não necessariamente, é um ato de covarde ou de corajoso, ou vice-versa. Talvez em busca de te ver bem, eu acredito que a solução é você viver sem mim. 


“Não imaginávamos nós descasal
Mas de tanto ensaiarmos nosso final
Se tornou normal não chorar um decorado fim
E quando o último ato estrear
A gente se estranha no escuro do cais
E os véus te escondem as rotas que eu fiz.”
ENSAIO SOBRE O CAIS
(Felipe Vaz)

Agradeço a Felipe Vaz, Margot Studio, Buzu. As participações do álbum e todos os que somaram direta ou indiretamente, e que fizeram parte dessa grande miscelânea de representações, reflexões, percepções, diálogos, histórias, amores perdidos e conquistados que fizeram parte do processo de criação dessa obra-prima. 






 
 
 
  • Foto do escritor: Pivete
    Pivete
  • 16 de abr. de 2024
  • 7 min de leitura


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Quando somos marginalizados, invisibilizados, massacrados e descartados por uma máquina estatal que detém o monopólio da opressão e da violência "legítima", não podemos esquecer, jamais, quem somos nós. 

Weber foi categórico ao afirmar que se uma pessoa age com violência no meio social, ela será considerada criminosa, ao passo que, em circunstâncias específicas, um agente do Estado pode usar de violência legitimamente. 

Quem sofre sabe que de legítima só os traumas, medos e marcas que às vezes nunca saram, e que as circunstâncias específicas na sua maioria são fatais, não se pode brincar com a corporação especialista em moer negros e pobres. 


"Quem sou eu? BXD!" nasceu de um sonho, em um lugar onde até para sonhar precisamos enfrentar centenas de obstáculos. Em busca de um sonho coletivo de trazer cultura e educação para a Baixada Fluminense, o arte educador Igor Maia (@instaigmaia) criou o movimento sem fins lucrativos, buscando trazer mais cultura e educação para crianças e adolescentes das favelas das terras fluminenses. 


Na primeira tentativa de dar vida ao seu projeto, o estado o impediu através do seu monopólio legítimo da força, transformando as vítimas em criminosos, invadindo com fuzis um evento cultural e educativo. Crianças correndo, convidados assustados, um sonho frustrado, uma legítima sensação de medo, consequência de se atrever a sonhar, onde o que impera é a realidade. 

Fui parar em São João de Meriti, terrinha onde morei boa parte da minha vida, que teve a honra de sediar o "Festival Quem sou eu? BXD!" que ocorreu no Gato Negro Pub em Jardim Meriti, local de resistência cultural em SJM, resistindo há 9 anos e abrindo suas portas para a cultura da BXD. 


No festival, apresentaram-se Rojão, Valen, MC Carina, Zaak DC, Kallia, Oliver, Caroline Verçosa, Coimbra, todos artistas sensacionais, que transformaram a noite em um espaço de resistência, força e ancestralidade. Além da música, houve arte, com a exposição dos artistas visuais Wellerson Cesar, Andressa Gandra e Brayan, que embelezaram o espaço com suas artes. 

O evento foi tão incrível que fiquei curioso para saber mais sobre o movimento "Quem sou eu? BXD" e sobre esse festival que ocorreu em parceria com o Gato Negro Pub. Esse rolezinho rendeu um minidoc e uma entrevista com o seu idealizador Igor Maia, que nos contou como foi todo o processo de materialização dessa ideia.

Como surgiu a ideia de criar o Festival “Quem sou eu? BXD!” e qual foi a inspiração por trás desse nome?


A ideia do festival veio das artistas Carina Mc, Kallia e Ericka Mendonça (produtora do Gato Negro Pub) As duas foram convidadas por Ericka para cantar no pub e deram essa ideia de trazer o “Quem sou eu? bxd?” Por não rolar os shows que elas cantariam no dia 03/12/2023 que acabou não acontecendo devido à truculência do Poder Público. 

O nome surge do questionamento de quem somos perante a sociedade? Como somos vistos? Com a turbulência que vivemos, facilmente esquecemos quem somos. Por isso, é importante saber quem somos para nos direcionar para onde vamos. A ideia do festival é fortalecer a cultura da Baixada Fluminense, trazer artistas da Baixada e dar voz para os mesmos, para que outros conheçam quem eles são e se autoquestionem quem são!


Qual foi o objetivo principal do festival e você acha que ele foi alcançado?


O objetivo sempre será trazer arte e cultura da favela. Sim, todos os artistas que toparam se apresentaram e contribuíram com suas manifestações artísticas, com muita música e arte visual com a exposição que rolou. 


Pode nos falar um pouco sobre a parceria com o Gato Negro Pub e como essa colaboração contribuiu para o sucesso do evento?


A falta de grana e falta de espaço são os maiores desafios do Projeto “Quem sou eu? Bxd”. Poder Utilizar aquele espaço para nos apresentarmos e fazermos o que viemos no mundo para fazer é o maior ato de união e amor, para além do que o dinheiro compra. Essa parceria, intuída pela própria espiritualidade, me fez abrir os olhos para novas possibilidades, para mais festivais como esse. Acredito que quando o propósito é de coração o universo conspira a favor. Sou eternamente Grato por nos receberem. 


As exposições artísticas de Wellerson Cezar, Andressa Gandra e Brayan tiveram papel fundamental no festival. Como você escolheu esses artistas e qual foi a reação do público às exposições?


Sou fã do trabalho de cada um, esse é um dos critérios das escolhas dos artistas. Todos são artistas periféricos, Wellerson é cria de Belford Roxo e Brayan BC cria de São João, e Andressa Gandra que é da Pavuna. A reação do público sempre é incrível, pois os artistas retratam suas obras com inspiração em suas próprias vivências parecidas com a vivência de seus espectadores. Com isso, o público ama se ver em suas telas, ampliando o sentido de que a arte não é só para elite, é para todes! 


O lineup de shows apresentou uma diversidade de talentos locais. Como foi o processo de seleção das bandas e artistas participantes?


A lineup foi escolhida desde o primeiro evento do dia 03/12/23 e com muito amor os artistas toparam mais uma vez. O processo foi bem fácil, trazer artistas que estão se iniciando na cena e artistas que já estão na cena há algum tempo, mas que precisam desse holofote para continuarem fazendo o que amam. Os artistas que marcaram presença no festival amam o que fazem e estamos unidos por um propósito, pela arte, sendo artistas independentes sabemos o quão difícil é para botarmos nossa cara, não temos patrocínio. E artistas de forma geral precisam desse reconhecimento e enaltecimento da sua arte. 


Houve algum momento especial ou destaque durante o festival que você gostaria de compartilhar conosco?


Todos os momentos foram especiais para mim.  Poder assistir às apresentações e ver a entrega de cada um não tem presente maior, como não se emocionar?  Dois artistas são do meu bairro, Parque Juriti, São João de Meriti. Dar visibilidade para quem está na mesma correria que estou é muito gratificante. Uns dos momentos mais marcantes foi quando Rojão e a Kallia protestaram pelo ocorrido no último evento durante suas apresentações. Ter pessoas que acreditam em você, que acreditam no seu trabalho é o que me movimenta a continuar. 


Como foi a resposta do público da Baixada Fluminense em relação ao festival? Houve uma boa participação da comunidade local?


Infelizmente, foi um evento feito às pressas, tivemos um prazo de 3 semanas para produzir e se apresentar, com isso não houve tempo para divulgação e tanto retorno quanto esperávamos. Mas o que importa é que a semente foi plantada. 



Quais são os planos para o Festival "Quem sou eu? BXD!"? Podemos esperar por mais edições no futuro?


“SIMMM, CLARO!!!” Enquanto respirarmos, seremos resistências, união, ARTE, EDUCAÇÃO E MUITA LUTA. Tudo para um futuro melhor para nossas crianças e adolescentes que são carentes de cultura. Esse é somente o nosso início, aprendi com tudo até aqui e eu quero muito mais. 


Qual é a importância de eventos como esse para a promoção da cultura e arte na região da Baixada Fluminense e no cenário independente?


O projeto nasce com o intuito de intervir artisticamente na praça do meu bairro, Parque Juriti, por meio de movimentos artísticos que estão presentes na favela. Pretendo que nossas crianças e adolescentes entendam o quanto a nossa cultura de favela e da Baixada é rica. Além disso, quero que elas conheçam as potências artísticas que existem na sua comunidade e nos seus entornos, mostrando o que é possível pelo fazer artístico.


A primeira edição do festival foi interrompida devido a uma operação policial. Como essa experiência impactou você como organizador e qual é o simbolismo dessa interrupção em um evento independente na Baixada Fluminense?


Confesso que hoje, depois de quase 5 meses, ainda tenho alguns resquícios daquele dia, o dia que estava sendo o melhor da minha vida, esse projeto se trata do meu sonho, tlg? É o meu trabalho, é a minha vida, é o meu propósito e acabou sendo interrompido brutalmente. A polícia amedrontando a todos os presentes, apontando fuzis e mandando desmontar tudo, foi uma das piores sensações que eu já tive, aqueles que deveriam nos proteger, passando com a viatura por cima dos brinquedos e nos humilhando como se fossemos nada. Eu senti e sinto até hoje, só de falar. A responsabilidade de ter levado professores, artistas, país e muitas crianças para um dia que deveria ser inesquecível positivamente acabou sendo uma cena de terror. Eu surtei, fiquei muito mal durante um tempo, pensei em desistir, porque se o pior acontecesse (bala perdida) cairia sobre os meus ombros. 

O simbolismo disso tudo é: não temos DIREITO de trazer cultura, arte, alegria para a Baixada, somos violados, somos marginalizados, somos humilhados, estamos esquecidos diante da sociedade. Aconteceu o que aconteceu e eu não tenho nem o direito de dizer como eu me senti, por medo da retaliação do poder paralelo que domina grande parte do Rio de Janeiro e a Baixada. Eu me coloquei na linha de frente disso tudo e coloquei em risco os meus, em prol da Arte Educação e pelas crianças. Como continuar quando o mundo está contra você? 


Por fim, há alguma mensagem ou agradecimento que você gostaria de transmitir para aqueles que apoiaram e participaram do festival?


Eu, Igor, não sou ninguém, sou só mais um favelado que está preso a este mundo terreno que às vezes parece que não tem sentido nenhum. Mas, até os favelados têm sonhos, nós pensamos, trabalhamos, estudamos e resistimos. Um dos meus sonhos é que nossas crianças e adolescentes da Favela tenham o direito de serem o que elas quiserem ser, mesmo com o mundo ao seu redor te diminuindo e te dando poucos caminhos. Quero agradecer a todes que me apoiaram nessa luta coletiva. Fazer algo na Baixada é resistir contra o mundo que não quer que pensemos, que não quer que vençamos. Que venham mais eventos, que venham mais artistas, que venham mais crianças, estamos montando um esquadrão para a guerra! Munidos de muita união, muita arte, amor e ancestralidade. Obrigado mais uma vez pelos que acreditaram e que vocês possam continuar acreditando, porque apesar de tudo, sigo intacto e pronto para a próxima. 



 
 
 
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Todos os Direitos Reservados | Revista Menó | ISSN 2764-5649 

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